“Custo é igual unha: é preciso estar sempre cortando”, diz prefeito Santin

Na avaliação de 2018, chefe do Executivo fala sobre crise econômica, presidência do Brasil e projetos para a cidade

Com quase dois anos completos de mandato, o prefeito de União da Vitória, Santin Roveda, se mostra confiante. Se intitulando como colaborador e como sendo um servidor público e, no momento, prefeito, Roveda avalia 2018 de maneira bastante positiva. Para ele, a forma com que a Administração – são mais de 1.500 colaboradores na máquina – vem driblando a crise econômica e dando passos importantes, especialmente com relação aos investimentos nas áreas de Educação, Saúde e, mais recentemente, na infraestrutura de União da Vitória. São novos parques, asfalto novo, um layout novo na avenida Manoel Ribas, coração da cidade. “Estou surpreso e agradecido. As coisas estão dando certo”, avalia.

“Sou otimista mas tenho o pé no chão”

Para Roveda, governar é eleger prioridade, embora isso não seja uma tarefa fácil. Isso envolveu, inclusive, a colocação de nomes novos para os principais cargos, deixando de “renovar” a permanência de quem vinha fazendo carreira na prefeitura. “Uma pessoa sozinha não tem possibilidade de fazer um trabalho como estamos fazendo, de sucesso, sem uma equipe de qualidade. Se não, você fica girando em uma agenda política sem atender as necessidades de quem está no campo, nos bairros, que é o que me interessa”.

 

O senhor declarou apoio ao presidente eleito, Jair Bolsonaro. O senhor até esteve com ele. O que espera de Bolsonaro como presidente?

Sou otimista mas tenho o pé no chão. Tenho clareza que o cenário do País vive um terrorismo. Estamos no pior momento econômico. No primeiro turno não me manifestei. No segundo, tínhamos duas opções: ou optar pelo que já vimos, que era o governo do PT, que não tenho nada contra, ou escolher o novo, que era o Bolsonaro. Eram dois extremos. Sou representante da população e achei importante mostrar minha posição. Fui um dos prefeitos dos 17 que foram nessa reunião de apoio [com o presidente]  e também foi para observar e ver o comportamento dele com a questão municipalista.

Ficou de fora no governo do Paraná, nomes marcantes como o da própria candidata Cida Borghetti, os deputados Hussein Bakri e Valdir Rossoni e também o ex-governador Beto Richa. Como o senhor vê tudo isso?

Foi um fenômeno essas eleições. No Paraná, tivemos dois nomes que desniquelaram as eleições, que foi o sargento Fahur e o Francischini. Isso desequilibrou completamente.

 

“Não adianta sonhar com uma empresa que vai gerar dois mil empregos e vai solucionar tudo. Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta”

O senhor fez o que pode nessas eleições?

Um amigo meu, que é de dentro da minha casa e que elogia a administração e tal, disse que votou diferente, que era outro momento. Penso que tenha sido isso. Acho que foi isso o que aconteceu nas eleições e eu espero que tudo se encaixe e dê tudo certo.

A morte do deputado estadual Bernardo Carli chocou a todos. Como está este momento para o senhor e para a política também?

O Bernardo se tornou um melhor amigo, algo que eu não tinha há muito tempo. Ele gostava de vir para União da Vitória, se sentia bem aqui. Ele morreu fazendo o que gostava. O Bernardo, quando começava a conversar com alguém, conseguia uma conexão na hora. Era de conversar, de bater papo. Ele era tranquilo, todo ouvidos e correndo atrás. Ele tinha um futuro muito positivo, com certeza.

Com relação à crise econômica tão falada, como a cidade vem tratando este assunto? Foram feitos ajustes?

Com a crise econômica que começou ainda em 2008 no mundo, o Brasil passou por ela, dando um jeitinho. Ela pegou o País realmente ali em 2012, 2014, o que fez o País travar, completamente. Consequentemente, uma receita de prefeitura, por exemplo, que era cem, foi para 60. Isso dá um impacto grande e quando isso acontece, tem que cortar despesa, cargo, tudo o que é possível. Custo é igual unha: tem que viver cortando. Mas, também tem que ir atrás de investimentos, demonstrar que a cidade tem boas possibilidade. Não adianta sonhar com uma empresa que vai gerar dois mil empregos e vai solucionar tudo. Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta. Claro, nestes dois anos, venho tentando trazer uma empresa para cá, mas também apoiar quem já investe aqui.

 

“A cidade não tem dinheiro para investimento. Ponto. Mas queremos tornar a cidade a médio e longo prazo, uma cidade rica”

Como o senhor definiria a situação real de União da Vitória?

A cidade não tem dinheiro para investimento. Ponto. Ela trabalha com o dia a dia, administrando e busca investimento, mas queremos tornar a cidade a médio e longo prazo, uma cidade rica, atraindo as empresas. União tem cinema, tem educação de qualidade, tem um comércio bem diversificado, temos as faculdades. É preciso ter criatividade, organizar tudo.

 

SANTIN ROVEDA

Lembrando o papel dos pais na história, o prefeito Santin Roveda, que estreou na vida pública em 2016, como prefeito de União da Vitória, traz na bagagem a oportunidade de ter crescido em uma família com viés político. Na prática, é novato. São novidades também seu jeito de governar: nos primeiros cem dias de governo, já fez peripécias, como doar seu salário de janeiro – e de todo o primeiro escalão – para a saúde, convocar uma limpeza coletiva no Parque Ambiental e celebrou o aniversário municipal com um calendário de eventos radicais, sepultando o celebrado “bolo em metro”, comum em todos os 27 de março. Santin, que na identidade é Hilton Santin Roveda, tem 37 anos, é casado e tem um filho. Em 2014, fez 19.725 votos, mas não conseguiu ser eleito como deputado estadual. Em 2016, recebeu 16.333 votos, e conquistou o cargo de prefeito com uma das maiores vantagens nas urnas dos últimos anos no município.

 

 

OBS: A entrevista completa, feita pela jornalista Wannessa Stenzel, em áudio, você pode conferir aqui 

 

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