Anteprojeto detalha medidas para conter enchentes em União da Vitória
Na tarde desta sexta-feira, 1º de agosto, autoridades estaduais, lideranças políticas e especialistas se reuniram no auditório da 6ª Regional de Saúde, em União da Vitória, para a apresentação de informações do anteprojeto preliminar que visa conter as recorrentes cheias do Rio Iguaçu. O estudo está em fase final de elaboração e será concluído até a primeira quinzena de setembro, quando será apresentado com valores estimados e soluções priorizadas.
Responsável pela coordenação técnica, o engenheiro Cristhyano Cavali, diretor de Engenharia da Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), detalhou os métodos utilizados e as soluções em estudo.
“Nós vamos entregar um anteprojeto que indicará os custos estimados, a melhor forma de execução das obras, suas etapas e a viabilidade de cada uma delas”, explicou.
O levantamento envolveu a análise de 200 quilômetros quadrados com mapeamento aéreo e perfilamento a laser para obter dados atualizados do terreno, além de batimetria longitudinal em 32 quilômetros do rio, com quase 200 seções transversais.
“Encontramos uma série de soleiras, ou seja, elevações naturais no leito do rio que impactam no escoamento da água. Essas formações podem estar entre os fatores que ampliam o risco de inundações na área urbana”, explicou Cavali.
A partir dessa base inédita de dados, o anteprojeto propõe soluções integradas, como:
- Implantação de um canal paralelo ao curso principal do rio;
- Alargamento de trechos específicos do leito;
- Derrocamento das soleiras, permitindo melhor fluidez da água;
- Construção de diques de contenção para evitar o avanço da água sobre áreas urbanas.
“Estamos modelando essas soluções com base em uma combinação técnica eficiente. Além dos novos dados, também analisamos todos os estudos anteriores, feitos desde 1975. Nada foi deixado para trás. O que temos agora é uma proposta inédita, baseada em ciência e tecnologia”, completou.
Cavali também destacou a importância do sobrevoo técnico de 40 minutos realizado sobre a região do Rio Iguaçu, com participação dele, do presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Souza, e do diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos, José Luiz Scroccaro.
“Esse sobrevoo confirmou que os caminhos estudados são adequados. As imagens e o contato visual com o relevo reforçam que estamos diante de eventos extremos que se repetem com frequência cada vez maior — agora de 8 em 8 anos, ou até menos.”
O presidente do IAT reforçou o compromisso do Governo do Paraná com soluções ambientais completas.
“Não existe uma única solução. Vamos apresentar um conjunto de obras combinadas e tecnicamente sustentáveis. Todas precisarão de licenciamento ambiental rigoroso, possivelmente até federal, e com preocupação em preservar a mata ciliar e a ictiofauna do rio”, afirmou Everton Souza.
Já o deputado estadual Hussein Bakri, líder do Governo na Assembleia Legislativa, fez uma defesa enfática do projeto técnico e do papel da política para viabilizá-lo.
“Como morador da região, já vivi cheias históricas. O que nós não podemos mais é trabalhar com achismos. Foi por isso que procurei o governador Ratinho Júnior e pedi: precisamos fazer o certo. E o certo é um projeto técnico, como esse que está sendo feito pela Unilivre.”
Bakri reconheceu que a conclusão do estudo atrasou um pouco, mas justificou pelo seu grau de complexidade e profundidade técnica. Agora, ele se compromete a buscar recursos diretamente com o Governo do Estado.
“Vamos ter em mãos, até setembro, o custo estimado e as soluções mais eficazes. A partir daí, vou queimar todos os cartuchos possíveis e impossíveis para garantir o maior volume de recursos possível. Pode ser por etapas? Pode. Mas o importante é começar.”
O parlamentar ainda reforçou que não se pode misturar política com técnica:
“O trabalho é sério, técnico, transparente. Quando o projeto estiver pronto, aí sim a política entra para fazer sua parte — garantir orçamento, buscar agilidade nas licenças e iniciar a obra. Se a gente conseguir baixar um metro, um metro e meio da cheia, isso já muda completamente a vida das pessoas.”
A apresentação final do estudo está prevista para acontecer em setembro, com a participação da comunidade e lideranças. O evento vai detalhar as soluções indicadas, os valores estimados e as etapas de execução. A partir disso, deve-se iniciar a articulação para licenciamento ambiental e captação de recursos para dar início às obras.
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