Maria Fumaça já tem data para realizar primeiro passeio oficial no Vale do Iguaçu

Após sete anos de trabalho, o Trem das Etnias está pronto para cruzar os trilhos do Vale do Iguaçu. O primeiro passeio oficial será realizado no sábado, 05 de abril, às 9 horas. Os bilhetes custarão R$ 90,00 para moradores de União da Vitória e Porto União e R$ 120,00 para visitantes de outros municípios. Os ingressos podem ser adquiridos no site www.tremdasetnias.com.br.

A reportagem de O Comércio conversou com Leocir Weber, um dos responsáveis pelo projeto, a respeito do Trem das Etnias.

Confira um trecho da conversa:

Jornal O Comércio (JOC): Quando surgiu a ideia de colocar esse projeto em prática?
Leocir Weber (LW): Sete anos atrás. Isso começou com uma ideia do Hélio, meu irmão, que sempre gostou desse tipo de trabalho, de iniciar os trabalhos. Ele começou, com o trem, começou com o Instituto Grünenwald e outros mais. Ele teve essa ideia e começou a compartilhar com outros, trocar ideia sobre o assunto e foi chamando pessoas até que se efetivou esse grupo e, lógico, todo mundo sabia que ia ter um aporte financeiro. Mas, depois de muito tempo de conversa, foi iniciado o projeto. E foi em cima de uma série de percalços. A gente no início não tinha conhecimento nenhum da área. Aí entrou a pandemia, parou tudo, multiplicaram-se os preços. É uma trajetória bem complexa até chegar nesse ponto que nós estamos hoje, sabe?

E iniciou-se como? Foi com a reforma da máquina. Inicialmente ela foi enviada para Rio Negrinho, mas não chegamos a um acordo, inicialmente. Ela já estava lá e não houve progresso na questão relacionada à reforma. E entrou a pandemia e a máquina estava lá. Aí entramos em acordo com a empresa, eles também não tinham funcionários para fazer o tal trabalho. Então acordamos com a empresa daqui, trouxemos a máquina de volta e daí sim, ela foi totalmente desmontada. Nós levamos um susto quando a gente viu a máquina toda desmontada, porque ela estava num estado bem precário. Ela nunca tinha recebido, pelo menos é o que a gente tem conhecimento, uma reforma completa como ela recebeu agora.

Então, em toda essa trajetória, houve muitos problemas, principalmente financeiros, justamente pela questão da pandemia. Na pandemia, um dos produtos que mais subiu o preço, foi o ferro, o aço, e essa era a matéria principal que nós ocupamos. Isso foi bem intenso durante todo esse período. Mas o pessoal acabou, como dizem, sendo meio teimoso e não pensando propriamente em si. O pessoal estava pensando, todo esse grupo, na cidade. Pensando na importância desse equipamento, dessa máquina 310, que é tão referendada em todas as ocasiões. Todo mundo viu por essa ótica. Claro, tivemos problemas bastante significativos durante esse período, mas graças a Deus, com todos os percalços e com bastante insistência, chegamos na situação em que estamos hoje.

A máquina está pronta. Estamos com todas as liberações, porque ela passou pelo crivo da Rumo, que é quem tem a concessão do trecho, e nós somos subconcedentes, porém a Rumo tem uma responsabilidade sobre isso, por isso que ela exige de todas as formas o mais mais preciso, principalmente no que diz a respeito a segurança. E isso a gente atendeu tudo, até cair com a ANTT, que também foi muito rigorosa. Estiveram aqui, fizeram vistoria, atendemos tudo o que eles nos solicitaram com relação à acessibilidade e tudo mais.

JOC: O senhor citou a questão da ANTT, que é a Agência Nacional de Transportes Terrestres. Pode nos detalhar como foi esse processo de liberação do Trem das Etnias?
LW: Existem procedimentos que têm que ser seguidos. E nesse item adentrou o nosso trabalho fiscalizado pela Rumo Logística, que é a detentora da linha aqui. Teve muitos itens que caíram para a Rumo resolver, principalmente itens relacionados à malha ferroviária, à identificação da malha. Houve algumas divergências, e isso nos tomou um tempo enorme. A divergência entre o ponto zero que nós tínhamos considerado e a própria Rumo tinha considerado, e a ANTT não tinha essa referência. Só isso aí nos tomou acho que uns três, quatro meses, até acertar entre Rumo e a ANTT toda essa situação. A gente sabe que na Rumo a gente é uma formiguinha. Na ANTT então nem vou dizer, porque a ANTT tem centenas de projetos e todos os projetos do país estão lá. E a gente conseguiu se encaixar lá através de algumas pessoas que a gente conhecia e que nos ajudaram.

JOC: Ano passado foram realizados passeios testes. Qual foi a reação da população com esse evento?
LW: Foi surpreendente, porque nas redes sociais foi um boom. Mas é muito importante ver essa reação. A gente percebe que ela está no inconsciente das pessoas. E ela é uma referência para a cidade. Visto que pela votação que teve com relação aos monumentos mais importantes da cidade, ela está entre os mais votados.

JOC: Quais medidas vocês adotaram para garantir a acessibilidade aos carros?
LW: Em cada carro, normalmente a gente denomina vagão, mas o correto é carro para passageiro, existe um espaço para um cadeirante. E a gente fez até uma porta um pouco diferente, que abre para fazer esse acesso. E como as plataformas da Estação têm 60 cm de altura, a outra tem 70 cm, a outra tem 80 cm, com os trens parados, a gente vai ter que adaptar e fazer uma rampa móvel no momento do embarque de um eventual cadeirante. A gente vai deixar até para as outras pessoas não terem problema de tropeçar, em um degrau ou coisa desse tipo. Mas tem a rampa que é da própria estação, tem a rampa lá no Instituto Grünenwald, que é a outra parada do trem, e tem lá na Estação do Engenheiro Melo, mas isso tudo foi previsto. E também foi solicitada, com muita ênfase, a questão de sanitários. Dentro do carro não tem um banheiro grande, acessível, mas nos três pontos de parada há banheiros acessíveis. Ainda a Estação União precisa de umas melhorias, mas a ANTT nos deu um prazo, até que as prefeituras resolvam essa situação.

JOC: Como foi o trabalho de adequação da malha ferroviária e preparação desses pontos onde a Maria Fumaça vai transitar?
LW: A malha ferroviária estava completamente detonada. Foram feitas algumas substituições onde tinha trilho desgastado, trilho quebrado, coisa desse tipo assim. Mas foram alguns mil dormentes que foram substituídos, e ainda vamos ter que continuar substituindo, por causa da validade, o tempo de prazo para começar a apodrecer. Mas esse trabalho foi um dos mais dispendiosos, que foi justamente adequar a malha viária. São 6 km que foram adequados. E o maior custo na verdade foi nessa parte. Em relação aos equipamentos, como eu falei, foi um trabalho enorme. Os dois carros eram aqueles que estavam aqui na estação. Aquele menor, que era de madeira, só foi aproveitado os dois truques e o chassi, o resto é tudo novo, por completo. E aquele outro que era de passageiro, maior, estava completamente podre. A gente só aproveitou a cobertura dele. Precisou reformar e mexer muito no chassi dele e também os truques todos foram reformados também. Foi um trabalho muito grande. Está tudo zerado. E envolvendo muita gente. Ainda bem que teve pessoas que se prontificaram a ajudar, mas foi muito caro fazer isso.

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