Nós amamos odiar

Eliéser Lourenzzetti, diretor do Senac
Eliéser Lourenzzetti, diretor do Senac

Em tempos de redes sociais, é muito comum nos depararmos com comentários de ódio dirigidos a pessoas, organizações, etnias ou grupos sociais. Esses comentários são postados pelos chamados “haters” ou “odiadores”, pessoas que costumam fazer críticas com pouco ou nenhum critério, normalmente de forma ofensiva e hostil.

Observando este comportamento, por vezes ficamos chocados e até indignados, acusando as novas gerações de promover através das mídias, uma desconstrução da sociedade organizada.

Pois bem, me parece que o que vemos atualmente é apenas o reflexo do nosso próprio comportamento na sociedade, seja ela virtual ou física. Por muitas vezes percebo pessoas próximas a mim, tecendo comentários depreciativos sobre pessoas ou organizações, de forma muito natural. Afinal, quando ofendemos o vizinho que nos desagrada ou quando brigamos com alguém no transito, estamos manifestando nosso ódio irracional. Há uma espécie de guerra acontecendo nas nossas relações sociais, e o trânsito talvez seja sua frente de batalha mais evidente.

Vamos pensar um pouco. Quando estou no sinal vermelho e alguém demora para seguir, lá vou eu tocar a buzina, muitas vezes seguida de um palavrão. Se eu sou fechado por um carro, além dos palavrões, muitas vezes eu vou lá e devolvo na mesma moeda. E porque tudo isso? Por que o ódio, a raiva, nos dão um certo “barato”… é isso mesmo! A descarga de adrenalina, a prontidão para o combate, nos deixam alertas e prontos, e essa sensação, quando não controlada, pode causar um bocado de confusão. Quando deixamos estas emoções nos dominarem, estamos fadados a causar problemas.

Quando falamos de bullyng, estamos no mesmo terreno. O que é o bullyng senão uma manifestação de ódio? E aí você pode me dizer: “Ah Eliéser, mas isso é coisa da garotada…”. E logo após você vai me chamar de CDF, ou me perturbar porque eu resolvi não beber em uma festa, ou desferir comentários ofensivos só porque parei de comer carne. Percebe? Essas manifestações de hostilidade e ódio estão incutidas na nossa forma de viver.

Sem falar no WhatsApp. Muitos não pensam duas vezes antes de passar para frente vídeos e imagens de pessoas em situações vexatórias, acham divertido que aquele ou este se deixaram filmar nus, ou em momentos íntimos que só dizem respeito a eles mesmos. Muitas vidas já foram destruídas por este tipo “postagem divertida”. E não são os “haters” que passam isso para frente… É você mesmo!

Então, quando vejo tantas manifestações de preconceito e ódio nas redes sociais, entendo que não é possível combatê-las no terreno virtual. Mas é possível ter uma atitude mais pacífica e positiva no meu dia a dia. É não jogar o carro em cima de um ciclista, só porque ele está usando um pedacinho da estrada. É respeitar a faixa de pedestre, ter paciência com as pessoas mais velhas, respeitar as opções de cada ser humano. É não passar para frente as mensagens que possam agredir alguém.

Quebrar esse ciclo é algo pessoal, é uma escolha. É escolher ser uma pessoa melhor, trocar a adrenalina pelo bem-estar reservado as pessoas amáveis. Você não pode impedir as manifestações de ódio, mas pode pará-las em você. Experimente! Fazer a coisa certa pode não ser tão popular, mas te tornará melhor e isso será duradouro.

Eliéser Lourenzzetti

Diretor da Faculdade Senac de Porto União

1 COMENTÁRIO

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  • Douglas Waismann - 17 de junho de 2017 - 11h 46
    Ótima reflexão. Parabéns e obrigado!
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