Governo perde no congresso

CBN-comentario

Você sabe o quanto custa manter o poder? Caro para quem não tem a capacidade de associar as funções do comando com as forças que o mantém. Serei mais simples em minha explicação, quando se deseja o poder e não se tem a dimensão de suas funções ou condições de exercício muitos se perdem na busca de mantê-lo.

O presidente Jair Bolsonaro estampa força e influência nas eleições do Congresso Nacional. Seus candidatos, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (DEM), o primeiro para a presidência da Câmara de Deputados e o segundo para o Senado. Mas, se você fizer uma análise mais atenta, o líder do executivo desmancha nas mãos dos componentes da maioria do Congresso.

A força que as representações do Poder Legislativo terão sobre a presidência da república ficaram cada vez mais a olhos vistos. A esperança de romper com os demandos e clientelismo do Congresso Nacional foi enterrada. A governabilidade se transfere para um parlamentarismo disfarçado na manipulação do líder do Poder Executivo.

Podemos dizer que somos um parlamentarismo de fachada presidencialista onde facções dominam sem ter que assumir suas decisões. Um período de sequestro do governo federal está estabelecido. O último golpe nas bases de um governo que se elegeu como mudança e gerou esperança se enterra na permanência e na incapacidade de saber lidar com as forças que têm suas regras há mais de um século no país.

A vitória estética e a derrota do personagem nos traz uma lição. Na vida há que se tomar cuidado com as regras do jogo, elas são mais importantes que os jogadores. Na lógica do poder e nas regras estabelecidas para mantê-lo estão depositadas as possibilidades de uma representatividade. Por isso, se queremos entender a política e os fatos que a determinam, precisamos parar de idolatrar personagens e começarmos a entender as regras às quais eles se submetem.