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O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto observam o povo cabisbaixo na cidade, as duas conversam sobre coisas dessa vida.

– Engraçado, pequena, nosso povo é sempre tão alegre e agora olha isso, todo mundo quieto, fechado, de cabeça baixa. O que aconteceu?

– Devem estar cansados de tudo isso, grandona. Corrupção, greves, protestos, inflação, violência, essas coisas.

– Mas agora é a hora e lutar, não de entregar os betes, pequena. Cadê o brio desse povo trabalhador?

– Grandona. Quantas CPIs você viu resultar em alguma coisa? Até o mensalão que foi um monte de gente para a cadeia, estão anulando as sentenças…

– Pensando por aí é verdade, pequena. Esse realmente é o país da impunidade, da corrupção, da maracutaia…

 – E não é grandona? Lembra o que o síndico, o saudoso Rolha de Poço Maia falou uma vez?

– Não. O que ele disse, pequena?

– Ele disse “Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita”. E não é verdade?

– Pior, pequena, é que no supermercado, as coisas estão subindo. A gasolina, a luz, a água, o aluguel, o gás, o diesel. Aí não tem como o povo ficar feliz, né?

– Então, grandona, quanto tempo você não ouvia que o dólar, a moeda dos gringos, passou dos três pilas?

– Mas domingo vai ter protesto né, pequena?!?

– Mas os objetivos estão errados. Querem que a Zilma Pettessef saia do poder. Qualquer outro que entrar pega o país nas mesmas condições, com as mesmas leis que favorecem a corrupção.

– Mas então, pequena?

– Tem que fazer as reformas, política, eleitoral, econômica e tributário. Fazendo essas leis o pais volta para os trilhos sozinhos sem depender de presidentes da petezada ou da “tucanaiada”.

– Olha pequena, é preciso lembrar que quem faz as leis são os senadores e deputados. E eles servem aos interesses de quem está no poder.

– Então, grandona, devemos começar pela reforma eleitoral. Acabar com reeleição, cumprir na íntegra a Lei da Ficha limpa, por exemplo…

– Sabe que agora me deu até uma tristeza, acho que to começando a entender o povão, pequena.

– É preciso sair nas ruas protestar sim, mas por reformas, por um Estado desemperrado, livre ao braço longo da corrupção. O resto é consequencia, grandona. Vamos aguardar domingo…

Obs: O papo das duas é uma crônica de humor (?) com fatos e personagens absolutamente fictícios. Qualquer semelhança é para ver se todo mundo enxerga o mundo com mais clareza. Até…

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto olhavam os protesto por tudo que é lado, as duas aproveitaram o tempo livre para conversar.

– Ei quem é aquele cara ali com uma bandeira do Brasil na mão, pequena?

– Qual, o barbudo?

– Não, o de camisa azul, ali do lado, pequena.

– Nossaaaaaaaa. Se não é o Grossoni, deve ser o clone dele.

– Mas o Grossoni não está lá na capital de República?

– É mesmo,  grandona, o cabeça branca ali deve ser outra pessoa.

– E o que vc está achando do protesto, pequena?

– Nossa é bom ver que duas cidadezinhas encravadas no interior do país estão se politizando e correndo atrás de seus interesses.

– Mas pequena, você acha que esses protestos valem alguma coisa?

– Bom é assim. Mesmo que a Zilma Petesseff não saiba dos protestos aqui em Porto Sem Navio e Buraco City, os agentes políticos que servem de cabo eleitoral para os deputados paraquedistas ou não, podem muito bem fazer a mensagem chegar lá.

– Não entendi! como pode ser isso, grandona?

– É simples. Esses cabos eleitorais, que são vereadores, pseudo lideranças políticas põem passar a mão no telefone  e contar como anda o clima por aqui. – Ou mandar um e-mail com fotos e vídeos da manifestações, não é, grandona?

– Então, se um deputado entrar no assunto no  plenário, o assunto pega fogo e chega lá na sala da Petesseff, pequena.

– Mas será que ele fizeram isso?

– Se não fizeram, foi por pura irresponsabilidade ou alienação. É a voz rouca do povo nas ruas, pequena.

– Será que esse país vai mudar, grandona? Será que tem jeito?

– Olha nós tempos o melhor povo do mundo. Com os ajustes certos e com a sociedade controlando os agentes políticos, a coisa pode melhorar.

– Mas quando, grandona?

– Quando não sei, mas estamos no caminha. Imagina se o povo lá do congresso entende o recado dos protestos e começa a fazer seu trabalho? A roubalheira, a corrupção morre de vez.

– Não sei, grandona, já vi tanta coisa nessa vida, que nem sei mais em quem ou no que acreditar.

– Então renove as esperanças, pequena, se povo continuar unido, dias melhores virão

Nisso as duas pararam para acompanhar o protesto  dos empresários e comerciantes. Pelas mais de duas mil pessoas, deu até um certo orgulho. Que venham mais protestos, então…

Obs: O Papo das Duas é uma crônica de humor, com personagens e fatos absolutamente fictícios. Qualquer semelhança é… Ah, você já sabe…

 

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto olhávamos manifestos realizados em Buraco City, as duas tentam acompanhar e conversar ao mesmo tempo:

– Olhe  aquele povo ali. São professores de que, grandona?

– De volante. São caminhoneiros e não presidentes pequena.

– É que desde que me desceram da minha capelinha não dá para enxergar muita coisa daqui, grandona.

– Ouvi dizer que o Salva do Xixo e o Careca da água Mineral vão mandar cancelar esse negócio de construir um clone seu , pequena

 – Até por que tá meio caro R4 24 mil Dilmas para um clone né, grandona.

– Com 24 paus dá pra comprar merenda, ajudar um monte de uniformes para as crianças, ou umas placas de sinalização novas. Mais uma estátua, não da para admitir, pequena.

– Eu custei baratinho, agora meu clone sai uma fortuna, grandona?

– Eu não pagava nenhum centavo nem por você que é minha amiga. Hihihi…

-Opa e aquele povo lá fazendo piquete? Agora são os professores?

– Não, pequena. É o povo que trabalha na “justa”. Os engravatados também protestam, menina…

– Eita. Mas não tem nenhum vereador para me defender, aqui grandona. Sou estrela solitária. R$ 24 mil por uma estátua clone é de doer no bolso.

– Sorte minha que sou insubstituível, pequena…

– Vai acreditando. Pensei que eu também era. Ei e agora, quem são alí? São os professores?

– Não, são os funcionários da saúde do Beto Lixa.

– Meu  Deus tá todo mundo em greve?

– Parece que sim, pequena.

– Mas onde estão os professores?

– Sei lá devem estar acampados na porta da assembleia, ou no palácio do Lixa.

– Crendios, o que será de nós?

– Uma hora tem que dar certo né, pequena. Ei falar nisso você viu o bate boca do Lúcio Bagre e do Requeijãozinho na casa do povo da capital?

 – Se vi, grandona. O Requeijãozinho deu uma dura no Bagre. Acho que ele perdeu a oportunidade de ficar quieto.

– Mas é assim tem gente que gosta de bater, mas tem horror a levar cacetadas, pequena.

– Você viu aquele muro pichado no estacionamento de um supermercado, grandona?

– Vi sim, pequena.

– E o que era aquilo, grandona?

– Sei lá, fogo amigo, pequena…

Nisso as duas pararam para ver um monte de gente passando. Seria mais um mega protesto? Mais uma greve? Não, era só mais uma liquidação na Havana.

Obs: O Papo das Duas é uma crônica de humor com personagens e fatos absolutamente fictícios. Qualquer coincidência é mera semelhança

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto espera uma alma bondosa remontar sua companheira de jornada, a pequena, as duas conversam:

– Eita carnaval mais mixuruca aí em Porto Sem Navio hein pequena?!?

– Olha quem fala. Aí em Buraco City nem carnaval tem? A última vez que teve foi com a professora TW, quando era chefona da Cultura. Isso em 1992.

– É mesmo, pequena. Mas já tivemos carnaval no Clube Apolo, no Operário, que nem existe mais, na Sede e carnaval de rua.

– Eu lembro grandona. Tinha a escola do Japa, a Vai quem quer e a Banda do Zé Totó. Foi a única vez que eu vi duas escolas de samba juntas na sua terra.

– Mas afinal de contas, pequena,o que aconteceu com o famoso carnaval de salão aí de cima?

– Bom vou tentar resumir, grandona. Foi mais ou menos assim: Primeiro contaminaram as marchinhas com Axé e depois com o Funk lixo tupiniquim.

– To entendendo. E depois, pequena?

– Depois inventaram os blocos, que não eram aqueles de brincar na rua. É um bando de pinguço e umas meninas que retalhavam as camisetas para ficar com os peitos pendurados ou de fora.

– Mas os blocos não ajudaram a encher os salões?

 – Alguns sim, mas os maiores tiraram o público dos salões oferecendo cinco camisetas mal pintadas, muita cachaça da pior qualidade e, vômitos, comas alcoólicos e por aí.

– É mesmo, pequena, você tá certa.

– Vamos em frente. Depois de contaminar a música, estragar com a diversão sadia, ainda colocaram musica sertaneja e musica eletrônica no carnaval de salão. Quer mais ou chega, grandona?

– Já estou satisfeita, pequena. O resultado foi esse que a gente viu, né?

– Bom, se não recriarem o carnaval de rua, impor limites aos blocos, chamar o povo que adora as marchinhas, samba, frevo para dentro dos clubes, ano que vem estaremos no velório do carnaval, grandona.

– Aí mais um item será incluído na galeria da latinha.

– É mesmo. La tinha carnaval. Onde fomos parar, grandona?

– Lembra quando o carnaval eram só quatro noites e duas tardes, pequena?

 – E como. Os bailes começavam as 23h. Quando atrasava começava as 23h20 e terminava 5h da manhã. As Matinés começavam as 5h e seguia a te as 19h.

– E tinham crianças de zero a 16 anos. E os clubes entupiam de gente, grandona.

– Agora ver nossos clubes quase as moscas foi doído. Enquanto isso os “curturais” da cidade ficam pensando em construir estátua nova, e nem se preocupam com a tradição do nosso carnaval.

Nisso as duas ouviram umas marchinhas d carnaval e já se alegraram. Era a velha TW de guerra ouvindo um de seus queridos discos (LPs) de carnaval. Ô que saudade!!!

 

Obs: O Papo das Duas é uma crônica de humor com personagens e factos absolutamente fictícios. Ou não? Será que o carnaval foi um pesadelo?

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto continuava esperando alguém montar sua companheirinha, a pequena, a grandona continuava a prosa para não desanimar a amiga.

– Então pequena, resolveram parar com essa palhaçada de fazer um clone seu?

– Pelo jeito não. Ainda estou fatiada em três pedaços aqui nessa garagem.

– Mas eu conheço alguém que pode te ajudar pequena.

– Quem, grandona? O Careca da Água Mineral? O Mundinho Calombo? A Janete Melância, a dama de amarelo?

– Não, muito melhor, pequena. O Valsa Correia!

– Quem é ele na ordem do dia, grandona? Nunca ouvi falar.

– Claro que já ouviu bobona. É o cara que faz papai Noel, Coelho da Páscoa, artes plásticas de primeira.

– Ah tá, eu sempre confundo Rock, Valsa, Tango… Mas não vai dar, grandona!

– Ué, e por que não pequena?

– Porque simplesmente é ele quem vai fazer meu clone, grandona.

– Sério? Mas ele é restaurador, ele poderia reformar você e te dar mais uns cem anos de garantia.

– Mas eu não tenho preço. O clone vai custar de 25 a 30 mil Dilmas…

– Ah mudou o nome da moeda agora, pequena?

– Você entendeu…

– Ah mais é o seguinte. Além daquele Piloto de teclado de computador do jornal, O Milho no Monjolo já se declarou contra sua substituição e a TW, a governanta do Castelinho também disse que é contra.

– Mas eu queria ser tratada como patrimônio religioso e cultural, não como um objeto qualquer que colocam na entrada do morro. Fiz tanto por essa cidade e agora querem me trocar por um clone.

– Mas foi o tal de Conselho de Cultura,né?

– É pequena, mas eles não tem competência para fazer isso. Era o Conselho de patrimônio cultural que tinham que chamar.

– Mas se eu fosse o Careca da Água Mineral e o Salva do Xixo não deixava te substituírem.

– Sério, grandona? Você gosta tanto assim de mim?

– Não, pequena. Porque com R4 20 mil Dilmas já dava para fazer uma sala de aula. Isso é desperdício.

– Ah, valeu pela consideração. Pior que eu ouvi que foi imposição do Valsa Correia, que não quer me restaurar. O Careca não vai voltar atrás.

– Tenho uma idéia, vamos pedir uma CPI?

– Ah isso acaba em pizza até em Brasília, grandona. Acho que vou mesmo ser substituída.

– Não desanima não ,pequena, vamos reverter isso…

Na verdade se tratam assim o patrimônio cultural, o que será das futuras gerações? É lamentável, senhores do “Conselho de Curtura” de Porto sem Navio.

Obs.: O Papo das Duas é uma crônica de humor com personagens e fatos absolutamente fictícios. Ou não. E não é que serraram a pequena em três pedaços de verdade?

 

 

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto tentava montar a pequena de volta, a grandona tentava conversar com sua velha amiga de guerra

– Ai, ui, ai, ui. Devagar grandona, tá doendoooooo…

– Mas também, não sei quem foi o demente que te serrou em três partes, pequena.

– Ai, ui… Foram aqueles mesmos que resolveram me trocar por uma mais moderninha, grandona, sem se importar com a devoção e com a memória do povo. Deve ter dinheiro sobrando no cofre que o Careca da Água Mineral tem a chave né?

– Mas é verdade que você não se aguenta mais em pé, pequena?

– Daonde. Sou feita de tijolo maciço. É só me restaurar e impermeabilizar que eu aguento mais uns 100 anos, no mínimo.

– Mas por que querem te trocar, então pequena?

– Soberba, falta de interesse com o dinheiro público, grandona. Antes eu servia, agora em nome da modernidade querem gastar uma fortuna construindo um clone meu.

– Que ano você nasceu, pequena? Um ano antes que você. Nasci em 1967, tenho só 48 anos, grandona. Estou na flor da juventude. Só um pouco encardida, mas nada que uma restauraçãozinha não resolva.

– Mas como o Careca da Água Mineral, um prefeito tão econômico, que cuida do dinheiro do povão ainda não se ligou do seu valor religioso, histórico para o município?

– Ah, mas é assim mesmo. Ai, ui, na campanha só faltavam acampar na minha frente. Agora passaram a motoserra em mim e estou aqui jogada na garagem dos caminhões da prefeitura…

– Me deu medo, agora, pequena. Vai que o Polaquinho do mercado resolve me trocar também???

– Daonde grandona. O polaquinho sebe quanto custa o dinheiro público. Jamais vai deixar trocarem você por um clone de resina.

– Assim espero. Mas e se a gente falasse com o careca, pequena?

– Como, amiga? Não posso andar, estou repartida em três pedaços. Só se alguém trazer ele aqui.

– Vamos pedir aos amigos da Cultura, o Milho no Monjolo, a professora TW para ajudar a te manter no seu morro, em cima da sua capelinha.

– Bem que eu gostaria. Não sou inútil grandona, Já abençoei muito Porto sem Navio, por 48 anos. Os pobres, os humildes tem esperança em mim. Não deixem me jogar num canto. Eu não preciso de substituta, grandona.

Nisso entrou um caminhão e quase passou por cima de um braço da pequena. Será que ninguém vai por a mão na consciência e trazer a pequena original de volta? Ou vão matar mais esse patrimônio do município?

 

Obs: A crônica O Papo das Duas é uma crônica de humor com fatos e personagens fictícios. E se ninguém fazer nada vai virar o papo de uma só. Socorrooooooooooooooooooo!!!

 

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2 Enquanto via sua fiel companheira ser retirada aos pedaços, veio uma vontade incontrolável de chorar.

– E agora com quem vou conversar? Eu quero a minha pequena de volta, pensou soluçando a grandona.

Afinal foram 48 anos, desde 1967 que as duas conversavam e  cuidavam dos dois municípios. A grandona lembrou até dos aflitivos anos de 1983.

– Eu lembrava que toda a atenção era para a pequena. Romarias, missas e muita promessa, ao lado das cruzes do Monge. Que saudade vou sentir de você.

A grandona fez questão de afirmar que sua fidelidade é só com a pequena original.

– Ouvi falar que vão trazer um clone de você, pequena, de roupa nova, a prova de chuva e do tempo. Mas eu só quero você de volta. Aquele povo que pensa que sabe tudo, não sabe o quanto você é querida.  Me falaram que vão dar uma ajeitada no seu corpinho frágil e deixar você aí num canto do morro que você tanto vigiou. Não se preocupe amada, o povo de Deus vai continuar rezando aí com você.

A grandona pensou que ela própria que está no tempo quase tanto quanto a pequena já estaria fragilizada pela ação implacável dos dias e noites na sua cidade.

– Agora fiquei com medo. Quem será o prefeito que vai mandar me substituir?

A verdade é que disseram que é preciso modernizar. Se a grandona soubesse nunca tinha incentivado a história do mirante. Aliás ela espera que o prefeito Careca da Água Mineral volte atrás e mande colocar sua pequena amiga, restaurada no seu lugar de honra. Afina se aguentou quase 50 anos deve agüentar outros cinquenta.

– Imagina entrar para a história como o prefeito que mandou tirar a pequena de cima da sua capelinha? O Careca da Água Mineral não pode se dobrar a vontade da minoria. E o povo  que reza, que nem vê, mas viram suas cabeças para o morro pedindo a benção da pequena redentora? Os pensamentos se confundem.

A grandona pensava já como uma espécie de tributo à sua fiel pequena, que nunca conversaria com outra. Nem aquela verde com uma tocha na mão e nem com o clone. O bom papo é com a bóia e velha pequena. O pedacinho de gesso. Ninguém imaginava que ela foi feita de tijolo por dentro. Talvez por isso aguentou tanto tempo. Será que vão substituir ela por plástico e armação de arame? Resina? Ninguém sabe, mas se depender da grandona sua amiga querida vai voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído. E rezemos para que uma nova cheia não venha castigar tamanha heresia.

Obs,: Apesar de não ter graça nenhuma nesta semana, O Papo das Duas ainda é uma crônica de humor. Quando as coisas melhorarem e a pequena estiver de volta, a coisa melhora.

 

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto olhavam as nuvens rondando a cidade, as duas se preparavam para outro temporal de verão:

– Pequena, eu estava olhando essa sua capa de chuva cor de burro quando foge e lembrei de mais umas coisas que não temos mais aqui em Buraco City.

– E o que é grandona? O Maveco do Belaw Mega Mix?

– Também. Pareci ao Batmóvel aquela coisa. Mas também esqueci de falar das bocas.

– Aff. É mesmo grandona.

– Então, pequena. O Primavera, ali no São Bernardo, o Boneca, o Baile do Pato ali perto da falecida da antiga fábrica de pratos de papelão. Que tal, estou com boa memória?

– Opa. Aqui em cima tinha o Poeira, chamado de “Cuspe Grosso”, porque levantava poeira nos bailões, o Santa Rosa, o Paiol, sem contar dos bailinhos da Cohab, no São Pedro.

– Então desde que a gente conversou da outra vez, lembra o tanto de coisas que não temos mais devido ao progresso, pequena?

– E dá para esquecer? Os fliperamas, a pista de patins do Big Lú, de saudosa memória, o bailão dos Coroas e a famosa lanchonete Britt’os lanches, que depois virou Angels Lanches. Aff, deu saudade agora grandona.

– E aqueles malucos da turma do Borboleta que tinham aquele som no falecido calçadão? Qual era o nome? Center Som?

– Era sim, grandona. Eu me lembro a Rádio Pioneira era no Calçadão, depois de sair do prédio onde é a Loja Total. E os motoqueiro, lembra?

– Se lembro todo mundo se reunião no Xis, pequena.

– Mas que diabos (ops) aconteceu nestas cidades que não tem mais nada, grandona?

– Então, pequena, é o progresso. O único Clube prive do sul do Paraná era o Barril 2001 do Tinte e o Gilberto Abrão. Já era legal, né?

– E os carnavais? Grandes bailes com Vice e Versa no Aliança e com o Uniport Show, no 25 de Julho e o carnaval dos magnatas no Concórdia. Eita tempo bom, grandona.

– Fora o clube Apolo e a churrascaria Gaúcha naquela esquina onde é o trevo do Sesi hoje. Nham, nham… Adorava aquele cheirinho de churrasco.

– Para não falar da Fricesp que virou um elefante branco,né grandona?!?

– Agora não temos mais opção de lazer e gastronomia. Só tem uma churrascaria e meia, as danceterias acabaram e agora a moda é encher a cara e dar pau de carros perto dos postos de gasolina.

Nisso a FM Preta Vale começou tocar uma música daquelas poderosas dos anos 80. Escorreu uma lágrima dos olhos da grandona. Ou seria o famoso cisco? Vai saber né???

Obs.: O Papo das Duas é uma crônica de humor com personagens e fatos fictícios. Qualquer coincidência é por que tivemos um passado glorioso. Não concordam?

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto apreciavam a natureza, as duas se lembravam das coisas dessa vida:

– Sabe pequena? Eu me lembrava das manhãs de setembro, na primavera, nos fins de semana, quando as famílias se reuniam no El Sombrero. Enquanto os adultos besliscavam um aperitivo, tomavam uma cervejinha a molecada se fartava de Choco Milk e sorvete.

– Pois é, grandona eu me lembro dos alegres papos dos políticos, intelectuais aqui em cima na Churrascaria Atalaia, ou aqui no Bar Tupi e o lendário bar Cometa, que não fechava nunca.

– Como o tempo passa né pequena? Lembra dos anos 80? Tinha o Barril 2001, o Grêmio Ribeiros Pires, o Clube Operário, a Sede, o Floresta..

– E eu não sei , grandona? O Clube Aliança,o Concórdia eram só para a aristocracia. E tinha o Círculo Militar e até o Poeira, lá no bairro São Pedro.

– Engraçado isso né? As cidades tinham menos pessoas e tinha público para todo mundo. Agora quando abre uma boca nova, fecham as outras.

– Mas é que os jovens gostam de encher a cara nos pátios dos postos de combustíveis, grandona. Cada louco com a sua mania.

– Me lembro do boliche que funcionava onde é o risca faca hoje aqui no centro, pequena. Tinha o Grafitti Vídeo Bar, o Lokal. Onde foi parar tudo isso, pequena?

-Bom aqui tinha estação ferroviária. As pessoas viajavam de trem até o começo dos anos 1980, grandona. Depois a tal da modernização acabou com tudo.

– E tinha uns arrasta pé aí em cima. O paiol, o Clube Santa Rosa, a Olé Olá. Que pena que isso é passado, pequena.

– Quem sente a falta disso tudo é o Belaw, que andava azarando com aquele Maverick preto dele, parecia o Batmóvel.

– Pois é mesmo nos psicodélicos anos 70 as cidades pareciam mais modernas do que são hoje, pequena.

– Mas de que modernidades que estamos falando? Dos celulares 3G que não funcionam? Ou seria por acaso dessas músicas que ninguém entende?

– De tudo, menina. Hoje o Rostobook confinou uma geração dentro de casa. Quem ganha hoje é quem entrega pizza, que pode ver a cidade e respirar o pouco ar puro que nos resta.

– Eita, agora você foi fundo, grandona.

– E não é? O que adianta ter dez mil amigos no Rostobook e não conhecer nenhum ?

Nisso as duas apararam para ver um saudosista passando com um Dodge velho ouvindo Creendence. Por um instante as duas pensaram ter voltado no tempo. Mas depois voltaram a dura realidade virtual. Entenderam?

OBS.: O Papo das Duas é uma crônica de humor com personagens e fatos absolutamente fictícios. Outros nem tanto, mas como diria o poeta, recordar é viver. Então pegue sua carapuça e viaje naquela sua caixa de fotos antigas.

 

 

 

O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto esperavam a chuva da tarde (já tinham tomado dois banhos pela manhã), as duas aproveitavam para colocar o primeiro papo do ano em dia.

– Então grandona como foram as festas de fim de ano?

– Só olhando o povo fazer a festa pequena. No natal tinha peru, porco, churrasco de gado e carneiro. Dia 25 tinha o resto da ceia de natal. Dia 26 tinha farofa de porco, resto de peru desfiado e osso de carneiro.

– Minha nossa grandona.

– Calma que não acabou. Dia 27 tinha resto de farofa de porco, osso queimado de carde de gado, risoto de resto de peru e osso queimado de carneiro.

– Credo, grandona e onde foi acabar isso?

Não sei, dia 28, o marido levantou cedo e jogou tudo fora, porque senão de noite ia ter sopa de osso de peru, gado, porco e carneiro. Huahuahauhau…

– Vamos mudar de assunto, então. Me conte alguma novidade aí embaixo, grandona?

– Bom, o prefeito Polaquinho do Mercado agora é pai, a taxa de lixo subiu e vai ter médico de criança 24 horas por dia no pronto socorro.

– Eita, que legal. Então parabéns para o Polaquinho do Mercado e sua esposa pelo rebento. Então a taxa de lixo subiu, é? Presentão hein?, grandona!?!

– Mas acho que todo mundo já sabia no ano passado. Foi o repasse da inflação, segundo a Dona Reinenta, lá da contabilidade da prefeitura.

– E como está o Lúcio Bagre, já mandou passar o terno para a posse?

– Que nada. Mandou vir um terno de casimira direto do oriente médio.

– Mas que chique. Mas ando preocupada, grandona. Ouvi num cafezinho onde ficam uns malucos que tem um tal de diarréia que quer assumir o Detran. Disseram que estava cheio das ordens por lá. Será que é verdade?

– Bom tinha um tal de “cagadinho” que andava se escalando, mas acho que o Lúcio Bakri não seria louco, né, pequena?

– É né? Mas eu sei uns que já mandaram colocar o porta retrato na mesa de trabalho, grandona.

– Ah é? Quem, pequena?

– Bom tem o médico da voz de veludo, que continua na saúde, o Xícara, que continua na habitação, o Jabru Júnior, que ao que tudo indica, continua no núcleo de Educação e o Jandir de Mellozo, aquele com quase dois metros e meio que continua na agricultura.

– É esses eu também já sabia, pequena. Mas o diarréia ambulante, eu duvido muito.

– Mas que tem muita gente se escalando, tem, né, grandona?

– Bom se eles estão tão a fim de começar a trabalhar tem um monte de vagas lá no Sine, pequena.

Nisso começou outra daquelas pancadas de chuva que lavam até a alma. Chuvas de verão. Quem sabe não leva um pouco da nhaca que tem por aqui e alguns indesejáveis, chupins da política local. Quem sabe, né?!?

OBS.: O Papo das Duas é uma crônica de humor com personagens e fatos absolutamente fictícios. Se doeu é porque tá usando a carapuça. Então na saída, devolva.