Milho no Monjolo

Odilon Muncinelli

Milho no Monjolo – 13 de Dezembro de 2016

“CHAPECOENSE: PREDESTINAÇÃO OU ACASO”

“O conceito de predestinação tem, em primeiro lugar, um conteúdo  cristão: refere-se ao pressuposto de que Deus, sendo onisciente, sabe de antemão quem se salva ou quem vai para o inferno, tendo por base inúmeras citações bíblicas (São Paulo, nas cartas aos romanos e aos filipenses, de forma destacada). No sentido laico, a predestinação se baseia na crença popular de que nada acontece por acaso, de que tudo está previamente determinado, pela evolução sucessiva das ocorrências. / No que diz respeito ao conceito religioso, as opiniões, historicamente, tem sido muito divergentes, sendo a mais notável a de Sto. Agostinho, que ressalta o fato de que o conhecimento prévio de Deus apenas coincide com nosso livre-arbítrio, tendo em vista as decisões que tomamos. Quanto ao conceito popular, verificamos que ele não possui nenhum cabimento, sendo apenas um antropomorfismo, resultante de nosso engano em atribuir à Natureza as mesmas características de nossa mente, que em tudo procura laços de dependência. / Dessa forma, não há que falar em destino prévio a determinar o futuro dos acontecimentos, pois tudo ocorre de maneira sucessiva e aleatória, sendo apenas determinados pelas condições prévias que os fazem acontecer. O acaso parece ser antagônico ao determinismo, mas ele ocorre apenas  pela confluência de diversas causas, não se constituindo, portanto, uma ideia avessa a ele. / Vemos, portanto, que as ocorrências fáticas no âmbito de nossa realidade são reais, mas são virtuais, no sentido de que poderiam não ter acontecido, mas ocorreram, resultando a tragédia que todos lamentamos. No fundo, o que de fato necessitamos é uma transformação em nossa maneira de encarar a morte, que não é sofrimento, mas libertação, que não é o fim, mas prolongação, pois na Natureza nada termina, mas apenas se transforma. / A religião é um bálsamo na superação da tristeza da morte, por  contarmos com a promessa de Cristo de que a morte é uma rápida passagem, como  ocorreu em sua fala ao bom ladrão: ‘Hoje mesmo estarás comigo no paraíso’. / O fato da cultura ocidental não ter assimilado o verdadeiro espírito do cristianismo no que diz respeito ao fenômeno da morte é um acontecimento lamentável, por ter perdido a verdadeira inspiração que o domina, isto é, que a morte representa apenas um momento de libertação, um prêmio divino dado às criaturas criadas por Deus, semelhantes a Ele em sua espiritualidade. Eis, pois, que em tudo Deus seja louvado”.  Nota: Texto escrito por Antônio Celso Mendes, publicado no dia 06 de dezembro de 2016, na Página da APÇ.

UM BREVE PERFIL DO AUTOR

Nascido a 18 de fevereiro de 1934, na cidade de Eloi Mendes, Minas Gerais, o mestre e doutor Antônio Celso Mendes é membro da Academia Paranaense de Letras (APL), ocupante da cadeira n. 34. Obras publicadas: “Anotações Filosóficas” (1982); “Ciência, Filosofia e Política” (1990): “Caminhos do Espírito” (1991); “Filosofia Jurídica no Brasil” (1992); “Direito, Linguagem e Estrutura Simbólica” (1994) “Filosofia em Forma de Poesia”, três volumes (2004, 2005 e 2008); “Dimensões Conceituais do Direito” (2005 e 2008, 2ª edição); “Introdução ao Universo dos Símbolos” (2009); “Veredas Espirituais” (2011); “Um Século de Cultura” (2012); “Cem Anos do Centro de Letras do Paraná” (2013),e outros títulos.

Beira do Iguaçu, Dezembro de 2.016

Odilon Muncinelli é Membro da ALVI e do IHGPr

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