COMUNICAÇÃO

Não sei se hoje eu realmente falo para pais e mães. Acho que falo para todos. Não escrevo como mãe, mas como pessoa física. Dormi cheia de pensamentos pavorosos, depois de ver o prefeito Santin Roveda anunciar um novo Decreto, com mais restrições e ate com multa para o descumprimento das orientações.

Acordei pensando que isso vai atrasar os abraços, a visita de quem amamos, o retorno ao trabalho. Entendi que isso nos leva para mais uma temporada dentro de casa, para mais home office, para mais conversas por aplicativo e por conta delas, mais confusão. Parece que em tempo de pandemia, uma palavra um pouco torta na conversa, é suficiente para fofoca, desconfiança e a quebra de tudo que se construiu. Passamos mais tempo conversando e descobrimos que não sabemos nos comunicar. Por isso tantas vezes recorremos aos emoticons, uma imitação das pinturas rupestres. Afinal, o mundo mudou, e como mudou, mas o ser humano não. É complexo mas também limitado. As vezes é preciso desenhar para que entendam.

Meu cunhado, o padre Emilio Botolini, escreveu uma música onde tem seu amigo, o conhecido padre Levi, como exemplo. Levi, quando não entendia bem uma coisa, perguntava: o que realmente você quer dizer com isso? A letra da canção fala que o mundo precisa de mais amor e interpretação. Concordo em numero, gênero e grau.

Gosto do olho no olho, mas nem sempre isso funciona. Muito menos uma conversa pelo celular. O jeito é confiar no tempo, especialmente agora, em tempo de pandemia, de desinformação e onde ao mesmo tempo, a informação de confiança é tão importante para nos dar um rumo. Sem ela, estamos perdidos.

Minha coluna com cara de desabado de hoje, é uma sugestão as rodadas de conversas. Eu acordei com duas mensagens no meu celular. De duas amigas queridas. Uma, sugerindo uma lista de filmes de suspense, gênero que tanto amo! Outra, me indicando um texto que diz que sim, tudo o que vivemos vai passar. Nossos avos e bisavós enfrentaram coisas piores, sem o auxilio do celular, da informação em tempo real.

Temos muito a nosso favor, mas precisamos saber usar ou essa arma chamada comunicação, pode nos matar por dentro.