Entre lutas e conquistas: a jornada de Letícia Crevelim contra o câncer de mama

A advogada Letícia Macedo Crevelim, 28 anos, de União da Vitória, compartilhou em março deste ano com nossa reportagem o desafio de enfrentar um câncer de mama diagnosticado em outubro de 2024.

Mãe, filha, irmã e amiga, Letícia destacou, à época, que não deixaria a doença se tornar o centro de sua vida:

“É algo pelo qual eu preciso passar, mas não é onde foco minhas energias. Tenho uma vida além do câncer, afirmou.

“Nada do que eu faço hoje é em função do câncer, além do meu tratamento”

O diagnóstico e o início da luta

A descoberta do câncer foi consequência direta de sua participação em campanhas do Outubro Rosa promovidas pela OAB de União da Vitória, entidade da qual é conselheira.

Em 2022, um nódulo foi identificado em uma mamografia com desconto oferecida pela instituição. Inicialmente tratado como calcificação benigna, o caroço não despertou grande preocupação.

No ano seguinte, durante uma nova campanha, uma palestra sobre câncer de mama fez Letícia refletir e buscar novos exames. O resultado trouxe a confirmação da doença após biópsia em dezembro de 2024.

A notícia exigiu que Letícia reorganizasse a vida, sempre priorizando a filha Maria de 4 anos.

Tratamento e rotina adaptada

Desde janeiro de 2025, Letícia iniciou as sessões de quimioterapia no Hospital São Bráz, em Porto União, conciliando o tratamento com a vida profissional e a maternidade.

Foram meses de ajustes, como lidar com os enjoos e a queda de cabelo, mas sempre com força e transparência:

“Procuro manter a minha vida o mais normal possível porque sei que vou ter uma vida depois que o câncer acabar”, disse na época.

Ela também fez questão de incluir a filha nas mudanças, transformando o momento de raspar os cabelos em uma brincadeira de “salão de beleza em família”, compartilhado nas redes sociais como forma de dar leveza ao processo.


A cirurgia e a recuperação

Nesta semana, Letícia deu mais um passo importante: passou por uma cirurgia de mastectomia, realizada na terça-feira, 26, no Hospital São Braz de Porto União.

Foram quase sete horas de procedimento, que incluiu a retirada da mama, análise de linfonodos e a colocação de uma prótese.

Em um relato emocionado, ela contou que o resultado inicial foi positivo:

“As margens estão livres, os linfonodos deram negativo e isso significa que, em princípio, estou livre do câncer”.

Apesar das limitações temporárias de movimentos e dos cuidados pós-operatórios, Letícia celebrou o fato de ter conseguido preservar o mamilo e já ter recebido a prótese no lugar.

Esperança e aprendizado

Ao longo de sua jornada, Letícia nunca escondeu que a filha é sua principal fonte de força. “Para ela, meu nódulo é a ‘pedrinha da mamãe’. Eu explico tudo em termos que ela possa entender”, relata.

Hoje, com a cirurgia concluída e um prognóstico animador, a advogada reforça a importância da atenção aos sinais do corpo e da realização de exames preventivos.

Próximos passos

Agora, Letícia inicia uma nova fase de acompanhamento.

Até agora, o que sei é que ficarei em acompanhamento por cerca de três meses, para avaliar se a recuperação da cirurgia seguirá sem intercorrências.

Nesse período, também farei sessões de fisioterapia semanais, embora ainda não tenha a definição de por quanto tempo. A princípio, não será necessário realizar radioterapia — essa indicação só mudará caso o resultado definitivo do laboratório aponte a presença de células cancerígenas na mama ou em linfonodos. Mas sigo confiante, já que os exames feitos durante a cirurgia tiveram resultado negativo.

Paralelamente, sigo com a medicação trastuzumabe, aplicada no hospital a cada 21 dias, tratamento que deve durar aproximadamente um ano.

Além disso, sei que terei de realizar exames periódicos para monitorar se o câncer não voltou, seja na mama ou em outras partes do corpo. Esse acompanhamento será contínuo, provavelmente pelo resto da vida.”

Transformação pessoal

Letícia também compartilhou que a experiência mudou sua forma de enxergar a vida.

“Na primeira reportagem, eu estava confiante de que passaria ilesa pelo câncer. Mas a realidade acabou sendo diferente.

Uma das coisas que minha psicóloga sempre me dizia era: ‘Você está aqui, todos os dias, lutando pela sua vida. Que vida você quer viver?’.

Essa pergunta sempre mexia muito comigo. E, de maio para cá, acabei fazendo mudanças significativas na minha vida.

Perto da cirurgia, senti muito medo — medo de morrer, de não ter mais tempo com as pessoas que amo. Essa experiência me transformou. Sem dúvida, me transformou.

Hoje, quero ter mais tempo no meu dia a dia, estar mais presente para quem amo e dedicar mais energia às coisas bonitas da vida.

Quero passear mais, apreciar mais arte, ajudar mais pessoas e, principalmente, estar em paz com os meus próprios erros.”

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