Flow Drive lança EP com estética analógica e alma dos anos 80
A banda Flow Drive, de União da Vitória, está prestes a apresentar ao público o seu primeiro EP autoral – que contém músicas compostas e interpretadas pelo próprio artista. Mais do que um simples lançamento, o trabalho marca uma virada estética e artística para o grupo paranaense, que decidiu gravar as faixas em fita magnética, de forma completamente analógica, no ForestLAB — estúdio referência no Brasil por preservar equipamentos e métodos clássicos de produção musical.
Formada por Vando Moreira (voz principal e violão), Daniel Jarentchuck (guitarra e voz), Carlos Santos (baixo), Alexandre Gelchaki (teclado e voz) e Paulinho Bonato (bateria), a Flow Drive escolheu abraçar a sonoridade dos anos 70 e 80 não apenas como referência estética, mas como experiência técnica e emocional. O estúdio, localizado em Petrópolis (RJ), já recebeu nomes como Tom Jobim, Marina Lima, Adriana Calcanhotto, Guinga e Renato Russo — e agora abre as portas para a nova geração do rock nacional.
Som retrô
Para o tecladista e vocalista Alexandre Gelchaki, a escolha pelo analógico não foi só uma homenagem ao passado, mas uma busca por autenticidade. “Pode ser saudosismo, mas a gravação analógica tem um calorzinho especial. A gente sente isso. Gravamos dois singles em estúdio digital no ano passado e sentimos falta de algo. Com o analógico, o som é mais humano, mais orgânico”, explica.
Segundo o artista, a decisão também está alinhada com as influências que moldaram o som da Flow Drive. “Nossas principais referências — bandas dos anos 70 e 80 — todas gravaram em fita. Então achamos justo seguir por esse caminho também. É algo que conversa com nossa identidade.”
Instrumentos com história e alma
Durante as gravações no ForestLAB, Gelchaki teve a chance de tocar em instrumentos históricos. Mesmo levando seus próprios equipamentos, ele acabou optando por usar os disponíveis no estúdio. “Toquei em um órgão da década de 50 e em um piano elétrico que pertenceu ao Ivan Lins. Isso muda completamente sua forma de tocar. É outra sensação; outro peso emocional.”
Ele conta que duas das faixas do EP foram registradas com esses instrumentos e, não por acaso, tornaram-se suas favoritas. “O instrumento te conduz para outro lugar. Tem um timbre, uma alma, um peso diferente. Você sente a história nas mãos.”
Desafio (e a beleza) da gravação ao vivo
Diferente do processo digital, onde cada músico grava sua parte separadamente e é possível corrigir falhas pontuais, a gravação analógica exige que todos toquem juntos — e acertem tudo. “Se alguém erra no final da música, todo mundo tem que gravar de novo. Isso exige muito ensaio, muita precisão. Mas também entrega um resultado muito mais maduro. É um som coeso, verdadeiro”, afirma Gelchaki.
Para o músico essa dinâmica fortaleceu a conexão entre os integrantes e elevou o nível da performance. “A gente teve que estar muito afinado e ensaiado mesmo. Isso gerou um compromisso emocional com o processo. E o resultado é um som mais humano e com alma.”
Construção de uma identidade
A Flow Drive foi formada em 2021, mas passou um ano inteiro apenas ensaiando antes de subir aos palcos. Nesse tempo, a banda experimentou diversos estilos e influências até encontrar seu caminho. “No começo, o repertório era uma mistura musical. Cada um trouxe suas ideias, suas músicas. Aos poucos percebemos uma inclinação natural para o som dos anos 80 — com pitadas dos anos 70 e até dos 60”, lembra Alexandre.
Hoje, com uma estética mais definida, a banda se apresenta como uma mescla de influências clássicas, mas com olhar atual. “Temos músicas com pegada funk setentista, outras mais melódicas, até românticas. A ideia é resgatar a essência da música que tocava nas rádios e marcou gerações.”
EP com seis faixas chega em agosto
O primeiro EP da banda traz seis faixas autorais, cada uma com sua própria identidade, mas todas unidas pela sonoridade e pela personalidade da Flow Drive. “Cada faixa representa uma faceta da banda. Todas elas dialogam diretamente com a gente. É a Flow Drive se expressando por inteiro”, resume Gelchaki.
O lançamento está previsto para agosto, com divulgação nas principais plataformas digitais e apresentações ao vivo. A banda também prepara o anúncio do nome do EP e das artes visuais que irão compor esse novo momento. “Na volta do Rio, fizemos uma viagem de 18 horas de carro ouvindo as faixas gravadas. Foi quando caiu a ficha do que realizamos. A gente espera que as pessoas consigam sentir todo o carinho, a dedicação e o sentimento que colocamos nesse trabalho. Gostar ou não é relativo, mas o que queremos mesmo é que reconheçam a alma da Flow Drive ali.”
ForestLAB
Fundado pelo engenheiro de som e produtor Lisciel Franco, o ForestLAB é o maior estúdio 100% analógico do Brasil. Gravando, mixando e masterizando faixas inteiramente sem computadores, o espaço impressiona pelo acervo: mais de 50 gravadores de fita, 30 amplificadores valvulados, seis baterias, dois órgãos Hammond de 1948 e 1959, além de mesas de edição que pertenceram a músicos como Tony Bellotto (Titãs) e Marcelo Yuka (O Rappa).
O estúdio já foi palco de produções históricas e continua a atrair artistas que buscam um som atemporal, real e profundamente conectado com a tradição musical brasileira.
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