Poder de compra do novo salário mínimo cresce, mas…

(Foto: Reprodução Internet)
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Já está valendo o novo valor do salário mínimo que passou a ser de R$ 790 em 2015. A alta equivale a um aumento de 9% na renda mínima do trabalhador. O valor do reajuste, maior que o estabelecido para o ano passado, de 6,78%, deve alavancar o poder de compra da população e beneficiar o comércio. Segundo os economistas do governo federal, o reajuste acima da inflação como uma tendência positiva, que vem se seguindo ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a alta ajuda na inclusão social e aumenta o padrão de renda da população.

Na avaliação dos economistas, os comerciantes podem ser os principais beneficiados com o reajuste da menor remuneração permitida por lei. Para o comércio sempre é positivo o aumento do salário, porque uma renda maior à disposição permite o aumento do consumo. A manutenção de ganhos reais foi apoiada também pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Certamente, a valorização do trabalho e do emprego é o objetivo de tudo o que a gente for fazer”, disse ele. Mas o próprio  governo está preocupado com o equilíbrio das contas, está fazendo redução de gastos e essa decisão tem a ver com isso. O salário mínimo na verdade era para ser  R$ 790,00 e não R$ 788,00. Esses R$ 2 devem gerar uma economia de R$ 752 milhões para o governo, mas mesmo assim, o aumento de quase 9% vai pesar para o governo: R$ 22 milhões.

Dor de cabeça para prefeituras

O aumento tem os dois lados, foi um pouco menos que o esperado, mas foi alto, o que significa que as pessoas que têm rendimentos atrelados ao salário estão conseguindo comprar mais coisas, o poder de compra está maior. Na contramão dos beneficiados aparecem as prefeituras municipais, que pagam os funcionários utilizando a base salarial. De acordo com as projeções, as contas dos órgãos podem enfrentar problemas ao aplicar o reajuste. As prefeituras vão ter dificuldade com o aumento de 9%, tendo em vista que a arrecadação delas deve ser bem menor. Então, isso traz um problema nas contas públicas, principalmente dos municípios.

E para os aposentados?

O reajuste dos salários para os aposentados é calculado de forma diferente daquele pago aos trabalhadores. Enquanto o profissional formal recebe uma quantia corrigida pela inflação oficial do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma das riquezas do País, de dois anos atrás, os aposentados e pensionistas têm como referência apenas o INPC, porque teoricamente não contribuem com a produção das riquezas. Apesar disso, o reajuste será bem visto pela classe. Durante o ano, o aposentado vai perdendo o poder de compra e com o reajuste ele volta a ter uma atualização para voltar ao padrão anterior.

Domésticas não são beneficiadas

Ainda segundo os analistas econômicos do governo, apesar de ter direito a receber pelo menos um salário como remuneração, de acordo com a Proposta de Emenda à Constituição das Domésticas (PEC), as empregadas domésticas não são diretamente beneficiadas com o novo salário, conforme prevê Mario Avelino, presidente do Instituto Doméstica Legal. Para Marco, o reajuste salarial acima da inflação não obriga que os patrões repassem a alta para as trabalhadoras.

No caso do Paraná são quatro faixas de salário regional em vigor. Esses valores estão em vigor desde 1º de maio de 2014. O próximo reajuste ocorrerá no dia 1º de maio de 2015, e o percentual ainda não foi definido. O salário regional varia entre R$ 948,20 e 1.095,00, ele cita que a nova remuneração de R$ 905 não chegará ao bolso das domésticas.

— Em São Paulo, para contratar uma doméstica, você não vai conseguir por menos de R$ 1.300 (…) O empregador paga acima do piso e não é obrigado a dar o mesmo percentual de aumento [do salário mínimo].

O presidente explica ainda que a única determinação da lei é de que o reajuste para empregadores que pagam um salário acima do piso seja realizado uma vez por ano e tenha como base a variação da inflação oficial dos últimos 12 meses, calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que atualmente está em 6,5%.

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