Para onde vai seu lixo eletrônico? Vale do Iguaçu terá coleta especial

Um relatório divulgado no ano passado pela Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que a geração mundial de resíduos eletrônicos está aumentando de forma desenfreada. E se as medidas necessárias não forem tomadas, o cenário tende a piorar. Denominado de “Monitor Global de E-Lixo”, o relatório mostra que em 2022 foram gerados 62 milhões de toneladas de e-lixo em todo o planeta. Experimente olhar ao seu redor e perceber quantos aparelhos eletrônicos lhe cercam, seja em casa ou no trabalho, e se pergunte: para onde vai toda essa aparelhagem quando estiver em desuso?

Para onde vai seu lixo eletrônico? Vale do Iguaçu terá coleta especial

Foto: freepik

A quantidade de lixo eletrônico produzida apontada no relatório da ONU daria para encher 1,5 milhão de enormes caminhões de 40 toneladas. A geração de e-lixo está aumentando em 2,6 milhões de toneladas por ano, podendo atingir 82 milhões de toneladas até 2030, o que representaria um aumento de 33% em relação ao número de 2022. Além do crescente progresso tecnológico, o maior consumo, as opções de reparo limitadas, os ciclos de vida mais curtos do produto, a crescente eletrificação da sociedade e a infraestrutura inadequada de gestão de e-lixo contribuem para esse cenário. E o Brasil está entre os maiores produtores de e-lixo das Américas, na frente de países como Canadá e México.

Trazendo a questão para a realidade do Vale do Iguaçu, aqui também nos deparamos com a pergunta: para onde destinar o lixo eletrônico gerado no meu trabalho e na minha residência? Na próxima quinta-feira, 18, a prefeitura de União da Vitória, em parceria com a empresa REC – Reciclagem de Eletrônicos Chapecó, estará apoiando a ação de recolhimento de materiais inservíveis eletrônicos. A coleta acontecerá em dois pontos, um deles no pátio da Prefeitura Antiga, com acesso pela rua Coronel João Gualberto, no Centro, e outro no estacionamento do Aeroporto Municipal José Cleto, na Avenida Paula Freitas, no distrito de São Cristóvão, durante todo o dia 18, das 8h às 17h. Quem levar os materiais ganhará uma muda de flor em troca dos produtos recolhidos.

A orientação para quem deseja descartar esses equipamentos é verificar quais estão obsoletos ou não funcionam mais, desde fones de ouvido até televisores, e levá-los aos locais de recolhimento. A entrega dos materiais no ponto de coleta é gratuita. Lâmpadas e tonners não serão recolhidos. “É uma oportunidade para os munícipes estarem destinando corretamente esses produtos eletrônicos e dessa forma evitar o descarte em locais inapropriados”, destaca o secretário de Meio Ambiente de União da Vitória, Nei Kukla.

A reportagem do JOC foi em busca de outras respostas. Não pense que após deixar seu aparelho celular, por exemplo, em um dos pontos de coleta, o problema estará resolvido.

É aí que entra em ação a empresa REC. “Nós recolhemos todo o material que chega para nós. Seja informática, eletrodomésticos, linha hospitalar, tudo isso a gente faz a desmontagem, separa os itens como plásticos, alumínios, metais, cobre, fios, placas, são milhares de itens, é um leque muito grande de materiais diferentes uns dos outros. Então a gente faz uma separação por famílias, cada material vai destinado para um local”, explica o administrador da REC, Ederson Cezar Oruoski.

Num exemplo prático, o plástico é separado, classificado e enviado à uma empresa especializada em plástico. “O alumínio, cobre, os fios também são enviados para empresas especializadas”, destaca. “Já as placas praticamente todas elas vão para o Japão. Nós mandamos para uma filial da empresa japonesa em Curitiba e essa encaminha para lá, faz a exportação. No Japão, são retirados os materiais pesados, os metais preciosos, é feito um processo químico para extração desses materiais”, acrescenta Everson.

Segundo ele, praticamente todo o material recolhido pela empresa é destinado de volta à indústria. “Quase zero de aterro”, confirma. “Tem algumas coisas, como placas de energia fotovoltaica, de energia solar, que ainda não conseguimos reciclar. O que não temos certeza do reaproveitamento, optamos por não coletar”, finaliza. Você leitor tem algum aparelho que está sem ser utilizado, guardado em um canto de sua casa ou de seu escritório? Não perca a oportunidade de dar a destinação correta no próximo dia 18 e colaborar com o meio-ambiente. Quem sabe o destino do seu eletrônico não seja o Japão.

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