HPN, doença rara é frequentemente confundida com demência

No Vale do Iguaçu existem pessoas com suspeita e diagnóstico positivo da Hidrocefalia de Pressão Normal. Ela é mais frequente em pessoas com mais de 60 anos
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Você já ouviu falar sobre a síndrome de condição rara chamada de HPN?

A Hidrocefalia de Pressão Normal consiste em dificuldade em andar, incontinência urinária e demência devido a um aumento no líquido que normalmente circunda o cérebro. Ela é mais frequente em pessoas com mais de 60 anos, devido a um distúrbio da circulação líquor (líquido cefalorraquidiano), que protege e irriga o sistema nervoso central, ou seja, o cérebro para de funcionar adequadamente, porque o líquido não é reabsorvido corretamente ou então apresenta dificuldade de circulação.

Estudos epidemiológicos recentes revelam que o Brasil registrará cerca de 11 mil novos casos por ano, devido ao crescimento da população idosa no país. A HPN foi descrita pelo Dr. Salomón Hakim, neurocirurgião colombiano, na década de 1960.

De acordo com o neurologista, Emerson Canelo, no Vale do Iguaçu existem pessoas com suspeita e até diagnóstico positivo da HPN. É uma doença que provoca sintomas que podem ser confundidos com doenças comuns da velhice e, ainda é pouco conhecida pela população e até de alguns médicos.

“Coincidentemente na semana passada, um paciente fez o teste, porém o diagnóstico não se confirmou. Em meu consultório, entre três a quatro pacientes realizam os exames para a doença. O que alivia a comunidade ao saberem da HPN é que ela é tratável, ou seja, quanto mais cedo o paciente for diagnosticado, melhor será o resultado do tratamento”, afirma.

Segundo o neurologista, os sintomas são instabilidade para caminhar, perda progressiva da memória e das funções cognitivas e dificuldade para reter urina – não necessariamente nessa ordem, porém associados à dilatação dos ventrículos cerebrais, muitas vezes são avaliados como típicos do envelhecimento ou confundidos com os de doenças como Alzheimer, Parkinson, depressão e certas demências vasculares. HPN é a única que pode contar com um tratamento cirúrgico.

Muitos pacientes com HPN, porém, não têm a mesma sorte de ter o diagnóstico correto. Para o neurologista, é comum pacientes demorarem anos até terem o diagnóstico. A maior diferença entre a HPN e doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, é que a primeira pode ser totalmente revertida com a implantação de uma válvula no cérebro, que drena o líquido em excesso e faz o paciente recuperar todas as funcionalidades, muitas vezes logo após a cirurgia. Dados da literatura científica mostram que 75% dos pacientes submetidos à operação têm melhora significativa em até um ano.