“Repito a frase já conhecida: se a cidade está bonita, o povo está feliz”

Feliz com o resultado das urnas, atual gestor avaliou o mandato após eleger o sucessor em campanha atípica
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O prefeito de União da Vitória, Santin Roveda (PL), preferiu não disputar um novo mandato e mostrou força e capital político elegendo seu vice, Bachir Abbas (PP) para o comando do município de 2021 a 2024; mas garantiu que vai continuar atuando pelos interesses de União da Vitória e região.

Com o futuro político e eleitoral em aberto, mas com tendência de horizonte azul e sem muitas nuvens, Santin falou à CBN Vale do Iguaçu com exclusividade.


Confira:

Jornal O Comércio (JOC): Obrigada pela gentileza da entrevista, seja bem-vindo.

Santin Roveda (SR): Eu é que agradeço a gentileza. Eu sou muito grato como prefeito que estou e por estar aqui. Este foi um ano difícil, porque o mundo inteiro enfrentou um desconhecido, neste caso a Covid-19. Parabenizo o profissionalismo desta equipe que tanto nos ajudou a combater as notícias falsas neste momento difícil.

JOC: A pandemia alterou todo o cronograma previsto para 2020?

SR: A administração pública executiva é muita intensa. Me falam diariamente “seu mandato está acabando”, eu digo faltam aí mais de 30 dias. Eu sou comprometido e tenho a responsabilidade de estar à frente da administração pública e cuidar da criança, do jovem, do adulto, dos idosos. A questão da Covid-19 não é uma preocupação isolada de União da Vitória, é do mundo todo. Um exemplo é a capital Curitiba que já suspendeu até as cirurgias eletivas. A gente se preocupa e por isso a responsabilidade no executivo é muito intensa. Ainda, me perguntam: porque você fez só um mandato? Eu fiz esse mandato principalmente porque eu sou contra a reeleição. Eu respeito muito os colegas prefeitos que foram reeleitos na região, porque cada um com seus objetivos e convicções; porém como eu me dediquei totalmente, 24 horas, abandonei minha família, meus negócios, para me concentrar completamente em fazer uma União da Vitória melhor. Agora, que venha o nosso novo prefeito o Bachir Abbas, que foi um grande amigo que Deus colocou no meu caminho para ser meu vice-prefeito. Desejo que ele faça o melhor mandato por União da Vitória, que ele também dê o seu melhor. Eu quero dizer aqui, que dentro de qualquer prefeitura nenhum dia é calmo, porém se for calmo é esquisito (risos), porque todo o dia tem algo que tira você da zona de conforto. Aí vem a importância de se ter uma equipe competente.  

JOC: O senhor foi apontado como um dos grandes vencedores desta eleição municipal, pois fez o sucessor com uma boa votação; competindo contra um adversário com ótimo histórico eleitoral e contra novatos que também fizeram bonito. Como avalia isso?

SR: Você (reportagem) foi falando e eu fui balançando a cabeça e concordando com a sua pergunta. Assim, um dos maiores fatores que ajudaram a fazer um sucessor foi a energia, o entusiasmo e a disposição em querer fazer a diferença. Quando a população começou a querer que eu fosse prefeito, porque eu juro por Deus que eu nunca pensei na minha vida em ser prefeito; foi meio que um pedido da população né. Diziam ainda: seria legal que o Santin fosse prefeito; Santin você poderia colaborar com União da Vitória. Coloquei isso na cabeça e aí eu fui andando pela cidade e comecei a sonhar com União da Vitória; cidade que no passado, ao meu ver, era muito tímida, ‘acuada’, muitas pessoas falavam, falta uma liderança extremante atuante. Porque você pode na vida ser um prefeitinho, ou um prefeitão. Tudo é possível conforme o teu posicionamento. Tivemos um ‘casamento bem-sucedido’ – entre Santin Roveda e o Bachir Abbas de vice. Ele (Bachir) me deu uma base de sustentação de experiência, de tranquilidade e de serenidade. Ele sempre foi gentil em deixar eu ser um prefeito com liberdade em correr atrás dos megaprojetos e sempre esteve ao meu lado pronto para trabalhar e nunca exagerou nos seus posicionamentos. Ele foi ideal. Ele foi perfeito e humilde. Eu sempre converso muito com o meu pai, que já foi prefeito, já foi deputado federal e é um empresário que contribui com a economia de União da Vitória, juntamente com ele nós geramos empregos e estamos aqui para fazer União da Vitória acontecer. O meu pai e eu sempre constatamos o seguinte: a população ela sempre observa o trabalho, ela entende que as coisas não acontecem de graça, até porque se você plantar batata você vai colher batata, se você plantar beterraba você vai colher beterraba e se você plantar coisas erradas você não terá frutos nenhum. Então, nós (meu pai e eu) achamos que a população iria entender o trabalho executado pelo Santin e pelo Bachir e, se tudo der certo, se União da Vitória compreender o bom caminho seremos bem votados. Porém, se isso não acontecesse, não teria problema. Não vivemos de política, nem o Bachir e Santin morreriam de fome por não ter um cargo político. Estamos felizes já por andar em União da Vitória e ver que a gente fez um grande plano para União da Vitória.

JOC: O senhor admite uma boa relação com o governo estadual e federal? Diante disso, encaminha uma candidatura sua como candidato a deputado federal, função já foi ocupada pelo seu pai Airton Roveda?

SR: Minha resposta é meio simplista, mas é de coração e verdadeira. Eu não sou um político tradicional, como muitos são, até aqui na região. Tem aqueles que falam certas coisas para jogar ou entreter a opinião pública, ou confundir o adversário. Eu tento ser o mais transparente possível. Eu estou com um sorriso no rosto e sem inimigos (risos), podem até ter aqueles que não ‘vão com a minha cara’, mas eu não tenho inimizade por ninguém. Isso cria uma boa relação no governo do estado e proximidade com o governo federal. Sou muito próximo do Ricardo Barros, que é o líder do governo do Bolsonaro e também do Hussein Bakri, líder do governo Ratinho Junior; cito também o Alexandre Curi, que é um cara muito presente nos seus municípios e dedicado para uma legislatura eficiente. Agora, sobre a sua pergunta (sobre deputado federal): agora eu não penso nisso sinceramente. Mas eu gostei da política que aconteceu comigo.

JOC: O senhor vive a política com entusiasmo. O que o faz agir assim, enquanto muitos banalizam o político atualmente?

SR: Ótima pergunta. Os meus irmãos cansaram da política lá traz porque o meu pai era muito ausente para se dedicar ao povo. Eu fui presente na política, mas para isso eu tentei mesclar o pessoal com o profissional. Mas assim, em tudo o que a gente faz na vida existe a política, a ética. Mas na boca das pessoas só estão coisas ruins. A política é um palco público em que você pode influenciar.

JOC: O que é que tira o Santin Roveda do sério?

SR: (risos) tem um monte de coisa que me tira do sério. Eu não uso a palavra problema na minha vida, eu substituo por desafio e gosto de desafios. Uma característica minha é não prometer nada.

JOC: O que achou da formatação da próxima legislatura da Câmara de vereadores?

SR: Sinceramente não cabe a mim fazer uma análise agora. Mas eu diria que foram escolhas das pessoas.

JOC: Então, os nomes eleitos surpreenderam? 

SR: Não sei te dizer porque o legislativo tem essa cultura. Eu sempre ouço: vamos renovar e isso e aquilo, sendo que na última eleição também foi renovado. E te digo mais, em 2022, na Câmara e na Assembleia terá uma renovação absurda em razão desse pensamento popular de renovação. Sobre União da Vitória, desejo do fundo do meu coração que todos tenham sucesso. Será uma câmara com pluralidade, mas que eu espero que não some para o sensacionalismo e para o terrorismo. Eu não gosto de política extremista. Na política tudo muda em um minuto.

JOC: O senhor está feliz com tudo o que realizou?

SR: O mandato ainda não terminou (risos). Mas na política tudo pode mudar em um segundo. Mas eu penso que até o dia 1º de janeiro de 2021, o Santin vai estar atento para todas as situações que possam vir, com a Covid-19, ou o que for. Mas na verdade eu estou feliz e eu sou feliz. Eu tenho a Ana Cláudia eo Henrique do meu lado, que são minhas bases. Eu sou muito grato, as pessoas a Deus, e até pelas buzinas na rua e as pessoas falando: ‘e aí Santin! Eu fico muito feliz.

JOC: Em entrevista à CBN, em dezembro de 2018, o senhor falou que a saúde não era um problema apenas de União da Vitória, mas sim do Brasil. De lá para cá, o que mudou?

SR: Um dos exemplos foi a Farmácia do município que tinha um caos de atendimento. Era um lugar inapropriada e que tinha falta de remédios. Então, eu e o Bachir, juntamente com os secretários municipais, em um ato histórico dos 130 anos de União da Vitória, fizemos a doação dos nossos salários para comprar remédios e estabilizar o estoque da farmácia. Temos muito a melhor e evoluir, sim! Mas estamos nos dedicando muito.

JOC: Qual foi o melhor presente que União da Vitória lhe deu?

SR: Ah essa é fácil. Foi o carinho que a população me deu.

 JOC: Seu futuro, a partir de primeiro de janeiro?

SR: O Santin Roveda vai ser a mesma coisa. Não vai mudar em nada. Eu espero estar sempre à disposição com cargo ou sem cargo e fazendo o que puder para ajudar União da Vitória. Tudo já está bem encaminhado e questão do Contorno do Iguaçu que vai retirar o trânsito pesado de caminhão e cargas do centro de Porto União e União da Vitória. Em breve, vocês terão a clareza do projeto de mais de R$ 200 milhões de reais do governo Federal do Dnit.