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O Papo das Duas

papo-das-duas2Enquanto tentava montar a pequena de volta, a grandona tentava conversar com sua velha amiga de guerra

– Ai, ui, ai, ui. Devagar grandona, tá doendoooooo…

– Mas também, não sei quem foi o demente que te serrou em três partes, pequena.

– Ai, ui… Foram aqueles mesmos que resolveram me trocar por uma mais moderninha, grandona, sem se importar com a devoção e com a memória do povo. Deve ter dinheiro sobrando no cofre que o Careca da Água Mineral tem a chave né?

– Mas é verdade que você não se aguenta mais em pé, pequena?

– Daonde. Sou feita de tijolo maciço. É só me restaurar e impermeabilizar que eu aguento mais uns 100 anos, no mínimo.

– Mas por que querem te trocar, então pequena?

– Soberba, falta de interesse com o dinheiro público, grandona. Antes eu servia, agora em nome da modernidade querem gastar uma fortuna construindo um clone meu.

– Que ano você nasceu, pequena? Um ano antes que você. Nasci em 1967, tenho só 48 anos, grandona. Estou na flor da juventude. Só um pouco encardida, mas nada que uma restauraçãozinha não resolva.

– Mas como o Careca da Água Mineral, um prefeito tão econômico, que cuida do dinheiro do povão ainda não se ligou do seu valor religioso, histórico para o município?

– Ah, mas é assim mesmo. Ai, ui, na campanha só faltavam acampar na minha frente. Agora passaram a motoserra em mim e estou aqui jogada na garagem dos caminhões da prefeitura…

– Me deu medo, agora, pequena. Vai que o Polaquinho do mercado resolve me trocar também???

– Daonde grandona. O polaquinho sebe quanto custa o dinheiro público. Jamais vai deixar trocarem você por um clone de resina.

– Assim espero. Mas e se a gente falasse com o careca, pequena?

– Como, amiga? Não posso andar, estou repartida em três pedaços. Só se alguém trazer ele aqui.

– Vamos pedir aos amigos da Cultura, o Milho no Monjolo, a professora TW para ajudar a te manter no seu morro, em cima da sua capelinha.

– Bem que eu gostaria. Não sou inútil grandona, Já abençoei muito Porto sem Navio, por 48 anos. Os pobres, os humildes tem esperança em mim. Não deixem me jogar num canto. Eu não preciso de substituta, grandona.

Nisso entrou um caminhão e quase passou por cima de um braço da pequena. Será que ninguém vai por a mão na consciência e trazer a pequena original de volta? Ou vão matar mais esse patrimônio do município?

 

Obs: A crônica O Papo das Duas é uma crônica de humor com fatos e personagens fictícios. E se ninguém fazer nada vai virar o papo de uma só. Socorrooooooooooooooooooo!!!

 

 

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