O momento difícil do futebol catarinense

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Atualizado há 6 anos

Desde 2002, ou seja, durante toda a era de pontos corridos, Santa Catarina sempre teve no mínimo um representante no pelotão de elite do futebol brasileiro. O Figueirense garantiu em 2001 o acesso à série A e de lá para cá foram longos 16 anos de permanência de ao menos um clube catarinense na primeira divisão do Brasileirão. Esse período de estabilidade e força de Santa Catarina no futebol, porém, pode estar chegando ao seu fim com a temporada 2018.

Atualmente, o estado conta com 8 clubes distribuídos entre as quatro principais divisões nacionais. O único time representando Santa Catarina no Brasileirão da série A no momento é a Chapecoense. Com 31 pontos conquistados em 30 rodadas, a Chape corre o sério risco de ser rebaixada à série B em 2019, já que só restam 8 partidas para tentar reverter o quadro crítico. Já disputando a Segundona estão Avaí (este com boas chances de ser promovido), Criciúma e Figueirense, ambos em zona intermediária da tabela, sem grandes riscos de rebaixamento, mas certamente sem chances de subirem.

Fora Brusque, Hercílio Luz e Tubarão, todos com campanhas medianas na série D e que garantiram apenas suas permanências na mesma divisão para 2019, há também o Joinville, com uma campanha terrível na série C e que foi agora rebaixado para a quarta divisão. A situação é ainda mais triste se lembrarmos que, em 2015, o clube disputou nada menos do que a série A, sendo rebaixado sucessivamente desde então, até chegar onde está agora.

Os motivos para a crise

futebol-scmomentoEm se tratando de momentos tristes do futebol catarinense, obviamente que é inevitável falar do trágico 28 de novembro de 2016, data do acidente com o avião da Chapecoense. Dentro do avião que caiu na Colômbia estava, além dos atletas, comissão técnica e jornalistas, o então presidente da FCF, Delfim de Pádua Peixoto Filho e nome forte dentro da oposição da CBF, à época comandada pelo hoje banido do futebol Marco Polo Del Nero.

Ao assumir a presidência, Rubens Renato Angelotti, vice de Peixoto Filho, iniciou momentos de tensão entre os cartolas do estado com o lançamento polêmico de uma candidatura única para a reeleição ao cargo, a demissão do filho do falecido ex-presidente até chegar finalmente na suspensão da eleição pela Justiça de Santa Catarina.

Somado a esse clima de incerteza e polêmicas fervilhando, os clubes do estado sofrem desde o início da temporada para obter dinheiro dos direitos de transmissão da TV. A gestão Angelotti falhou em impressionar os responsáveis por contratos de TV por assinatura e Pay Pay View para conseguir receita com o Campeonato Catarinense. Só com a recusa da Rede Globo, os times se viram privados de R$ 4 milhões logo no início da temporada.

O que esperar até o fim do ano

O clima de otimismo de 2016 deu lugar ao medo de que a Chapecoense fosse rebaixada na temporada seguinte, tendo que reconstruir o time praticamente do zero depois do desastre. O que se viu, porém, foi uma campanha louvável que acabou em vaga para a Libertadores.

Em 2018, porém, a única representante de Santa Catarina na elite está com a mesma pontuação que o Ceará, que tem um jogo a menos e é o primeiro na zona de rebaixamento. O primeiro do lado de fora é o Vitória, com 33 pontos. Para escapar da queda, a Chape tem que se garantir nos sete jogos restantes, especialmente contra adversários diretos na luta contra o rebaixamento como Bahia, Botafogo, Corinthians e Sport.

Atual terceiro colocado na série B, a missão do Avaí é dura, mas possível de ser cumprida. No caminho para garantir um lugar na série A 2019, o tradicional time de Florianópolis enfrenta praticamente todos os competidores diretos por vaga. Os próximos seis jogos, que são os últimos do campeonato, são todos contra times da parte de cima da tabela: Goiás, Londrina, Atlético-GO, Fortaleza, CSA e Ponte Preta.