{"id":2,"date":"2018-11-06T11:02:12","date_gmt":"2018-11-06T13:02:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/?page_id=2"},"modified":"2020-03-19T16:49:04","modified_gmt":"2020-03-19T19:49:04","slug":"cruz-machado-uma-potencia-chamada-erva-mate","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div id=\"dona-do-chimarrao\" class=\"section grid-x grid-margin-x align-center\" data-magellan-target=\"dona-do-chimarrao\">\n<div class=\"cell small-12 large-12\">\n<p class=\"post-date\">23 Jan. 2020<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 large-12\">\n<p>Acordar cedo, esquentar a \u00e1gua, preparar a cuia e sim, finalmente sentar para apreciar um bom chimarr\u00e3o e come\u00e7ar o dia como se deve. O costume, especialmente comum na regi\u00e3o Sul do Pa\u00eds, \u00e9 ainda mais concentrado no Rio Grande do Sul. Conforme publica\u00e7\u00f5es do g\u00eanero divulgadas em reportagens de 2015, os ga\u00fachos apreciam a bebida quente at\u00e9 no Ver\u00e3o e garantem o consumo de 50 milh\u00f5es de quilos de erva-mate por ano, ingrediente essencial da bebida.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/ervario.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>Essa degusta\u00e7\u00e3o toda especial s\u00f3 acontece porque a erva est\u00e1 sempre ali, fresca e embalada, nos balc\u00f5es do mercado, nas lojas especializadas. E embora consuma bem (sem economizar nos morros pomposos onde se mergulha a bomba), o Rio Grande do Sul n\u00e3o lidera o ranking de produ\u00e7\u00e3o da erva-mate. Na verdade, a maior produ\u00e7\u00e3o da erva-mate sombreada do mundo \u2013 isso mesmo, do mundo \u2013 fica na regi\u00e3o de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria, pulverizada no interior e nos munic\u00edpios vizinhos. \u00c9 o \u201couro verde\u201d, que coloca a regi\u00e3o como refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Dados de 2015 do <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE)<\/a> confirmam a posi\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o no cen\u00e1rio nacional. Com exce\u00e7\u00e3o de Fontoura Xavier (RS) e Guatambu (SC), os demais munic\u00edpios que comp\u00f5e a lista dos 20 maiores produtores s\u00e3o paranaenses. Neste ranking, aparecem as cidades de Cruz Machado, S\u00e3o Mateus do Sul e Bituruna, ambas pertencentes \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios do Sul do Paran\u00e1 (Amsulpar). A pesquisa do IBGE ainda mostrou que na compara\u00e7\u00e3o com 2014, houve um aumento de 1,7%, onde o Brasil alcan\u00e7ou 338,8 mil toneladas: isso tudo em apenas quatro estados e o Paran\u00e1 o maior produtor (86,4%). Ao todo, essa pot\u00eancia produtiva \u00e9 capitaneada por apenas 180 mil fam\u00edlias espalhadas pelos tr\u00eas estados da regi\u00e3o Sul.<\/p>\n<p>Entender o mapa da regi\u00e3o \u00e9 fundamental para compreender o quanto isso significa. Em Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria, por exemplo, a maior das dez cidades que comp\u00f5e a <a href=\"http:\/\/amsulpar.com.br\/\">Amsulpar<\/a>, n\u00e3o h\u00e1 sequer mil agricultores. Uma an\u00e1lise mais micro, mostra que mesmo sendo poucos, os produtores trabalham em culturas diferentes, logo, teoricamente, sem condi\u00e7\u00f5es para se tornar especialista nesta ou naquela \u00e1rea.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/ervamontanha.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mesmo assim, Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria est\u00e1 no meio de uma regi\u00e3o l\u00edder na cultura da erva-mate. \u201cCito at\u00e9 pela ordem de import\u00e2ncia, a extra\u00e7\u00e3o da madeira, a erva-mate, a soja, o leite, o hortifrutigranjeiro e a uva. Mas, a regi\u00e3o \u00e9 a maior produtora do mundo. Ela produz a melhor erva para o chimarr\u00e3o\u201d, confirma o gerente da Emater local, Cleacir Junior Dall Agnol. \u201cA erva-mate \u00e9 o principal, que gera mais renda\u201d, completa.<\/p>\n<p>Voltando no passado, ocupar o topo hoje, \u00e9 uma forma de recompensa. \u00c9 que a cultura da planta, ao lado da extra\u00e7\u00e3o madeireira, acompanha o nascimento deste n\u00facleo urbano. Dominar o mercado compensa as hist\u00f3rias de tantos imigrantes que encontraram na regi\u00e3o \u2013 e na cultura da erva \u2013 uma forma de escrever seu pr\u00f3prio ciclo pessoal. \u201cA cultura da erva-mate e a madeira, foram os dois primeiros produtos que o Paran\u00e1 explorou, tanto que resultou na emancipa\u00e7\u00e3o do Estado, em 1853\u201d, lembra Dall Agnol.<\/p>\n<p>A erva-mate colocou o Paran\u00e1 no mapa do Pa\u00eds e do mundo, chegando a representar 85% da economia no final dos anos 20. O ciclo econ\u00f4mico da planta foi um dos grandes ciclos da economia brasileira. Iniciou em 1820 e declinou junto com o restante da economia mundial na crise de 1930. At\u00e9 este per\u00edodo, foi a base econ\u00f4mica dos estados do Sul. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, al\u00e9m da arauc\u00e1ria, o ramo da erva-mate est\u00e1 no bras\u00e3o da bandeira do Estado.<\/p>\n<p>Diferente de outras regi\u00f5es, como o Rio Grande do Sul, onde a erva-mate \u00e9 cultivada \u201cno limpo\u201d, a c\u00e9u aberto, no Paran\u00e1 predomina a planta nativa, que cresce naturalmente embaixo da sombra de outras plantas. As esp\u00e9cies que fazem vizinhan\u00e7a ao erval, permitem com que os raios de sol n\u00e3o incidam diretamente sobre a planta. O cultivo assim, traz benef\u00edcios, que v\u00e3o desde o aux\u00edlio na preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas ao bolso do produtor: as ervateiras chegam a pagar R$ 1 pelo quilo do produto, algo bastante expressivo e rent\u00e1vel. Isso porque a folha da planta sombreada, que \u00e9 verde-escura, tem um sabor mais adocicado e, no mercado, a caracter\u00edstica agrada ao paladar do consumidor.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 o agroneg\u00f3cio que vem mudando o cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico do Pa\u00eds. Ind\u00fastrias pequenas e at\u00e9 a agricultura familiar, como \u00e9 o caso dos produtores da regi\u00e3o da erva-mate, est\u00e3o inclu\u00eddas neste nicho que vem melhorando a sa\u00fade financeira do Brasil. \u201cEle (o agro) vem sendo h\u00e1 tempos a salva\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro\u201d, defende o secret\u00e1rio da Agricultura de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria, Nei Ant\u00f4nio Kukla.<\/p>\n<h4 class=\"inner-content-title\">\u00c9 Preciso Avan\u00e7o<\/h4>\n<p>Se tem uma coisa que aproxima os amigos e quebra qualquer barreira, \u00e9 uma roda de chimarr\u00e3o. Na regi\u00e3o Sul, degustar de um bom mate, \u00e9 quase um ritual. H\u00e1 toda uma prepara\u00e7\u00e3o da erva, a escolha da cuia, da bomba. \u00c9 preciso harmonia em todos os ingredientes para que finalmente, a \u00e1gua bem quente, aben\u00e7oe o processo. O chimarr\u00e3o est\u00e1 na casa da dona de casa, mas tamb\u00e9m na sala do empres\u00e1rio. \u00c9 um convite para um bate-papo ou at\u00e9 para uma conversa s\u00e9ria. A vers\u00e3o assim, forte e quente, \u00e9 a mais popular para o uso da erva-mate. Mas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de chimarr\u00e3o que vive a erva-mate. O portf\u00f3lio da planta \u00e9 bem mais extenso do que se pensa, mas na maior regi\u00e3o produtora da planta do mundo, as op\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o escassas.<\/p>\n<p>As v\u00e1rias formas de uso da erva-mate foi tema de pesquisa da ent\u00e3o mestranda em Desenvolvimento Regional pela <a href=\"https:\/\/www.unc.br\/\">Universidade do Contestado (UnC)<\/a>, em 2016, Val\u00e9ria Furini. Apenas para situar o leitor: a UnC fica em Santa Catarina \u2013 a disserta\u00e7\u00e3o foi defendida em Marc\u00edlio Dias \u2013 mas por estar bastante pr\u00f3ximo do Paran\u00e1, os conceitos da planta se aplicam tamb\u00e9m. Conforme a pesquisa de Val\u00e9ria, \u201ca variedade de produtos que atualmente utilizam essa mat\u00e9ria-prima, representa avan\u00e7os inovadores, considerando que at\u00e9 pouco tempo seu uso se restringia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da erva-mate para chimarr\u00e3o e ch\u00e1\u201d.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/ervaborboleta.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>A disserta\u00e7\u00e3o mostra as possibilidades de vers\u00f5es e defende o investimento no beneficiamento para o Planalto Norte Catarinense (PNC), regi\u00e3o que historicamente se destaca na produ\u00e7\u00e3o de erva-mate est\u00e3o instaladas dezenas de empresas do setor, mas em que na maioria, s\u00f3 tem o chimarr\u00e3o como produto. Dados de 2016 mostram que a maioria da erva produzida no Pa\u00eds, 96%, era usada como chimarr\u00e3o. Os 4% restantes, como ch\u00e1s.<\/p>\n<p>Seja qual for o uso, o fato \u00e9 que estudos mostram que a erva-mate traz benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade por conta de suas fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas. Os principais componentes da planta atuam como auxiliadores em dietas, como diur\u00e9tico, digestivo e tamb\u00e9m ajudam no tratamento da fadiga funcional. Segundo um estudo feito pela <a href=\"https:\/\/www.feevale.br\/\">Universidade Feevale<\/a> de Novo Hamburgo (RS), o mate, al\u00e9m de estimulante, tamb\u00e9m faz bem ao cora\u00e7\u00e3o. O trabalho mostra que o uso di\u00e1rio de cem gramas da erva-mate pode causar a diminui\u00e7\u00e3o de 29% dos n\u00edveis de colesterol e de 62% nos triglicer\u00eddeos, afastando os riscos de problemas card\u00edacos. O mate tamb\u00e9m cont\u00e9m sais minerais, antioxidantes, auxilia na regenera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e estimula a atividade f\u00edsica.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/ervagalinho.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>O avan\u00e7o no beneficiamento, de fato, \u00e9 lento, mas j\u00e1 gera empregos e novos neg\u00f3cios. Voltando \u00e0 regi\u00e3o da Amsulpar, Cruz Machado, que em 2017 produziu 89 milh\u00f5es de quilos de erva-mate e espera para esta colheita aumento de 10%.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box cell small-12 large-5\">\n<h3 class=\"box-title\">Um Poema ao Chimarr\u00e3o<\/h3>\n<div class=\"box-content\">Palmeio o velho porongo<br \/>\nderramo a erva com jeito<br \/>\nencosto a cuia no peito<br \/>\nbatendo a erva pr\u00e1 um lado;<br \/>\ncom os quatro dedos curvados<br \/>\nformo um topete bem feito.Com um poquito de \u00e1gua morna<br \/>\nbem devagar despejado,<br \/>\ntenho o amargo ajeitado<br \/>\nque ponho a um canto pra inchar;<br \/>\ne espero a \u00e1gua esquentar<br \/>\npitando o baio sovado.A pava chiou no fogo.<br \/>\nEncho a cuia que promete;<br \/>\na espuma se arremete<br \/>\nbem pra cima, borbulhando,<br \/>\ne acariciante, beijando,<br \/>\nbranqueia todo o topete.<\/p>\n<p>Agarro a bomba de prata,<br \/>\ntapo o bocal com o ded\u00e3o,<br \/>\ncal\u00e7o o bojo bem no ch\u00e3o<br \/>\nda cuia e vou destapando<br \/>\na bomba que vai chupando<br \/>\num pouco de chimarr\u00e3o.<\/p>\n<p>Derramo outro pouco d&#8217;\u00e1gua<br \/>\npara aumentar o calor&#8230;<br \/>\ne o mate confortador<br \/>\nvou sorvendo em trago largo,<br \/>\npois me saiu um amargo<br \/>\ndespachado e roncador.<\/p>\n<p><i>(Glaucus Saraiva)<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"page-subtitle cell large-12\">Com fam\u00edlias inteiras no campo, ervateiras e com a m\u00e3o-de-obra que transforma a mat\u00e9ria-prima em produtos, cidade ganha destaque<\/h2>\n<section class=\"entry-content grid-container\">\n<div id=\"referencia\" class=\"grid-x grid-margin-x align-center section\" data-magellan-target=\"referencia\">\n<div class=\"cell small-12 large-12\">\n<p>O cultivo aumenta a renda de muitas fam\u00edlias na cidade. Cruz Machado \u00e9 um dos maiores produtores nacionais da planta. A cidade, que tem mais de 90% de sua popula\u00e7\u00e3o morando no campo, tem na erva-mate um pouco de suas vidas tamb\u00e9m. Nas lavouras, s\u00e3o fam\u00edlias inteiras, na labuta di\u00e1ria, no plantio, na colheita e no processamento do \u201couro verde\u201d. O resultado de todo o trabalho, embora consumido tamb\u00e9m na cidade, vai para outras regi\u00f5es do Paran\u00e1 e de Santa Catarina. O Uruguai e a Argentina, s\u00e3o exemplos de lugares que consomem a erva-mate produzida em Cruz Machado. \u00c9 a verdadeira aplica\u00e7\u00e3o do ditado, \u201cquem planta, colhe\u201d.Apenas em 2014, por exemplo, o munic\u00edpio produziu 75 mil toneladas de erva-mate, gerando uma economia bastante consider\u00e1vel aos cofres da cidade. O munic\u00edpio est\u00e1 localizado no cora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de ervais nativos. As plantas produzem a erva nativa, com qualidade superior de cor e sabor. Os ervais nativos, como o pr\u00f3prio nome diz, s\u00e3o \u00e1rvores que n\u00e3o foram plantadas pelo homem, mas sim, s\u00e3o originais da mata nativa da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o munic\u00edpio tamb\u00e9m est\u00e1 localizado na estrat\u00e9gica regi\u00e3o do sul do Paran\u00e1. A cidade fica no centro dos maiores consumidores de erva-mate do Pa\u00eds. O terreno \u201cdobrado\u201d (com muitos aclives e montanhas), acaba sendo um destino para o plantio: em \u00e1reas assim, a erva-mate acaba se tornando a melhor op\u00e7\u00e3o de cultura. Por tudo isso, Cruz Machado \u00e9 o para\u00edso para o cultivo da planta. <i>\u201cNoventa e oito por cento das propriedades aqui tem erva-mate. A cidade \u00e9 privilegiada de \u00e1gua e a topografia e clima s\u00e3o ideais para a cultura\u201d<\/i>, confirma o secret\u00e1rio da Agricultura e do Meio Ambiente, Valdir Fernando Ostrowski.<\/p>\n<p>A cidade tamb\u00e9m se destaca na produ\u00e7\u00e3o de um tipo especial da planta, a sombreada, ou seja, \u00e9 quando a erva-mate cresce junto com outras esp\u00e9cies, naturalmente. <i>\u201cO casamento perfeito \u00e9 a erva-mate com a arauc\u00e1ria. O sombreamento n\u00e3o deixa a folha t\u00e3o amarga. O sombreamento \u00e9 especial\u201d<\/i>, explica o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"cell small-12 large-12\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XJ-r7FlvZbU\" width=\"300\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Uma planta\u00e7\u00e3o assim \u00e9 o que tem o produtor de Cruz Machado Valdecir Vkopne, 34. S\u00e3o onze alqueires, mais uma \u00e1rea onde fica no terreno da casa do seu pai, que tamb\u00e9m cultiva a planta. Valdecir \u00e9 jovem e desde mais jovem ainda, trabalha com a planta. A erva-mate, \u00e9 sin\u00f4nimo de renda e de vida. <i>\u201cPara nossa regi\u00e3o, \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o. Os terrenos s\u00e3o dobrados, dif\u00edcil para trabalhar com a lavoura. Acho que a erva-mate \u00e9 uma das melhores op\u00e7\u00f5es\u201d<\/i>, explica. E Valdecir \u00e9 caprichoso. Na planta\u00e7\u00e3o, as culturas est\u00e3o organizadas: de um lado, tem erva-mate grande, pronta para a colheita; de outro, p\u00e9s novinhos, preparados para os pr\u00f3ximos dois ou tr\u00eas anos de crescimento. \u00c9 uma poupan\u00e7a \u00e0 c\u00e9u aberto. <i>\u201cNa minha vida, a erva-mate \u00e9 minha fonte de renda. \u00c9 tudo e eu gosto de trabalhar com a planta\u201d<\/i>, sorri.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o extra\u00edda dos campos \u00e9 comercializada em Cruz Machado e tamb\u00e9m em munic\u00edpios vizinhos. Valdecir, que planta a esp\u00e9cie e tem viveiro tamb\u00e9m, comercializa o produto em toda a regi\u00e3o. <i>\u201cA gente vende para uma empresa, para outra, para v\u00e1rias ervateiras\u201d<\/i>, confirma. O produtor, que toma todos os dias chimarr\u00e3o \u2013 a vers\u00e3o mais popular para o consumo da erva-mate \u2013 aprecia especialmente o sabor mais adocicado das folhas, justamente o que ele produz em sua propriedade. S\u00e3o folhas de um verde mais escuro, com peso diferente, mais \u201cgordinha\u201d. Ele defende o tradicionalismo da planta, mas aposta no sucesso das novas formas de uso dela. <i>\u201cSe for s\u00f3 para o chimarr\u00e3o ou ch\u00e1, o mercado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande. A gente precisa ter produ\u00e7\u00e3o e mercado\u201d<\/i>, diz.<\/p>\n<p>Para os t\u00e9cnicos das entidades que d\u00e3o suporte para os produtores, o investimento na cultura \u00e9 sin\u00f4nimo de fonte de renda. Mas, \u00e9 preciso que os agricultores caprichem, cuidem com dedica\u00e7\u00e3o de cada p\u00e9 plantado. S\u00f3 assim o valor pago pelo produto ser\u00e1, de fato, rent\u00e1vel. Isso j\u00e1 vem acontecendo, tanto que em Cruz Machado, a erva-mate que era obtida apenas do extrativismo, produzindo tr\u00eas mil quilos por hectare, come\u00e7ou a receber os cuidados necess\u00e1rios para produzir mais e melhor. Atualmente, s\u00e3o dez mil quilos por hectares a cada safra, que \u00e9 bianual. Com o aquecimento do mercado, s\u00e3o necess\u00e1rias tamb\u00e9m boas mudas, para que no campo a planta \u201cvingue\u201d e possa iniciar seu ciclo de produ\u00e7\u00e3o em, no m\u00e1ximo tr\u00eas anos.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 large-12\">\n<h4 class=\"inner-content-title\">Boas Matrizes<\/h4>\n<p>M\u00e1rio Kseniuk \u00e9 um destes profissionais. H\u00e1 18 anos, ele trabalha com a produ\u00e7\u00e3o das mudas em seu estabelecimento, o Viveiro de Mudas Gromarks, que fica na Linha Vicinal\/Vit\u00f3ria. A produ\u00e7\u00e3o nas estufas n\u00e3o pula etapas: come\u00e7a na sele\u00e7\u00e3o das matrizes da planta e na transforma\u00e7\u00e3o das pl\u00e2ntulas (as menores mudas da erva) em p\u00e9s prontos para o plantio. <i>\u201cA erva-mate \u00e9 um dos carros-chefes da nossa renda, todo ano. Com ela, j\u00e1 adquirimos \u00e1reas de terra, estamos implantando ervais para a produ\u00e7\u00e3o de folhas e, gra\u00e7as a Deus, isso vem possibilitando estar pagando a faculdade da minha filha, que est\u00e1 no \u00faltimo ano de faculdade\u201d<\/i>, diz, emocionado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/mario-kseniuk.jpg\" \/><figcaption>M\u00e1rio: produ\u00e7\u00e3o no viveiro j\u00e1 garantiu a compra de terra, implanta\u00e7\u00e3o de ervais e at\u00e9 o pagamento da faculdade da filha<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"cell small-12 large-12\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AB5M93-DfrQ\" width=\"300\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>M\u00e1rio \u00e9 dedicado. Levanta \u00e0s 5 horas da manh\u00e3, toma caf\u00e9 e sai para o trabalho do viveiro. <i>\u201cMas tem dias que sa\u00edmos de madrugada e voltamos \u00e0 noite, porque entregamos na propriedade do produtor as mudas\u201d<\/i>, conta. A produ\u00e7\u00e3o do viveiro est\u00e1 concentrada em Cruz Machado, mas a empresa de M\u00e1rio, que tem funcion\u00e1rios e a ajuda da esposa, j\u00e1 mira na amplia\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios para as cidades vizinhas, como Paula Freitas e Bituruna. <i>\u201c\u00c9 um bom neg\u00f3cio. Aqui no munic\u00edpio, a erva-mate ajuda muito na renda das fam\u00edlias\u201d<\/i>, garante M\u00e1rio que na carreira, carrega ainda a experi\u00eancia de j\u00e1 ter sido secret\u00e1rio da Agricultura.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/marioprodutor.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/mudasmariocesar.jpg\" \/><figcaption>Mudas de erva-mate s\u00e3o produzidas na empresa de M\u00e1rio C\u00e9sar e enviadas para toda a regi\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2020\/03\/produtormariocesar_1.jpg\" \/><figcaption>M\u00e1rio C\u00e9sar: desde 98 no trabalho de prepara\u00e7\u00e3o das mudas<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"box cell small-12 large-5\">\n<h3 class=\"box-title\">Preparando as Mudas<\/h3>\n<div class=\"box-content\">Primeiro, as sementes coletadas s\u00e3o colocadas em substrato, para germinar. Depois, uma a uma, as pequenas pl\u00e2ntulas s\u00e3o repicadas em tubutes e permanecem por mais alguns meses no viveiro antes do plantio definitivo<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 text-center\"><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/Produtores-e-Viveiro-em-Cruz-Machado-20-1.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"producao\" class=\"section grid-x grid-margin-x align-center\" data-magellan-target=\"producao\">\n<div class=\"section-header cell large-12\">\n<h1 class=\"page-title cell shrink\">Produ\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"section-header cell large-12\">\n<h2 class=\"section-title\">Da erva-mate, um produto de alto n\u00edvel<\/h2>\n<h3 class=\"section-subtitle\">Viveiros e ervateiras em Cruz Machado cultivam o que h\u00e1 de melhor, criando produtos de alto n\u00edvel, e de excel\u00eancia e qualidade<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 large-12\">\n<p>Cruz Machado est\u00e1 encravada em um vale florestal. \u00c9 uma cidade pequena, com pouco menos que 20 mil moradores. O munic\u00edpio \u00e9 essencialmente agr\u00edcola e especialmente privilegiado por estar onde est\u00e1. N\u00e3o \u00e9 a toa que, do ponto de vista econ\u00f4mico, a erva-mate seja a cultura mais rent\u00e1vel, de f\u00e1cil cultivo, de lucro quase que imediato. Com o n\u00famero de produtores crescendo, Cruz Machado precisava dar um passo \u00e0 frente. Nasciam, h\u00e1 cerca de duas d\u00e9cadas, as primeiras ervateiras na cidade. Hoje, s\u00e3o nove empresas de beneficiamento da planta que lapidam a mat\u00e9ria bruta, transformando-a em erva boa para o chimarr\u00e3o. Algumas, j\u00e1 sondam a transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em ch\u00e1, diante de um apelo popular \u2013 e log\u00edstico.Com 38 anos de hist\u00f3ria, a Ervateira Palmital, tem na erva-mate sua motiva\u00e7\u00e3o para crescer. H\u00e1 pouco tempo, por exemplo, a empresa fundada por Univaldo Paglia, investiu R$ 2 milh\u00f5es na compra de uma nova m\u00e1quina para aumentar a qualidade do processamento. Com o aporte, as folhas secam apenas com o calor, o que garante que elas se desidratem \u2013 sem perder suas propriedades. A Palmital n\u00e3o deixou de lado a produ\u00e7\u00e3o anterior, mas com a vers\u00e3o mais apurada, garante a entrada de uma erva-mate fina, embalada \u00e0 v\u00e1cuo. Na prateleira do mercado, \u00e9 quase um produto gourmet.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2020\/03\/ademarervateirapalmital_1.jpg\" \/><figcaption>Ademar e Bernadete optaram pela compra de novos equipamentos para mudar parte do processo na ervateira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A ervateira beneficia cerca de 110 toneladas por m\u00eas e de tudo isso, al\u00e9m da v\u00e1cuo, tem outras tr\u00eas embalagens do produto. A diferen\u00e7a entre elas \u00e9 apenas o processo de refinamento: da erva fina \u00e0 mais grossa, para todos os paladares. <i>\u201cA gente tem uma parceria no Rio Grande do Sul com v\u00e1rias empresas. A produ\u00e7\u00e3o mensal varia. Foram essas parcerias que at\u00e9 nos deram ideia da m\u00e1quina (para desidratar)\u201d<\/i>, confirmam os empres\u00e1rios, Ademar e Bernadete. <i>\u201cA erva-mate \u00e9 um bom neg\u00f3cio. J\u00e1 foi melhor, mas ainda \u00e9 muito bom trabalhar com o produto\u201d<\/i>, completam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"cell small-12 large-12\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zmtsg8tbvbA\" width=\"300\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h4 class=\"inner-content-title\">Quase artesanal<\/h4>\n<p>Com brilho nos olhos e com entusiasmo que salta \u00e0 cada explica\u00e7\u00e3o sobre o funcionamento da engrenagem toda, Jacinto Vicenzi afirma estar vivendo um sonho. Sim, o sonho dele \u00e9 realidade e se chama Erva Mate Santana, uma pequena, mas potente ervateira, que fica na comunidade que d\u00e1 nome \u00e0 empresa.<\/p>\n<p>A ervateira \u00e9 quase artesanal. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 r\u00fastica, mas sim feita \u00e0 m\u00e3o. \u00c9 que seu Jacinto \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u2018Professor Pardal\u2019 do mate. V\u00e1rias das m\u00e1quinas usadas no processo foram feitas pelo pr\u00f3prio ervateiro. Outras, aprimoradas, para chegar ao produto que ele considera ideal. Ele arrumou, por exemplo, uma esteira que pica o galho da erva em peda\u00e7os bem pequenos. Os maiores, que acabam escapando pelas pe\u00e7as da engenheira, s\u00e3o descartados. A ideia, segundo Vicenzi, \u00e9 entregar um produto de excel\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"cell small-12 large-12\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v2XBxPIykaU\" width=\"300\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Na ervateira, que tem menos de tr\u00eas anos, dez pessoas trabalham todos os dias. Da chegada da planta \u2013 in natura \u2013 at\u00e9 a embalagem entregue para o consumidor final (o processo de embalagem \u00e9 manual), s\u00e3o apenas horas. Entusiasta, o rec\u00e9m novo ervateiro de Cruz Machado j\u00e1 foca na amplia\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, bem como na prepara\u00e7\u00e3o de toda a empresa. O cuidado \u00e9 tanto que se a erva-mate rec\u00e9m colhida chega na empresa para ser trabalhada apenas no dia seguinte, fica armazenada em um local com degraus. <i>\u201cCuido porque pode entrar um sapo aqui. Tem que cuidar\u201d<\/i>, explica Vicenzi. <i>\u201cResolvi montar uma ervateira e comecei a beneficiar a erva. Comecei no Santana porque \u00e9 uma das melhores regi\u00f5es aqui. Seco cerca de 70 toneladas por m\u00eas. Vendo em pacotes pequenos para o com\u00e9rcio e para o Rio Grande do Sul, vendo \u2018canchada\u2019 (erva mais grossa, vendida em sacos maiores)\u201d<\/i>, conta.<\/p>\n<p>No Sul, a parceria \u00e9 com a Erva Mate Tomelero e essa harmonia garante uma troca de neg\u00f3cios: o produto que sai da ervateira de Vicenzi \u00e9 vendido por l\u00e1, e o inverso acontece em Cruz Machado. \u201cQuero ampliar a produ\u00e7\u00e3o, melhorar ainda mais e produzir ch\u00e1s. J\u00e1 reformei muitas m\u00e1quinas de secagem de erva, que faziam o ch\u00e1. Tenho a experi\u00eancia do ch\u00e1 e quero montar isso aqui tamb\u00e9m\u201d, revela.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box cell small-12 large-12\">\n<h3 class=\"box-title\">Preparando o Terreno<\/h3>\n<div class=\"box-content\">E o trabalho gigante, de expans\u00e3o, come\u00e7a com sementes e mudas fortes de erva-mate. Desde 1998, o produtor M\u00e1rio C\u00e9sar Milczuk entende a import\u00e2ncia de oferecer produtos de qualidade para quem segue na sequ\u00eancia do processo. \u00c9 dele o Viveiro Florestal Ana Flora, onde s\u00e3o produzidas, em m\u00e9dia 300 mil mudas de erva-mate, embora o pinnus seja o maior cultivo. <i>\u201cCom erva-mate eu trabalho h\u00e1 12 anos\u201d<\/i>, conta. O Viveiro conta com cinco funcion\u00e1rios que garantem a entrega de um bom produto para produtores de toda a regi\u00e3o. A entrega \u00e9 feita pelo pr\u00f3prio M\u00e1rio C\u00e9sar que, apenas na ter\u00e7a, tina uma encomenda para Guarapuava. <i>\u201cA erva-mate ainda \u00e9 um bom neg\u00f3cio\u201d<\/i>, diz.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 large-12\">\n<h4 class=\"inner-content-title\">Produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica<\/h4>\n<p>Pensando na diversidade dos produtos, a equipe da Qualit\u00e1 Brasil \u2013 Mate &amp; Ch\u00e1, busca competitividade e diferencial. Instalada tamb\u00e9m em Cruz Machado, a empresa \u00e9 uma das mais jovens ervateiras do munic\u00edpio. Mas chega gigante, cheia de boas inten\u00e7\u00f5es e com foco no fomento de bons neg\u00f3cios. A fam\u00edlia Mikolaiewski, cuja tradi\u00e7\u00e3o ervateira tem ra\u00edzes profundas em Cruz Machado h\u00e1 muitas gera\u00e7\u00f5es, decidiu voltar \u00e0s origens.<\/p>\n<p><i>\u201cA fazenda do meu pai come\u00e7ou durante o extrativismo da madeira mas como a madeira come\u00e7ou a ficar mais escassa, pois \u00e9 um produto que precisa ser reflorestada e demora, meu pai come\u00e7ou a se profissionalizar. E da\u00ed, teve a ideia de ter esse diferencial de se tornar org\u00e2nico. Mais que isso, foi a possibilidade de ter uma ind\u00fastria que beneficiasse essa erva-mate\u201d<\/i>, conta Carla, \u00e0 frente da empresa, onde divide a gest\u00e3o com sua fam\u00edlia. A Qualit\u00e1 foca na produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da erva-mate. Conforme Carla, isso significa trabalho, muito trabalho. E para ser 100% org\u00e2nica, \u00e9 preciso cuidar com os detalhes e pensar na previs\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o da empresa, algo em torno dos cinco milh\u00f5es de quilos por ano, com isso, d\u00e1 para se ter ideia do que isso significa na pr\u00e1tica. <i>\u201cVai (o org\u00e2nico) muito al\u00e9m de um produto natural livre de agrot\u00f3xicos, transg\u00eanicos e fertilizantes sint\u00e9ticos. O produto \u00e9 resultado de um sistema agroflorestal baseado em sustentabilidade, equil\u00edbrio e respeito. A erva-mate \u00e9 natural, nativa, mas o caminho para a erva-mate \u00e9 esse, o org\u00e2nico\u201d<\/i>, sinaliza.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/ervamate6.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>Entre os cuidados para que tudo isso seja alcan\u00e7ado, est\u00e3o os cuidados especiais com a limpeza. \u201cEnt\u00e3o, quando a erva-mate \u00e9 podada, todos os profissionais que fazem a extra\u00e7\u00e3o usam EPIs (Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual) e a erva vai para um \u201cBAG\u201d e n\u00e3o para o ch\u00e3o, n\u00e3o tem impurezas, n\u00e3o mistura com outras folhas, n\u00e3o tem contato com barro. \u00c9 um caminh\u00e3o exclusivo faz o transporte. \u00c9 como em uma ind\u00fastria de alimentos: nosso diferencial \u00e9 a erva sendo processada como alimento e com seguran\u00e7a alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Ser org\u00e2nica, al\u00e9m de ser um diferencial em Cruz Machado, pode abrir portas do mercado internacional. Pa\u00edses como a Alemanha, China Estados Unidos s\u00e3o grandes consumidores da erva-mate na forma de ch\u00e1s e outros tipos de infus\u00e3o, como energ\u00e9ticos e cosm\u00e9ticos. Eles s\u00e3o o foco da Qualit\u00e1.<\/p>\n<h4 class=\"inner-content-title\">N\u00edvel Premium<\/h4>\n<p>Outro produtor que est\u00e1 se destacando em Cruz Machado \u00e9 Marcos Froelich, da <a href=\"http:\/\/www.ekoa.com.br\/\">Ekoa<\/a>. Seu diferencial, segundo ele, \u00e9 produzir erva-mate para chimarr\u00e3o de n\u00edvel premium por um pre\u00e7o justo. <i>\u201cNosso produto \u00e9 premium desde a sele\u00e7\u00e3o da erva-mate, 100% nativa, dos melhores produtores da regi\u00e3o at\u00e9 o empacotamento em embalagem de alt\u00edssima qualidade com design que atualmente est\u00e1 disputando o pr\u00eamio Brasil Design Award\u201d<\/i>, conta, orgulhoso. Sobre o pr\u00eamio, ele explica que foram classificados para a segunda etapa do pr\u00eamio da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Design (ABEDESIGN\/SP). Para ele, \u00e9 uma honra uma marca t\u00e3o nova como a Ekoa estar disputando o pr\u00eamio de embalagem do ano contra diversas empresas t\u00e3o famosas no mercado nacional e internacional.<\/p>\n<p><i>\u201cQuando decidimos que empreender\u00edamos produzindo erva-mate premium, percebemos que a nossa embalagem tamb\u00e9m deveria ser premium. Fomos atr\u00e1s disso e encontramos em Porto Alegre uma equipe de profissionais que entenderam o conceito da Ekoa. A embalagem remete ao bem-estar pelas cores agrad\u00e1veis e \u00e0 qualidade pelo laminado prateado, sem esquecer da origem tupi-guarani atrav\u00e9s da geometria dos desenhos. Inclusive, Ekoa significa Aldeia em tupi-guarani, uma homenagem ao povo que descobriu a bebida de erva-mate\u201d<\/i>, detalha.<\/p>\n<p>Mas o cuidado da empresa vai muito al\u00e9m da embalagem. Com menos de um ano de mercado, as vendas est\u00e3o crescendo m\u00eas a m\u00eas de forma consistente, mesmo em tempos de crise. Clientes fieis garantem o crescimento acelerado da empresa que tem planejado de expandir os pontos de venda nas pra\u00e7as que j\u00e1 atuam como Cruz Machado, Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria, Porto Uni\u00e3o, Francisco Beltr\u00e3o, Canoinhas, S\u00e3o Bento do Sul e regi\u00e3o de Jaragu\u00e1 do Sul. Froelich ainda revela que quer levar a marca para outros mercados importantes do Sul do Brasil. <i>\u201cQueremos que outras cidades conhe\u00e7am o que \u00e9 uma erva-mate 100% nativa e que a nossa regi\u00e3o tenha orgulho de ser produtora da erva-mate Ekoa<\/i>.<\/p>\n<p>Segundo ele, Cruz Machado se tornou o maior produtor de erva-mate do Brasil, mas o importante n\u00e3o \u00e9 nem isso, \u00e9 a qualidade da folha que a regi\u00e3o produz. <i>\u201cO munic\u00edpio tem muita erva-mate nativa em uma regi\u00e3o pouco ensolarada. A folha do mate nativo produz um chimarr\u00e3o suave no amargor e intenso no sabor. Uma coisa \u00fanica, onde marcas de outros estados e at\u00e9 outros pa\u00edses vem aqui buscar a erva-mate\u201d<\/i>, revela. Pelo fato de ter mais qualidade, o pre\u00e7o da arroba tamb\u00e9m \u00e9 alto. Isso faz com que as empresas misturem com a erva-mate de outras regi\u00f5es por serem mais baratas, e a\u00e7\u00facar para equilibrar o excesso de amargor. <i>\u201cA Ekoa nasceu para fazer diferente. Quando decidimos empreender nesse mercado, quer\u00edamos usar erva-mate cem por cento nativa da nossa regi\u00e3o, sem adicionar a\u00e7\u00facar, nem nada mais. Apesar do alto custo junto ao produtor, conseguimos vender por um pre\u00e7o competitivo nos mercados por cuidar da efici\u00eancia da nossa produ\u00e7\u00e3o\u201d<\/i>, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box cell small-12 large-5\">\n<div class=\"box-content\">A folha do mate nativo produz um chimarr\u00e3o suave no amargor e intenso no sabor. Uma coisa \u00fanica, onde marcas de outros estados e at\u00e9 outros pa\u00edses vem aqui buscar a erva-mate.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"terra-do-mate\" class=\"section grid-x grid-margin-x align-center\" data-magellan-target=\"terra-do-mate\">\n<div class=\"section-header cell large-12\">\n<h1 class=\"page-title cell shrink\">A terra do Mate<\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"section-header cell large-12\">\n<h2 class=\"section-title\">Cruz Machado como produtora: um caminho sem volta<\/h2>\n<h3 class=\"section-subtitle\">As mais de quatro mil propriedades da cidade tem erva-mate no terreno \u2013 inclusive a do prefeito<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 large-12\">A produ\u00e7\u00e3o natural da erva-mate na regi\u00e3o Sul, \u00e9 tamb\u00e9m o caminho natural da cidade de Cruz Machado. Por isso, a planta \u00e9 popular, assunto das rodas de conversa e entre quem entende do neg\u00f3cio, discutida com termos pr\u00f3prios do vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico. A erva-mate tamb\u00e9m tem nome \u2018chique\u2019. Trata-se da Ilex paraguariensis, nomenclatura cient\u00edfica para identificar a planta que, na verdade, de erva n\u00e3o tem nada. \u00c9 uma \u00e1rvore, um vegetal, mas que refinada, a\u00ed sim, lembra seus \u201cfamiliares\u201d. Em Cruz Machado, a planta \u2013 ou erva ou Ilex ou mate \u2013 \u00e9 figura presente em praticamente todas as quatro mil propriedades da cidade. Em quantidades grandes ou pequenas, ela est\u00e1 ali, gerando sombra ou dinheiro, dependendo das por\u00e7\u00f5es. <i>\u201cTemos muita erva-mate e \u00e9 o que sustenta o munic\u00edpio\u201d<\/i>, afirma o prefeito Euclides (Bibi) Pasa, que tamb\u00e9m cultiva a planta. <i>\u201cA erva-mate, planto e \u2018fa\u00e7o um tanto\u2019\u201d<\/i>, sorri, sem mencionar n\u00fameros.<\/p>\n<div class=\"cell small-12 text-center\">\n<figure><img src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/ervamate\/files\/2018\/11\/ervamate1.jpg\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para o prefeito, a cidade n\u00e3o recua mais: \u00e9 daqui para muito al\u00e9m. <i>\u201cCruz Machado vai ser campe\u00e3o. Al\u00e9m dos produtores estarem plantando, estamos fazendo reuni\u00e3o para que o produtores cuidem ainda mais, conservem limpo, com menos defensivos\u201d<\/i>, diz. Dentro de uma proje\u00e7\u00e3o de crescimento, o prefeito acredita que a cidade tem capacidade para receber outras tr\u00eas ervateiras, tamanho o potencial de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"cell small-12 large-12\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gYnlUFKeKno\" width=\"300\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box cell small-12 large-12\">\n<h3 class=\"box-title\">Ela j\u00e1 foi proibida<\/h3>\n<div class=\"box-content\">Conforme a hist\u00f3ria, a erva-mate j\u00e1 chegou a ser proibida no Brasil, pois era considerada como a \u201cerva do diabo\u201d. Isso foi no s\u00e9culo 16. J\u00e1 no s\u00e9culo seguinte, houve uma mudan\u00e7a no entendimento dela e, de proibida, foi incentivada, especialmente para o combate de v\u00edcios, como o \u00e1lcool. Com a chegada de s\u00e9culo 19, o Paraguai optou por proibir a exporta\u00e7\u00e3o de erva-mate, isolando-se de outras na\u00e7\u00f5es. Com isso, pa\u00edses como Uruguai e Argentina come\u00e7aram a substitui-la pela erva-mate produzida no Brasil, o que ocasionou o desenvolvimento do cultivo em Santa Catarina e no Paran\u00e1, regi\u00f5es antes despovoadas. Isto desencadeou o come\u00e7o do Ciclo da Erva-Mate.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cell small-12 large-12\">A produ\u00e7\u00e3o mundial de erva-mate est\u00e1 concentrada no Brasil, no Paraguai e na Argentina. Em territ\u00f3rio nacional brasileiro \u00e9 cultivada em quatro Estados. No Rio Grande do Sul atinge cerca de 297 mil toneladas de folha verde a cada ano. O Paran\u00e1 produz 228 mil toneladas. Santa Catarina 80 mil toneladas e Mato Grosso do Sul ao redor de 1,6 mil toneladas, conforme pesquisas do g\u00eanero. O consumo interno fica ao redor de cem mil toneladas ao ano de erva-mate beneficiada, sendo que o Estado ga\u00facho \u00e9 respons\u00e1vel por 65% desse consumo. As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de erva-mate chegam a uma quantidade de 35 mil toneladas por ano. O Uruguai \u00e9 o grande comprador do produto. Anualmente estima-se que o setor produza ao redor de 1,2 bilh\u00e3o de reais na cadeia produtiva ervateira.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23 Jan. 2020 Acordar cedo, esquentar a \u00e1gua, preparar a cuia e sim, finalmente sentar para apreciar um bom chimarr\u00e3o e come\u00e7ar o dia como se deve. O costume, especialmente comum na regi\u00e3o Sul do Pa\u00eds, \u00e9 ainda mais concentrado no Rio Grande do Sul. 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