NOITE DO SONINHO

Se eu pudesse, eu olhava no olho de cada um de vocês, pais e mães. Me contem, vocês gostam da noite do soninho proposto pelas escolas nesse final de ano? Ontem, 12, os meus dois foram. A mais nova pela primeira vez. Animada, faceira que só. O mais velho, ‘tava’ nervoso a semana toda, dor aqui, dor ali. Mas enfim, foi, meio a contragosto. Porém, como nós ficamos em casa, com aquele ninho vazio, ainda que temporário?

Estava eu pós o último beijinho na escola, escrevendo e teclando alucinadamente com as mães dos grupos das salinas deles. Percebi que mãe é tudo igual. Tem as que se esforçam em parecer fortes. Tem as que coram na cara dura. Tem as que fingem que tá tudo bem, ok? Mas mãe é tudo igual. E pai também porque poucos deles foram vistos na escola (sorry papais). Pai meio que deixa tudo acontecer, entendem? Meu marido diz: ‘se acontecer algo, vão nos ligar’.

E eu? Eu quase precisei me amarrar no tronco de uma arvore para não ligar para as ‘profes’ mil e quinhentas vezes na noite para perguntar se estava tudo bem. Me recuso a ser aquelas mães chatas, sabe? Confesso que não é fácil. Sinceramente, apesar de o meu coração parecer um deserto neste momento, entendo que a noite do soninho é super importante para o desenvolvimento deles, para ficar longe umas horas, para eles sentirem saudades.

A noite do soninho é, para mim, um momento de aprendizado, a ultima lição do ano dada belamente pela escola. Aos pais, a lição é do desapego, do deixar os pequenos seguir. Para os filhos, a lição é de se virar, a de ter saudade de nós, que vivemos e morremos por eles. Viva a escola, viva os momentos à sós, nossos e deles.