Exclusão digital é um problema real

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Os números que nos são apresentados, mesmo que reais, podem esconder uma injustiça. Estou falando da quantidade de brasileiros em relação ao número de aparelhos móveis habilitados no Brasil. Hoje são mais de 220 milhões de aparelhos celulares e 306 milhões de dispositivos móveis portáteis, somos um pouco mais de 207,6 milhões de brasileiros. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Logo, se há celular para todo mundo, tem gente com mais de um.

Logo, estes números não significam inclusão digital para todos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço dos brasileiros tem acesso ruim ou nenhum a internet. O que implica a ausência de conteúdo e informações necessárias no dia a dia.

Fiz uma entrevista esta semana com a educadora, doutora em Educação, Verônica Müller. Ela faz parte de uma comissão que discute inclusão digital. Em sua luta pelos direitos de crianças e adolescentes está a busca de acesso à rede mundial de computadores.

Mülller considera fundamental que as pessoas possam exercer a cidadania plena tem mecanismos de informação e participação de importantes debates sobre suas vidas. Igualdade básica de direitos passa pelo acesso a internet, considera a educadora. Para você ouvir a entrevista que fiz com a professora da Universidade Estadual de Maringá, acesse este link: https://bit.ly/2XIRb1E.

Temos que considerar uma internet para todos na mesma proporção que consideramos saneamento básico, saúde, segurança, moradia e educação. Inclusive quando se fala de educação a inclusão digital é tema vital. Um problema que se agravou nestes tempos de pandemia. O isolamento social e o fechamento das escolas colocou uma parte dos brasileiros literalmente isolados da educação por falta de um aplicativo móvel ligado a internet.

Mas mesmo tendo o acesso a internet, muitos não tem preparo para lidar com a tecnologia. Em diversas áreas onde ela é fundamental para a eficiência, não há profissionais que consigam incluí-la com eficiência ou se quer a dominam. Esta é outra ponta deste emaranhado que nós temos que saber desdobrar se queremos uma sociedade mais justa. Temos que nos convencer que a inclusão digital não é um luxo e sim uma necessidade.