“Novembro azul levanta mais uma bandeira”

Caio Lagana é médico no Vale do Iguaçu, especialista em Endocrinologia e Metabologia

“É assustador.

É Praticamente uma morte por diabetes a cada cinco segundos no mundo. São 6,7 milhões de mortes em 2021, mais do que os 5 milhões de mortes divulgadas pelo coronavírus. É preciso frear essa pandemia de diabetes”.


Caio Lagana é médico no Vale do Iguaçu, especialista em Endocrinologia e Metabologia. Ele não faz rodeios para abordar um dos assuntos que mais lhe preocupam na atualidade: que é a diabetes.

Segundo ele, a campanha Novembro Azul tem duas bandeiras como foco: é responsável pela conscientização do câncer de próstata, doença acometida aos homens e que surgiu no ano de 1999, na Austrália, com um grupo de amigos que decidiram deixar o bigode crescer, a fim de chamar atenção para a saúde masculina. Paralelamente a essa causa, Lagana chama atenção para a diabetes, o que reforça a necessidade de cuidados e da prevenção.

A International Diabetes Federation (IDF) estima que uma em cada dez pessoas adultas em todo o mundo conviva com a diabetes. No Brasil, o número de diabéticos ultrapassa os 16 milhões. Para promover a prevenção e a busca pelo diagnóstico, a IDF, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), também instituiu o Novembro Diabetes Azul. “É o mês de conscientização das duas doenças. Conforme a minha especialidade e estudos na área, tivemos um aumento assustador de diabetes no mundo”, diz.

 O mês foi escolhido porque, no dia 14, é celebrado o Dia Mundial da Diabetes, em homenagem ao descobridor da insulina, o médico canadense Frederick Banting. A descoberta, inclusive, completou 100 anos em 2021. “Na semana passada o IDF apresentou para o Atlas da Diabetes dados sobre a situação atual da doença. A publicação acontece de tempos em tempos e, toda a vez que é divulgada, a prevalência supera a previsão que havia sido feita. Só para te dar um exemplo eu temho um livro de endocinologia de quando eu estava na faculdade de medicina.

Na ocasião, a obra colocava que em 2025 teríamos em torno de 300 milhões de diabéticos. Porém, temos hoje 537 milhões de pessoas que vivem com a doença em todo o mundo, um crescimento de  cerca de 16% em relação ao anunciado em 2019. Só para você ter uma ideia havia uma projeção de que em 2030 chagaríamos a 578 milhões de casos, mas em 2021 já chegamos em 237 milhões; cerca de 64% do aumento previsto ocorreu em dois anos ao invés de dez. Isso vem de onde? Além da questão genética, o ambiente obesogênico ao qual nós estamos inseridos também é um fator determinante para a diabetes, pois, acredito que nós não soubéssemos lidar direito com o avanço da industrialização dos alimentos e da tecnologia, o que nos fez ficarmos sedentários e consumirmos em excesso os alimentos industrializados, hipercalóricos e os ultraporcessados. Temos uma oferta abundante desses alimentos o tempo todo com balanço calórico positivo e o acúmulo de gordura corporal que esta diretamente  ligado com a diabetes”, explica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, já considera a situação de uma pandemia. A previsão é que o número total de pessoas com diabetes aumente para 643 milhões até 2030 e, até 2045, esse número deve subir para 783 milhões.

“Daí vem a importância da campanha Novembro Diabetes Azul, na promoção do debate sobre o tema, estimulo a curiosidade e a procura pelo diagnóstico”, acrescenta Lagana.


A diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. A insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose (açúcar) transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo.