“A gente deve evitar ao máximo colocar os parentes em prefeitura”

Kurt Nielsen Júnior (MDB), prefeito de Porto Vitória, participou da série de entrevistas realizada pela CBN Vale do Iguaçu
2019 12 19 Kurt Nielsen

A polarização das redes sociais somada à frustração geral das pessoas com a política; faz com que o cidadão pense que os políticos são todos iguais.

Em vias de se iniciar o processo eleitoral 2020, a CBN Vale do Iguaçu entrevista os vereadores de União da Vitória e de Porto União para que você possa tirar suas próprias conclusões acerca da indagação: Político é tudo igual?

 


CBN VALE DO IGUAÇU: Em sua visão, qual foi sua principal atitude como Prefeito durante este mandato?

Kurt Nielsen Júnior: Olha, tivemos aí uma questão típica, pois para mim mesmo foi praticamente um desafio. Eu que havia pego uma administração, que no primeiro mandato veio do senhor Francisco, o meu atual vice, onde eu já conhecia toda a situação, e no meu segundo mandato, nem posso criticar eu mesmo. Mas neste mandato foi realmente um desafio, pois recebemos o município em uma situação não muito boa, em especial na manutenção de equipamentos. Também assumi o mandato em época de crise, que foi complicada e acrescida pela pandemia. Mas sempre mantivemos a linha de pensamento que foi enxugar a máquina pública; adequar o funcionalismo, e começando sempre pelos comissionados. De onze secretárias e mais três diretores, aqueles com statuts de secretários, reduzíamos pela metade. De quatorze cargos, apenas seis são ocupados, sendo dois deles pela mesma pessoa. Então seis pessoas em cargos de secretários trouxeram uma economia, tudo para manter os salários e a tranquilidade, sem afetar a lei de responsabilidade fiscal. E também, paralelamente tivemos a recuperação de todos os equipamentos do município. Em meio ano não conseguimos fazer tudo, não foi uma coisa muito simples. Foi um trabalho de um ano e meio para conseguir deixar tudo como pretendíamos, em especial as máquinas. Foi uma readequação no plano de trabalho. Readequamos muitas coisas; alteramos outras. É preciso trabalhar como uma boa manutenção nas estradas rurais, é o carro chefe, porque grande parte dos produtos são baseados na pecuária de leite e o produto é transportado diariamente. Nessas mesmas estradas passam ônibus escolares, ambulâncias, enfim, essa é a nossa linha de pensamento. Cito ainda a própria limpeza da cidade, pois quase chegamos ao ponto que queríamos. Tivemos readequações na maneira de trabalhar para chegar no ponto de uma cidade bonita como se fosse a casa da gente. Na saúde, priorizamos os exames e as consultas especializadas e diminuiu aquelas filas, de praticamente um ano de espera. Melhorou bastante, mas ainda não chegamos ao ponto que queríamos. Aumentamos a quantidade de profissionais. A educação também tem um trabalho complexo. Foi praticamente um desafio para toda a equipe tentar administração do jeito que a população gosta. Tudo que foi feito pensando para se concluir no início do mandado se prolongou até hoje.

CBN VALE DO IGUAÇU: O que pensa sobre os patamares salariais do funcionalismo municipal, principalmente sobre os cargos comissionados de livre nomeação?

Kurt Nielsen Júnior: Olha, falando de dentro do município, uma coisa eu falo com tranquilidade e também com certa preocupação, que os maiores salários da prefeitura não são os de nomeação, muito pelo contrário, o salário líquido hoje, de um secretário municipal, é menor do que muitos profissionais, e isso é preocupante, pelo fato de trazer pessoas de alto gabarito com salários não tão grandes. Depois do prefeito, os secretários seriam o segundo o escalão dentro da prefeitura. O salário líquido de um secretário hoje em Porto Vitória é de R$ 3.200,00, e não é um valor alto. Aqui (em Porto Vitória), nessa questão de livre nomeação os valores são bastante enxutos, até porque o próprio município não comporta uma situação diferente. Nem tem como comparar com um município maior, como Porto União, União da Vitória, ou outros maiores. Também, grande parte desses cargos são assumidos por funcionários efeitos, com possibilidade de oportunidade a eles e para aproveitar a sua experiência.

CBN VALE DO IGUAÇU: Qual sua opinião sobre a contratação de parentes?

Kurt Nielsen Júnior: Olhe, realmente é uma questão muito polêmica. Hoje a própria Lei já regulamenta boa parte da lei da contratação de parentes. São muitas questões e, pessoalmente deveria ser analisado por cada contratante. Uma vaga, se não for ocupada por um parente, vai ser ocupada por outra pessoa, e essa polêmica gira em torno do ‘empreguismo’. Muitas vezes quando o político acaba entrando na prefeitura, ele dá um jeito de contratar o maior número de parentes possíveis, ou parentes de cabos eleitorais. É uma situação bem complexa. A gente deve evitar ao máximo colocar os parentes em prefeitura e digo o porquê: quando você traz alguém para a prefeitura você tem que pensar muito, pois essa pessoa tem um cargo de livre nomeação, mas por um período bem determinado. Então, se no momento que você coloca alguém no cargo comissionado você pode estar tirando ela de uma carreira normal, e como é a nossa situação, com um salário pequeno. Eu em 12 anos de mandato, a se completar até o fim do ano, eu tenho agora uma filha minha trabalhando aqui, que é o meu principal carro chefe. E tive minha esposa na ação social no primeiro mandato. A minha filha está aqui porque ela não tem outro emprego, porque a partir do momento que aparecer na área dela, eu terei um problema enorme em treinar alguém para ocupar esse cargo, de meses de aprendizado. Essa preocupação deve acontecer quando você tem ‘empreguistas’, ou de pessoas que entram para colocar parentes. Eu lembro muito bem da época que o Requião comentava, na época como governador, ele tinha irmã e mais não sei quem lá, e foi uma briga muito grande pelas pessoas que criticavam. Sempre digo, evite colocar pessoas que não são competentes. Você acaba pagando se você trouxer alguém sem competência o que acaba se tornando uma vergonha para todos os políticos do Brasil.

CBN VALE DO IGUAÇU: Qual é a nota que dá e porque para o Presidente Bolsonaro?

Kurt Nielsen Júnior: Um presidente polêmico né? Assumindo o Brasil depois de muitos problemas e muitas questões, e já trazendo junto sua família que não foge das críticas que se utilizou para se eleger. Hoje ainda não se tem como dar uma nota, foi apenas um ano e meio de administração. Mas confio muito nos seus ministros, mais do que na maneira de ser do presidente. Ele gosta de ser polêmico, populista, seguindo as redes sócias, uma ideia totalmente da minha. O político deve se resguardar, não deve se expor. Bom, pela equipe ele tem uma boa pontuação. Mas não eu saberia como dar, quem sabe dois anos depois que encerrar o mandato. O mandato não é questão de momento, é o resultado que você consegue de suas ações durante quatro anos.

CBN VALE DO IGUAÇU: Não arriscaria uma nota?

Kurt Nielsen Júnior: Não, não. Sem nota.

CBN VALE DO IGUAÇU: Para o Governador do Paraná, Ratinho Júnior?

Kurt Nielsen Júnior: Para o Governador está um pouquinho mais fácil. Ele praticamente está dando continuidade no trabalho do ex-governador, na mesma linha, não fugindo muito. Inclusive com uma mesma linha sendo polêmico em relação ao funcionalismo público, isso eu acompanho os comentários. Não sabemos ainda como vai ser o resultado da administração Ratinho Junior. Agora, na sexta-feira, 14, em Porto Vitória terá a entrega de uma obra com a presença do Hussein, Alexandre Cury, e anunciando novidades do governo. Assim como o Presidente é difícil dar uma nota, mas eu tenho a impressão que está caminhando bem, mesmo com os problemas junto com funcionalismo público.

CBN VALE DO IGUAÇU: Não arriscaria uma nota?

Kurt Nielsen Júnior: Não, não tenho como dizer. Melhor esperar o término do mandato.

CBN VALE DO IGUAÇU: Para o prefeito de Porto Vitória, Kurt Nielsen Junior e sua equipe?

Kurt Nielsen Júnior: Aí a população que tem que dizer. Essa nota você só vai saber daqui duas a três anos, quando o pessoal começa com os comparativos com a atual gestão. Eu na minha opinião, fiquei aquém do que eu gostaria de ter ficado, em razão das situações adversas, da maneira que eu recebi os municípios, muitos precatórios, por situações que não deveria acontecer no município. Por motivos de todas essas situações, o meu mandato não foi como eu queria que fosse, mas não foi por falta de vontade da parte política, secretários, equipe, mas crise política. Estou deixando o município com todas as contas em dia, máquina enxuta. Então podem ser coisas que não aprecem a população, mas quem fizer uma análise profunda saberão do que está acontecendo no momento.

CBN VALE DO IGUAÇU: Como o senhor (a) avalia o cenário eleitoral do município neste momento? (Expectativas, candidaturas / apoio)

Kurt Nielsen Júnior: Olha, estamos com alguns pré-candidatos, cito o senhor Francisco, o vice, como pré-candidato, também o Fabiano Glaab, um advogado, já trabalhou na prefeitura, já foi secretário, vereador é um advogado de renome, Angelin Zamboni, que colocou o seu nome à disposição pelo PT, e com certezas podem aparecer outros nomes que se lancem. Eu tenho um grupo político que trabalhou com a gente, uns se assustaram, outros se chegaram mais. O prefeito Kurt não é sozinho, quando a gente fez o plano de governo, que não é promessa, todos aqueles que ajudaram são os que devemos conversar para melhor dar continuidade no município. O nosso município está dentro daqueles que, segundo o Bolsonaro, deveriam deixar de existir, porque tem menos que cinco mil habitantes, porém a responsabilidade do próximo administrador é enorme. Tem que ser um prefeito que tome atitudes. Não pode estar atrás de serviços de graça, enfim, devemos trabalhar a geração de emprego, e pensar na arrendação própria. Eu vou tomar a decisão em cima de uma pessoa que seja ágil e que tenha coragem de assumir as cobranças. A ideia é escolher pessoas dinâmicas, com vontade, com muita energia e que corra atrás do não fechamento do nosso município.

CBN VALE DO IGUAÇU: É pré-candidato a algum cargo na atual eleição? Se sim, qual?

Kurt Nielsen Júnior: Eu sou um funcionário público, tenho um plano de carreira que eu devo cumprir, e tenho obrigação com um curso; eu fiz um mestrado profissional patrocinado pelo governo federal, com bolsa de estudo, então eu tenho a responsabilidade de estar em sala de aula por mais cinco anos. Também tem uma idade limite para isso, não constitucional, mas pessoal. Eu fiz a opção de encerrar esse meu cargo agora e assumir meus compromissos em sala de aula e com o governo federal, como professor e trabalhando com os alunos no Colégio Casimiro de Abreu.