Esponjas viram caminhas e rendem prêmios a alunos do Sesc Senac

Você já parou para pensar qual o destino das esponjas de lavar a louça após o seu descarte? Para três jovens do Vale do Iguaçu, alunos do Ensino Médio Integrado do Sesc Senac de União da Vitória, esse questionamento rendeu um produto premiado em feiras, a chance de produzir ciência e a oportunidade de rodar o país apresentando a invenção.

Guilherme Henrique Pape, Ricardo Soares e Lincoln de Moraes Blech, estiveram, entre os dias 12 e 14 de maio, em Fortaleza, participando da Expo Milset Brasil, uma das maiores feiras de iniciação científica para estudantes de educação básica da América Latina. Na oportunidade, apresentaram o PetConfort, invenção que transforma esponjas em camas para animais de estimação. Devido ao impacto e criatividade do produto, os alunos foram credenciados para Feira Ciência Jovem, em Recife, no mês de dezembro.

Esponjas viram caminhas e rendem prêmios a alunos do Sesc Senac

Guilherme Henrique Pape, Ricardo Soares e Lincoln de Moraes Blech e os professores Emerson Ricardo dos Santos e Adriano Gabiec. Foto: Reprodução

A ideia do PetConfort surgiu durante o projeto de iniciação científica disponibilizado pelo Sesc Senac. Os jovens foram instigados a analisar seus arredores e encontrar problemas que precisassem de solução. Foi então que pensaram no descarte das esponjas. “No Brasil, sem contar estabelecimentos como restaurantes, que usam muito esse tipo de material, são cerca de 4,6 bilhões de esponjas descartadas por ano”, explica Ricardo, de 16 anos.
Uma esponja tem vida útil curta, sendo indicada a troca após uma semana de uso, devido a grande proliferação de bactérias. Sendo assim, esse item tão simples e pequeno, com descarte incorreto, pode virar uma ameaça ao meio ambiente. Na natureza, o tempo de decomposição deste tipo de material é indeterminado.

Desejando propor novos usos às esponjas após o descarte, os jovens chegaram a ideia de confeccionar as camas para pets. A inspiração, segundo Ricardo, veio por conta da enchente de 2023, em que muitos cachorros precisaram ser alojados em abrigos, muitas vezes dormindo apenas em papelões e mantas, devido à falta de disponibilidade de caminhas.

Lincoln, de 16 anos, comenta que as esponjas usadas foram recolhidas após uma campanha de arrecadação promovida pelo grupo. Depois, o material foi higienizado com água sanitária para evitar a proliferação de bactérias, e deixado secando ao sol. O tecido utilizado para revestir as caminhas foi pego durante a campanha do agasalho do Sesc Senac. Optaram por utilizar o jeans, por ser mais resistente. “Depois levamos tudo para a Marisa, uma costureira do Sesc, que juntou as caminhas”, completa.

Guilherme, de 17 anos, ressalta a importância social do projeto, que contou com a participação popular para a doação dos materiais, e se tornou uma oportunidade de conscientizar sobre a necessidade do descarte no tempo e local correto. “Muitas pessoas não sabem que precisamos descartar as esponjas após uma semana de uso. O problema que elas causam para o meio ambiente. Tudo isso ajuda a informar as pessoas. A fazer elas se importarem com o meio ambiente”.

Durante os três dias de viagem, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer pontos turísticos de Fortaleza, confraternizar com estudantes de outros estados e países, além de apresentar o projeto para representantes de grandes empresas, como a Scotch-Brite, uma das maiores produtoras de esponjas, que convidou os jovens para expor a PetConfort em sua feira de tecnologia.

De volta a União da Vitória, a ideia é aprimorar o projeto para a feira em Recife. “E quem sabe ganhar alguma premiação, outras credenciais para outras feiras e assim ir levando nosso projeto”, completa Ricardo.


Incentivando a produção de ciência

A Expo Milset Brasil não foi a primeira feira de iniciação científica em que os jovens participaram. Antes disso, apresentaram o PetConfort em um evento online promovido pela PUC-PR, oportunidade em que foram campeões na categoria em que estavam inscritos, e vice-campeões no voto popular geral. O projeto também foi premiado na FITEC, realizada em Londrina, e na Ficiencias, em Foz do Iguaçu. Todos os custos das viagens para feiras são cobertos pelo Sesc Senac.

Esponjas viram caminhas e rendem prêmios a alunos do Sesc Senac

Foto: Reprodução

O assistente administrativo, Emerson Ricardo dos Santos, que acompanhou os alunos na viagem para Fortaleza, destaca a importância do incentivo da instituição para que os alunos participem deste tipo de evento. As despesas com atividades extracurriculares, entre elas a participação em feiras, é prevista no planejamento anual do Sesc Senac, que em União da Vitória oferece o ensino médio integrado com o curso técnico em informática para a internet. “O Sesc Senac consegue oportunizar que eles viajem para outros estados, para levar esse projeto e mostrar que nós temos esse trabalho sendo realizado aqui em União da Vitória. E isso é extremamente importante para a formação e para o futuro deles. Ir para lá, com todos os custos arcados pela instituição, acredito que para eles seja gratificante. E para nós também”.

O projeto de iniciação científica implementado no Sesc Senac teve início em 2023, com três alunos. Atualmente, já conta com 27 participantes. A intenção, segundo Adriano Gabiec – orientador dos jovens e que também esteve presente na Expo Milset Brasil – é ensinar os alunos de ensino médio a desenvolver projetos nas mais diversas áreas, e prepará-los para o ambiente acadêmico universitário. “A ideia é ensinar os alunos no ensino médio a trabalhar com metodologia científica, que é uma coisa que, normalmente, a gente vê na faculdade, e é ali que a gente geralmente tem muita dificuldade. Só quem foi para uma faculdade sabe o quanto é difícil”.

Para o orientador, o destaque conquistado pelos alunos é motivo de felicidade, principalmente por abrir portas para os jovens, e gerar motivação para os colegas. “Temos a possibilidade de mostrar para eles uma coisa mais simples. Um projeto científico é difícil de fazer, é trabalhoso, mas dá para fazer. É só ter paciência e trabalhar bastante que é possível”.

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