Em tempos de frustração política, democracia ainda é a melhor forma de governo?

Se há uma coisa que une o mundo em 2019, é a raiva com os governos

(Foto: Reprodução/Richard Jopson).
(Foto: Reprodução/Richard Jopson).

Leia o artigo completo na Folha de São Paulo.


O mundo não é justo. Mas isso não é novidade. O que é novo é a rapidez e a intensidade com que a fúria popular diante da injustiça vem fervendo e assumindo a forma de protestos políticos prolongados.

Nos últimos meses, manifestações tomaram conta de países ricos e pobres, democracias fortes e regimes repressores fortes, também.

À base dessa ira está a percepção generalizada de que os políticos defendem os interesses das elites, não da população.

Protestos são ocorrências comuns em países em desenvolvimento, e por uma boa razão: a população desses países sofre amargamente quando os governos não garantem a oferta de serviços básicos, e, devido à escassez de instituições políticas desenvolvidas, atores não tradicionais –entre os quais os manifestantes ocupam lugar de destaque— tendem a fazer a bússola política se mexer.

De todos esses protestos, porém, são os de Hong Kong que parecem representar a menor ameaça a seu respectivo governo (indireto) em Pequim, que pode se dar ao luxo de esperar que os manifestantes se cansem.

E isso nos conduz à pergunta crítica: em nossos tempos de frustração política e insatisfação ampla, a democracia ainda é a melhor forma de governo para o futuro?

A democracia prosperou nas últimas décadas, na medida em que mais pessoas começaram a contribuir para a produtividade econômica de seus países (um dos subprodutos mais importantes da globalização).

Com isso, ficou mais fácil ganharem voz mais ativa na política. Mas hoje a globalização está recuando e a tecnologia começou a tomar o lugar da mão de obra, algo que vai continuar por anos ainda.

É uma questão que merece ser acompanhada de perto, embora ainda seja cedo para dizer que a democracia já deixou seus melhores dias para trás; a globalização foi muito bem-sucedida demais para que a possamos descartar por completo.

Mas quando se combinam todos esses problemas estruturais com uma economia global que está perdendo força, torna-se ainda mais difícil para os governos atender às demandas legítimas de suas populações hoje e no futuro.

Se há uma coisa que une o mundo em 2019, é a raiva com os governos. Isso deve preocupar tanto os governos quanto os povos que levantam suas vozes contra eles.

Leia o artigo completo na Folha de São Paulo.

Ian Bremmer

Fundador e presidente do Eurasia Group, consultoria de risco político dos EUA, e colunista da revista Time | Tradução de Clara Allain

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