Marias - Identidade das mulheres por trás dos números

               

Vítimas

  • Salete Venâncio - Coordenadora da ADADE

* Alguns nomes não foram divulgados para manter a segurança das vítimas

Especialistas

  • Daniele Jasniewski

    Daniele-Jasniewski

    Daniele Jasniewski é psicóloga e aponta as três possíveis origens para a violência. A psicóloga também explica as diversas formas de fazer tratamento com as mulheres vítimas de violência doméstica e coloca o agressor como o fator fraco desse problema social.

  • Golemba

    Capitao-Gilmar-Golemba

    Capitão da 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de União da Vitória, Gilmar Golemba, explica que a agressão contra a mulher é resultado de outro problema social: o alcoolismo.

  • Claudio Cavalcante

    O antropólogo Cláudio Cavalcante aponta as particularidades dos tratamentos dados por homens às mulheres, aponta o Brasil como um país “extremamente machista” e conta ainda sobre o papel em que o Brasil está inserido com relação a violações de gêneros.

  • Dulceli Tonet

    Dulceli Tonet, feminista pesquisadora de gêneros e historiadora, narra a construção do cenário social machista e a culpabilização das mulheres vítimas da violência doméstica. Dulceli também comenta sobre a forma social em que vivem homens e mulheres de União da Vitória.

Marcha das Vadias

A primeira Marcha das Vadias em União da Vitória aconteceu há um ano e foi o resultado de um trabalho de conscientização sobre o alto índice de violência contra a mulher na região. Na época o coletivo feminista Mais que Amélias organizou a caminhada após três dias de um Seminário que havia acontecido na Unespar sobre questões de gênero e, também, sobre violência contra a mulher.

Aos que se juntaram à Marcha ficou a vontade da mudança e a exigência de Políticas Públicas locais que ofereçam mais segurança às mulheres vítimas. Aos que ficaram de fora, muitos não souberam entender o movimento e, foi nas redes sociais, que imperou o preconceito.

Segundo a professora e também integrante do Mais que Amélia, Dulceli Tonet, ficou clara, depois da Marcha, a necessidade de diálogo sobre o movimento e questões de gênero na cidade. “A Marcha não foi sobre sexo, mas sobre violência contra mulher e os índices que crescem muito em nossa região”, argumenta.

Outra integrante do grupo, Carolina Adam, disse na época que a intenção era “impressionar”. “Quem ainda não conhecia o movimento com certeza vai buscar saber o que a gente estava fazendo ali, e ver a importância disso.”

Mapa da Violência em União da Vitória

Mapa da Violencia em União da Vitória

Coletivos Feministas

O começo das discussões

Sem políticas públicas ou qualquer apoio de legisladores, grupos feministas de União da Vitória juntam forças para que das pequenas discussões nasçam novas ideias e projetos que transformem o cenário local. Esse é o caso do Coletivo Feminista da Associação de Pais e Professores (APP) do município, que também luta contra a homofobia, e de alunas e professoras integrantes de outro coletivo feminista, Mais que Amélias.

Os movimentos trabalham juntos há um bocado de tempo e uma das primeiras ações foi realizada em 2012 com o Seminário de Combate à Violência Contra as Mulheres. Deste Seminário eram para sair diversas propostas de ações com relação à violência e violação dos direitos das mulheres. E, de fato, as propostas saíram, mas não do papel. Na época, período eleitoral, integrantes dos dois coletivos elaboraram uma carta manifesto para que as chapas que estavam disputando à administração de União da Vitória se comprometessem com o movimento. Contudo, apenas um candidato assinou.

Na ocasião, Jair Brugnago era candidato a vice da Prefeitura e concordou com os pedidos dos coletivos, porém, três anos se passaram e nada foi feito.

A carta manifesto foi enviada, inicialmente, por e-mail aos candidatos. “Nós mandamos o teor da carta antes e, ainda assim, alguns políticos tiveram medo de se comprometer. Já os outros se comprometeram só que até agora nada. As ações foram, até agora, muito pequenas”, dispara a integrante do coletivo feminista da APP Sindicato, Maria Regina. (LEIA A CARTA MANIFESTO)

Na carta foram listadas várias necessidades urgentes para União da Vitória, inclusive, a criação de um espaço reservado e até mesmo de uma delegacia especializada em atendimento para mulher.

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Professores integrantes do coletivo da APP Maria Regina Gelchaki, Acir Moreira e também a integrante do coletivo Mais que Amélias, Dulceli Tonet, estiveram presentes durante assinatura de Brugnago(Foto: Divulgação)

Outro momento em que representantes políticos não cumpriram com as promessas feitas às militantes dos coletivos foi durante o segundo Seminário, em 2013, que resultou na primeira edição da Marcha das Vadias em União da Vitória. Antes dos eventos, Maria Regina fez o convite para as ações sociais e administradores, tanto do município paranaense quanto do lado catarinense da linha, mas, ninguém compareceu aos encontros. “Quem esteve no Seminário foram representantes de Porto União, que até comentaram sobre as ações sociais desenvolvidas na cidade, mas ninguém de União da Vitória falou”, conta Maria. “As autoridades que foram colocaram panos quentes sobre os altos índices de mortes e agressões no município”, rebate.

Ações e pedidos

Conforme outra integrante do coletivo da APP, professora Eliane Afonso, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), por mais que tente, não dispõe de estrutura necessária para atender situações de violência contra mulher. Para Eliane a prioridade são crianças e idosos.

Outras ações realizadas pelo Coletivo Feminista da APP foi um material sobre a Lei Maria da Penha, antes mesmo da Lei entrar em vigor em 2006. Ações parecidas, como panfletagens e palestras em escolas para alunos e docentes, também são elaboradas.

O projeto mais recente que propõe estender as discussões para a sala de aula é "A gente não quer só Cinema". Os coletivos têm a intenção de que com filmes não comerciais, que tratem sobre gêneros e violações, possam abrir o debate sobre a violência e discriminação tão recorrente no município. “Na cidade é bem difícil discutir esses assuntos mais polêmicos pois vivemos ainda em uma cidade muito conservadora”, comenta Eliane.

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Eliane Afonso e Maria Regina Gelchaki pedem por mais atenção nas políticas públicas de segurança da mulher

Políticas Públicas

O assistencialismo

Apesar de reformas e “projetos”, assistentes sociais e coletivos feministas de União da Vitória trabalham sozinhas para tentar tirar a cidade do top 50 no Mapa da Violência de 2012. Por aqui não há uma casa especializada para o atendimento de mulheres que sofrem agressões, o que existe são albergues para onde elas são encaminhadas com seus filhos depois de serem agredidas em casa. Lá eles ficam o tempo necessário até alguma assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) encontrar os familiares da mulher, para onde ela será levada depois do tempo no albergue.

Junto, no mesmo albergue, são abrigadas pessoas que já sofreram com os mais diversos problemas sociais. Cleonice Moller, assistente do Centro, trabalha no limite da capacidade do Creas. Todos os dias ao menos uma mulher é abrigada e entra para o cadastro de atendimento assistencial pós-ocorrência, como chama.

Neste cadastro estão crianças que tiveram vínculos familiares rompidos, idosos com histórico de maus tratos e, elas, as vítimas de violência doméstica. O trabalho de fortalecimento de vínculos é feito pelo Centro e o abrigo para as vítimas é oferecido, temporariamente. Contudo, quando esta mulher está restabelecida e retorna a casa onde sofrera as agressões, lá está o marido, que não recebeu nenhum tipo de atendimento. “Quem é o doente é quem bate e esse fica solto. Tem de tirar é o agressor da casa não a vítima, mas o papel está se invertendo”, dispara a assistente social.

Por mais que não se tenha um lugar apropriado para receber as mulheres com registros de Maria da Penha, o foco do Creas é o trabalho psicológico individual com todos da casa. A falta de uma Delegacia da Mulher também se torna uma barreira no momento da denúncia, conta Cleonice. Mesmo a 4ª SDP sendo reformada, lá não é lugar de denúncia da Maria da Penha. “A demanda espontânea ainda não existe nos casos de Maria da Penha. As mulheres que apanham nunca vem até o Creas ou na delegacia sozinhas. Tenho certeza que os casos são bem mais dos que chegam até nós, porque as mulheres tem vergonha de denúncia porque não querem contar seu drama para um homem.” Há um ano a Secretaria de Ação Social enviou um pedido para a Secretaria de Segurança do Estado do Paraná para a criação de uma Delegacia da Mulher na cidade. O pedido não foi atendido por falta de verba.

As vítimas ficam com os filhos no Albergue Noturno Onofre Brittes. Lá elas recebem comida e proteção até as assistentes sociais do Creas encontrarem um local seguro onde as vítimas serão encaminhadas. O Albergue está como segunda opção de abrigo para as mulheres. O termo está disposto em uma lei municipal número 1868 de 1992 (clique aqui para ver a lei). A lei prevê a criação do Centro de Atendimento da Mulher em União da Vitória, na sua falta, as vítimas poderão ficar no Albergue Onofre Brittes por um curto período. A lei foi aprovada e sancionada pelo então prefeito do município, Fernando Bohrer. Passados mais duas décadas a casa de passagem ainda não foi construída e o Albergue continua sendo o principal endereço para as agredidas.

Instalações do albergue noturno Onofre Brittes

Núcleo de Prevenção

Geórgia Vanessa Souza

Pensando em cobrar esta lei e também outras ações do Legislativo local, foi criado há alguns meses o Núcleo de Prevenção a Violência e Promoção da Paz. Fazem parte do Núcleo diversas pastas da Administração Municipal que tem o objetivo de integrar os serviços e facilitar o atendimento às vítimas.

Geórgia Vanessa Souza, uma das integrantes do Núcleo, conta que até o momento nenhuma ação efetiva foi realizada pelos parceiros. “Foram impressos cartazes e adesivos para explicar sobre as violências, o que o orçamento exigia, mas nenhuma campanha foi feita até agora.”

O Núcleo existe há anos, de forma informal, e desde 2011 já existia uma verba para a divulgação das proteções e direitos das vítimas de violência. “O dinheiro é só para a divulgação das medidas de proteção”, explica.

A primeira aparição do Núcleo foi durante o Seminário de Combate à Violência contra a Mulher. O Seminário aconteceu em novembro do ano passado. Ele está em sua terceira edição e é promovido pelos coletivos feministas Mais que Amélias e da APP Sindicato.

Nessa edição palestras, mesas de debate e apresentação dos órgãos públicos foi organizada. Na ocisão cada setor se apresentou e explicou seu papel no Poder Público. “Neste ano foi melhor, porque o pessoal veio, se interessou e mostrou quem é quem no combate contra a violência de gêneros”, explica Dulceli Tonet, que também é participante de um dos coletivos.

Agora Núcleo e apoiadores da causa irão se unir para cobrar resoluções da violência doméstica e fazer valer a lei de 1992. “Vamos cobrar sim, ainda neste ano vamos nos reunir com vereadores na Câmara e ver o que será possível fazer. Porque do jeito que está não dá mais para ficar é um absurdo”, desabafa Geórgia.

Casa da Mulher Brasileira

A Secretaria de Políticas para as Mulheres da presidência da república criou há alguns anos o Programa Mulher Viver sem Violência. Desse programa surgiu o projeto Casa da Mulher Brasileira, que serve como refúgio para as mulheres que sofrem com violência e não tem para onde ir. A Casa também abriga os filhos dessas vítimas e oferece tratamento psicológico e apoio após a denúncia.

A Casa é um reforço às ações previstas na Lei Maria da Penha, mas, não funciona em todos os estados. No Paraná existe apenas uma, em Curitiba, que começou a ser construída no dia 10 de outubro e deve ser inaugurada em seis meses. O problema é que as Casas só vão funcionar nas capitais e das 26 que terão as Casas, apenas Campo Grande no Mato Grosso do Sul concluiu a obra no dia 14 de novembro de 2014.

São R$ 116 milhões na construção das casas que serão, segundo a Secretaria, construídas até o final deste ano.

A Casa vai reunir serviços de delegacia especializada de atendimento à mulher (DEAM), juizado e varas, defensoria, promotoria, equipe de atendimento psicossocial e orientação para emprego e renda. A estrutura física ainda contará com brinquedoteca, auditório, alojamento de passagem e espaço de convivência para as mulheres.

Apenas Projetos

O vice-prefeito, Jair Brugnago, foi a única autoridade política que assinou a carta-manifesto elaborada pelos coletivos feministas da APP Sindicato e Mais que Amélias em 2012. Na época ele se comprometeu em criar medidas para coibir a violência contra a mulher, para realizar o tratamento dessas vítimas e, também, oferecer tratamento aos agressores que são os que causam mais danos à família. Isso foi há três anos e segundo Brugnago nada foi feito até o momento.

Jair-Brugnago Jair Brugnago

Brugnago até falou em dois projetos que estão em análise na Secretaria de Segurança do Estado. Um deles sobre a ampliação e reforma da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória a 4ª SDP . Outro é para a contratação de mais agentes femininos para atender as vítimas que vão até a delegacia. Mas, no final do ano passado, o delegado titular da 4ª SDP, André Vilela, já havia inaugurado uma sala para atendimento especializado aos casos de violência doméstica. Inclusive incluído o ramal 7 ao número da delegacia, que redireciona a ligação feita pela mulher direto para a sala especial. Faltam agora as contratações de agentes femininas e, a principal pauta, construção da Delegacia da Mulher de União da Vitória.

A Delegacia da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória anunciou a integração de mais dois delegados. Trata-se de duas mulheres, uma irá substituir o delegado chefe, André Vilella, em sua ausência. Leia mais

Lei Maria da Penha

Emerson Spak

Emerson Spak, juiz da 2ª Vara Criminal de União da Vitória, explica como funciona a Lei Maria da Penha na Comarca do município, o tempo de processo, as ações que são realizadas e a forma de pena cumprida pelos agressores.

O que fazer?

Favor x Contra

Dois advogados foram entrevistados sobre os lados positivos e negativos da Lei Maria da Penha. As medidas da lei foram discutidas e cada um listou o que acredita que na Lei deve continuar e o que deve ser mudado.

Advogado a Favor

marcelo boldori Marcelo Boldori

Advogado Contra

ernani bortolini Ernani Bortolini

Expediente

Esta reportagem multimídia é o resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Curso (TCC) de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo do Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), produzido no ano de 2014.

Textos, entrevistas, fotografias, edição de áudio e gráficos: Bruna Kobus

Orientação: Ana Cristina Bostelmam

Edição de Vídeo: Alfredo Correa

Produção: Marcos Romualdo dos SantosGirafa Comunicação Interativa

Hospedagem: Portal Vvale

Contato: bruna.kobus@hotmail.com

Para produzir o Marias, contei com a ajuda de colegas que cederam o tempo de seus trabalhos para a elaboração deste projeto. Agradeço ao Portal Vvale por ter cedido o espaço para a publicação. Ao Marcos Romualdo dos Santos pela produção do site. A Girafa Comunicação Interativa pelo suporte técnico. Ao técnico do laboratório de TV da Uniuv, Alfredo Correa, que editou os vídeos dos depoimentos e especialistas. E a minha orientadora, Ana Cristina Bolstelmam que em todos os momentos me incentivou e trabalhou para extrair o máximo da minha criatividade e capacidade.

Palavras da autora

Faz dois anos que o Mapa da Violência colocou União da Vitória no ranking nacional das cidades que mais matam mulheres em todo o País. É um índice alto ficar entre as 50 cidades que batem recorde em feminicídios se levarmos em consideração que há no território brasileiro 5.570 municípios. Mas não bastasse isso, União da Vitória também entra para outro ranking, o das cidades que não possuem políticas públicas em questões de gênero e nem mesmo uma Delegacia da Mulher para atendimento específico em casos de agressões domésticas.

Há quase três anos trabalhando na redação do Jornal O Comércio, perdi as contas de quantas ocorrências de violência doméstica eu li nesse tempo. São muitas e elas crescem a cada dia. Chegou um momento que determinadas ruas e bairros começaram a se tornar fichas carimbadas nos BOs da Polícia Militar. Quando os boletins chegavam à redação, lá por volta das 9 horas, era fácil identificar os casos de Maria da Penha.

As histórias se mantêm as mesmas, só mudam de endereço. O marido chega bêbado em casa, a mulher é agredida, os filhos também são. Ela liga para a Polícia, o agressor vai preso, por um pequeno período, às vezes só é o tempo de registrar o boletim e ele já está solto e, quando livre, retorna para o mesmo lugar de onde acabara de sair: a casa onde mora com a mulher e os filhos.

Essa vítima volta a apanhar e alimenta cada vez mais a sensação de estar num caminho sem volta. O cenário piora quando ela se vê sozinha, sem refúgio algum, sem proteção para ela e seus filhos. Quando percebe que mesmo com uma lei especial para casos como esse, ela não está segura.

Certa vez, entrevistando uma adolescente que havia sido espancada pelo namorado, ela comentou que se todas as mulheres fossem denunciar seus agressores, as prisões brasileiras seriam tomadas por maridos e namorados que algum dia bateram em suas amadas. “Acho que é muito amor, deles com a gente. Sabe?.”

E foi no meio desse cenário que surgiu o projeto Marias. Ele foi apresentado como uma ideia para o Trabalho de Conclusão de Curso de Comunicação Social Habilitação em Jornalismo da Uniuv. A intenção foi trazer uma linguagem nova para esse debate que parece estar enferrujado. E de todas àquelas mulheres agredidas, dar uma identidade a elas, pois até hoje, em União da Vitória (como em muitos lugares do Brasil) elas são números.

Em formato de reportagem multimídia, Marias tenta buscar nas personagens vítimas da violência doméstica seus relatos e perspectivas de qual seria o atendimento ideal para ela e para o seu agressor. Marias também busca pautar a violência contra a mulher para um debate mais amplo, mostrar os abismos que se abriram entre vítima e lei, entre as estatísticas e as ações municipais. O projeto demorou cerca de um ano para ser concluído e agora está disponível na versão completa em multimídia. Naveguem, sintam as histórias e debatam, pois é com o interesse Público e do público que a diminuição dos índices poderá se tornar algo real.

Bruna Kobus

Redes Sociais

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Trilha Sonora

* As músicas utilizadas nos vídeos estão nas páginas de seus compositores no SoundCloud

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