Como funciona o processo de cremação disponível no Vale do Iguaçu?

Optar pela cremação de um ente querido é uma decisão que ainda gera dúvidas. Seja por questões religiosas, seja pela preferência por sepultamentos tradicionais, muitos não levam em consideração a opção por cremar. Por outro lado, pode-se pensar nos benefícios ambientais, nos custos envolvidos e também na falta de espaço nos cemitérios, cada vez mais lotados.

No passado, moradores de União da Vitória e Porto União que desejavam optar pela cremação de um familiar precisavam levar o corpo até outras cidades, como Caçador e Curitiba. Desde 2024, entretanto, a realidade é outra.

“O crematório eu não fiz por resultado, fiz para servir a população”, comenta Mohamad Abdul Abbas, proprietário do Crematório e Memorial Vale do Iguaçu, inaugurado em outubro do ano passado. Segundo o empresário, que já atuava no ramo funerário anteriormente, a percepção da demanda crescente por esse tipo de despedida, atrelada a dificuldade de se encontrar espaço nos cemitérios das duas cidades o fez seguir o conselho de um amigo, que o incentivou a usar o terreno que possuía ao lado do Cemitério Municipal de Porto União para instalar um crematório.
Abbas aponta que a infraestrutura do crematório está apta para atender toda a região, em um raio que abrange cerca de 300 mil habitantes. Além disso, relata já ter sido contatado por prefeitos de municípios vizinhos interessados em realizar a cremação de ossadas a fim de disponibilizar novos espaço em solo sagrado. “É uma necessidade, hoje, pois os nossos cemitérios estão lotados”.

Como funciona o processo de cremação disponível no Vale do Iguaçu?

Mohamad Abdul Abbas. Foto: JOC

Mas o caminho até a concretização do empreendimento não foi simples. O preconceito por parte de alguns moradores do Vale do Iguaçu botaram entraves no andamento da implementação do crematório, que ficou com as obras paradas por cerca de dois anos por conta de denúncias que, conforme Abbas, se mostraram infundadas. Recentemente, representantes da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto União estiveram no local e atestaram que as instalações estão de acordo com as normas exigidas.

Agora, o empresário aguarda novas liberações, dessa vez visando a instalação de um forno para cremar animais de estimação. “Hoje morrem muitos cães, e onde são enterrados? no fundo do quintal. A maior parte das famílias têm um cão em casa e estima como se fosse um membro da família”, explana.

Desde a inauguração, já foram realizadas cerca de 30 cremações. A capacidade do Crematório e Memorial Vale do Iguaçu é de seis procedimentos por dia, de segunda a sexta-feira.

Mohamad Abdul Abbas

Foto: JOC


Funcionamento

No Brasil, a cremação é regulamentada pela Lei nº 6.015/1973, conhecida como Lei dos Registros Públicos. Para se optar pelo processo, basta que os familiares autorizem o procedimento. Apenas em caso de morte violenta é necessária uma autorização judicial.

No Crematório e Memorial Vale do Iguaçu, o processo se inicia com a realização do cadastro do falecido e recolhimento de autorização dos familiares. Também é necessária a entrega da certidão de óbito, com as devidas assinaturas de médicos ou médico legista. Após, o corpo é direcionado para a cremação, que geralmente é realizada no dia seguinte à entrada no crematório.

A capacidade do forno para humanos é de até 350kg. A temperatura gira em torno dos 1.050°C, e o processo pode ser mais lento ou rápido, dependendo do tamanho e peso do corpo. O controle é feito por um aplicativo que confere, também, se todos os filtros necessários da chaminé estão funcionando. Uma vez que a cremação tem início, a porta se trava automaticamente e só é liberada após a conclusão. Todo o procedimento é realizado por um funcionário habilitado e especializado em cremação.

Foto: JOC

Quando o processo se encerra, as cinzas são separadas do material de descarte. “As cinzas que são entregues à família são referentes somente à calcinação dos ossos. As cinzas de carvão e roupa são separadas e descartadas para o lixo hospitalar”, explica Luis Marcelo Schneider Filho, gerente do crematório.

Para a cremação, não é necessária a retirada de jóias, próteses ou pinos. A única coisa que deve ser extraída é o marcapasso, por risco de explosão. Esse procedimento pode ser feito pela funerária responsável pela preparação do corpo. No restante, todo o processo para o funeral de uma pessoa que será cremada poderá ser o mesmo daquela que será sepultada. O crematório disponibiliza, também, uma câmara fria em caso da necessidade de postergar o início do velório devido à chegada de famíliares que vivem distante do Vale do Iguaçu.


Cinzas

A dispersão das cinzas não é proíbida pelo governo brasileiro, apesar de não ser indicada pela Igreja Católica, por exemplo. Os familiares que desejem espalhar as cinzas do ente querido em um local simbólico, como um sítio, tem o direito de fazê-lo. A dispersão no mar também é permitida, porém, é necessário que o ato seja feito longe da costa, fora de áreas protegidas e com registro em cartório.

Columbário. Foto: JOC

Outra possibilidade é manter as cinzas em casa. Luis Marcelo relata que as cinzas não exalam odor, podendo ser mantidas por anos. Caso a intenção seja depositar as cinzas em local sagrado, pode-se colocar a urna em um cemitério ou até mesmo no columbário presente no próprio crematório.

Por fim, existe, ainda, a possibilidade de depositar as cinzas em uma urna ecológica, em que as cinzas são misturadas à terra, em que as sementes de uma árvore serão plantadas. A opção pela urna ecológica busca ressignificar a partida do ente querido. Ao transformar as cinzas em um substrato para dar vida a uma árvore, se dá um novo sentido para a partida. A carne volta à terra, gerando um marco palpável da memória daquela pessoa que jamais será esquecida.

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