Metade dos adultos brasileiros não tem ensino médio - Vvale

Metade dos adultos brasileiros não tem ensino médio

Mais de metade dos brasileiros adultos, entre 25 e 64 anos de idade, não tem ensino médio completo; a renda média de mulheres com ensino superior é 62% inferior a de um homem com o mesmo nível de escolaridade; e o nível de investimento por aluno está entre os piores do mundo. Esses são algumas das conclusões do levantamento internacional Education At a Glance 2015, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O relatório revelado ontem, 12, é o mais detalhado levantamento sobre educação da organização, uma das mais respeitadas no mundo. Traz dados sobre a estrutura, o financiamento e o desempenho dos sistemas educacionais de cada um dos 34 países que participam da organização. Esses dados ajudam a montar uma fotografia das mudanças ocorridas na área, para o bem e para o mal.

O Brasil está na lanterna no quesito nível de escolaridade. Mais da metade, 54%, dos adultos entre 25 e 64 anos, tem formação inferior ao ensino médio. Entre os que completaram o ensino médio, apenas 14% deles prosseguiram com os estudos até o fim do ensino superior.

O país apresenta uma das maiores diferenças entre gerações. Entre os adultos de 55 anos a 64 anos, apenas 28% concluíram o ensino médio. Entre os jovens de 25 anos a 34 anos, esse percentual salta para 61%. Isso porque o país aumentou bastante o número de concluintes do ensino médio nas últimas gerações. Se mantivermos esse nível de crescimento, a expectativa é que superemos os 60%, no índice geral entre adultos, de todas as idades, em poucos anos. Ainda será um índice preocupante, mas a perspectiva é de evolução.

Impacto da escolaridade na renda

O Brasil apresentou os menores índices de desemprego entre os países da pesquisa. A coleta de dados é de 2013. Naquele momento, a taxa de desemprego entre os que não tinham ensino médio era de 4,5%; entre as adultos com ensino médio, 5,6%; e entre os que tinham nível superior,  o percentual era de apenas 2,9%.

O número de jovens fora da escola entre os 15 anos e os 29 anos é assombroso. Dois terços dos brasileiros nessa faixa etária não estudam. Entre os de 20 anos a 24 anos, 76% deles trabalham. Nessa mesma faixa etária, 20% deles não estudam e não trabalham.  Eles são conhecidos pela alcunha de nem-nem. Esse índice é superior à média da OCDE, que fica em 16%.

No quesito equidade de gênero, a conclusão é vergonhosa. A renda média de mulheres com ensino superior é 62% inferior a de um homem com o mesmo nível de escolaridade. Entre os dois gêneros, os anos de estudo mostram ter muito impacto na renda. Adultos entre 25 anos e 64 anos com ensino superior ganham em média 141% a mais que os trabalhadores que só têm ensino médio. Isso é mais que o dobro da média de 57% da OCDE.

A relação entre os que têm ensino médio e os que têm mestrado e doutorado é avassaladora: a diferença média de remuneração é de 350%. Entre os 34 países da OCDE, apenas o Chile “ganha” do Brasil nesse quesito: a diferença de remuneração lá chega a 564%. O Brasil está entre os países que mais destina parte de seus gastos públicos à educação. São 17,2% da verba de investimento público para a área. Somente o México e a Nova Zelândia, ambos com 18,4% de investimento, destinam mais dinheiro para a área.

A carreira de professor

O Brasil possui o maior contingente de professores jovens dentre os países da OCDE. Mais da metade dos professores das três etapas da educação básica (os anos iniciais e finais do fundamental e o ensino médio) tem menos de 40 anos. Nos anos iniciais de educação, apenas 15% dos professores têm mais de 50 anos. Nos anos finais do fundamental e no ensino médio, esse índice se mantém abaixo de 20%.

Nossos jovens professores também lidam com a maior média de alunos por classe. Cada professor dos anos iniciais tem em média 21 estudantes, enquanto a média da OCDE é de 15 alunos por professor. No caso dos anos finais do fundamental e do ensino médio, no Brasil, cada professor tem em média 17 estudantes. Na OCDE, a média é de 13 alunos por profissional.

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