Mário Emílio da Silva: uma vida em movimento entre o povo, o esporte e a política

Nascido em 23 de outubro de 1947, no município de Matos Costa, Mário Emílio da Silva cresceu cercado pelos trilhos da estrada de ferro e pelas dificuldades comuns de uma época em que infância e responsabilidade caminhavam lado a lado.

Filho de Emílio da Silva e Anna Mazulão da Silva, aprendeu desde cedo a importância da disciplina, da solidariedade e do trabalho bem-feito.

Arquivo Pessoal

A infância foi marcada por momentos de simplicidade e união familiar. Com poucos recursos, mas muita imaginação, vivia aventuras entre o mato, o rio e os trilhos, onde o som do apito do trem era parte do cotidiano e o sinal de que o pai estava voltando para casa.

Ainda adolescente, mudou-se para União da Vitória em busca de novas oportunidades. Ali, começou a trabalhar e estudar ao mesmo tempo, dividindo o tempo entre os estudos técnicos e pequenos trabalhos que lhe permitiam ajudar em casa e sonhar com um futuro melhor. Com esforço, disciplina e um senso de responsabilidade acima da média para a idade, conquista o respeito dos professores, colegas e vizinhos.

Já nessa fase inicial da vida, começou a se envolver com ações comunitárias, participando de grupos de jovens, eventos da igreja e iniciativas sociais do bairro. A liderança natural logo se manifestou. Amigos da juventude recordam que ele sempre foi aquele que conciliava os grupos, promovia encontros e estimulava o diálogo.

“Ele sempre teve esse jeito de unir as pessoas, de escutar sem julgar”, conta um antigo colega de escola.

Foi nesse ambiente de humildade, esforço e valores sólidos que Mário Emílio começou a moldar a visão de mundo que levaria para todas as esferas da vida: familiar, profissional, política e social. Cada desafio enfrentado, cada conquista alcançada, cada amizade construída nessa fase foi fundamental para o homem que se tornaria.

Família, valores e trabalho

Mário Emílio da Silva aprendeu desde cedo o valor da honestidade, do esforço e do respeito ao próximo. Ainda jovem, acompanhava os pais nas tarefas do dia a dia, onde viu no trabalho a forma mais digna de contribuir com a vida da família.

Casado atualmente com Maridiane Dal Bó, mantém uma relação sólida e afetuosa. Ela é parceira não só na vida pessoal, mas nas lutas diárias, oferecendo apoio emocional e presença constante nos momentos mais difíceis e também nos mais felizes.

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De sua relação anterior com Marilucia Flenik, nasceram os filhos Emilio Rossano Flenik da Silva, Marco Georgio Flenik da Silva e Rodolfo Thiago Flenik da Silva.

Com os filhos e netos, cultiva laços afetivos profundos. Valorizador da educação e do diálogo, incentiva o pensamento crítico e a empatia.

Ensinar pelo exemplo sempre foi minha regra. Não adianta falar bonito se a prática é outra.”

Formado em Técnico de Contabilidade pelo Colégio Coronel David Carneio de União da Vitória, em 1974, atuou durante décadas como contador, sendo reconhecido pela responsabilidade, seriedade e proximidade com os clientes. Muitos viam nele não apenas um profissional, mas um conselheiro.

“Às vezes as pessoas vinham trazer imposto de renda e acabavam falando da vida.”

Convidado pelos amigos Hilário Magnani e Gilberto Francisco Brittes, passou a integrar, no final da década de 70, o então escritório Magnani Brittes Assessoria Contábil Ltda, que passou a se chamar Magnani, Brittes & Cia. Ltda.

O escritório contábil não era apenas espaço de cálculos e burocracias, mas também de escuta e solidariedade. Essa sensibilidade moldaria também sua atuação futura na política e no esporte.

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A política como extensão da comunidade

A entrada na vida pública acontece de forma natural. Mário Emílio entendia que poderia contribuir mais diretamente com a população. Impulsionado por seu amigo Gilberto Brittes, ingressou na política.

Foi vereador em União da Vitória, levando para a Câmara uma postura de diálogo, equilíbrio e atenção às demandas reais da população. “O vereador não é para fazer discurso, é para resolver problema”, comenta.

Ao longo dos mandatos, concentrou sua atuação em áreas como saúde, acessibilidade, esporte e direitos da criança e do adolescente. Destacou-se pelo comprometimento com causas sociais e pela atenção aos pequenos detalhes que impactam diretamente a vida das pessoas. Recusou-se a fazer da política um palanque de vaidades. Sua atuação foi marcada pela firmeza, ética, independência e sensibilidade. “A política tem que estar a serviço da comunidade. Não o contrário.”

Mesmo fora do cargo, mantém a credibilidade e o respeito da população. Está sempre presente nos bairros, eventos, velórios e comemorações, ouvindo as pessoas com paciência e atenção. É o tipo de figura pública que não se afasta da realidade.

O esporte como missão: do Jóia ao Guga

O envolvimento de Mário com o esporte transcende a prática: para ele, é uma ferramenta de transformação social. Sua paixão pelo tênis é visceral — um amor que atravessa gerações, viagens e projetos.

Fundador do Jóia Tênis Clube, ele não se limitou a construir quadras: idealizou um espaço acessível, comunitário e voltado para o desenvolvimento de jovens atletas.

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No clube, implantou o sistema de boleiros, em que adolescentes ganham bolsas de estudo e treinamento em troca do apoio às atividades esportivas. Vários jovens em situação de vulnerabilidade passaram a ver no tênis um caminho de superação.

“Tinha menino que só ia pra escola porque sabia que depois tinha treino.”

O projeto social cresceu, conquistou espaço na cidade e atraiu olhares estaduais. Um dos momentos mais marcantes foi a visita de Gustavo Kuerten (Guga), ainda jovem atleta em início de carreira, quando participou dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina.

À época, ele ainda não era conhecido nacionalmente nem havia vencido Roland Garros, mas já demonstrava carisma e espírito de coletividade.

Ele ficou com o povo. Isso diz tudo sobre quem ele é’, relembra Mário Emílio.

O clube se tornou referência regional, forma atletas, promove torneios e é palco de integração entre gerações. “Ali eu encontro paz, amizade, superação e respeito.”

Mais do que gestor, Mário Emílio vive o tênis com intensidade.

Ao lado do filho Rodolfo, também envolvido com o esporte, acompanhou torneios em diversas partes do Brasil e até no exterior. Viajou para assistir a jogos em Montevidéu, Buenos Aires, Santiago e até nos Estados Unidos, realizando o sonho de ver de perto os grandes nomes do tênis mundial.

Compartilhou arquibancadas, vibrações e ensinamentos com o filho, que hoje carrega também o compromisso com o esporte. “A gente viajava pra ver tênis, mas voltava falando da vida. Era mais do que jogo. Era convivência, era afeto.”

Essas experiências consolidaram uma vivência esportiva que ultrapassa o físico: o tênis representa valores, vínculos familiares e missão social.

Em 2016, viveu um momento especial, sendo homenageado com o espaço ocupado pelas três quadras cobertas do Clube passando a se chamar Complexo Esportivo Mário Emílio da Silva.

O Comércio acompanhou e, na oportunidade, o empresário, emocionado, agradeceu o reconhecimento. “O Jóia é a extensão de minha casa, me sinto muito bem aqui, e esse reconhecimento é muito gratificante, significa que temos uma parcela no sucesso do Clube”, afirmou.

A força de quem enfrenta sem sentir

A saúde impôs desafios duros a Mário Emílio, que encara os percalços com coragem e dignidade.

Diagnosticado com Doença de Parkinson, ele se recusou a ser definido pela enfermidade.

Com o apoio da família, buscou tratamento, adaptou sua rotina e decidiu passar por uma complexa cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS).

A intervenção trouxe alívio e renovação. “Passei a viver melhor. Voltei a escrever, a andar com firmeza, a olhar pra frente.”

Hoje, ele compartilha sua experiência com outros pacientes, participa de rodas de conversa e tornou-se referência na luta pela inclusão e acessibilidade. Transformou dor em diálogo e sofrimento em serviço. “O Parkinson me tirou firmeza na mão, mas não tirou firmeza na alma.”

Ele também denuncia as falhas do sistema de saúde, a falta de acessibilidade e estrutura para pacientes com mobilidade reduzida. “Falta calçada reta, falta rampa, falta olhar.”

Além do Parkinson, enfrentou e venceu um câncer de pulmão, mantendo a serenidade e a fé. Enfrentou o tratamento com determinação, passou por todos os procedimentos indicados e, com o tempo, conquistou a recuperação total.

Hoje, fala com naturalidade sobre o tema, incentivando homens a realizarem exames preventivos e a não negligenciar sintomas.

“Não é fácil, mas é possível. E quando a gente descobre a tempo, pode viver muito melhor.”

Ele segue presente nas ruas, nos clubes, nos encontros e nas memórias afetivas da cidade. É reconhecido por sua ética, simplicidade e generosidade.

“Não quero estátua, não quero placa. Quero que lembrem que eu sou bom com as pessoas. Só isso.”

Em cada caminhada, cada conversa com os amigos, cada momento com a família, Mário reafirma que viver vale a pena quando se tem propósito.

Sua trajetória é marcada por afeto, coragem, humildade e luta — qualidades que tornam sua história uma inspiração viva.

Entre memórias, afetos e lutas, Mário Emílio segue ensinando — com gestos, falas e presença — que ser útil ao outro é uma das formas mais elevadas de existir.

“O importante é fazer o bem sem olhar a quem. O resto a vida devolve. Como é bom ser bom. O importante é curtir a vida da melhor maneira possível. Porque o que vamos levar mesmo são lembranças de momentos bons.”

Um homem do seu tempo, do seu lugar

Mário Emílio da Silva não é lembrado apenas pelos cargos que ocupa, mas pelas relações que constrói. Seu nome é associado à solidariedade, ao bom senso, à gentileza.

Muitos o conhecem como contador, outros como dirigente esportivo, outros como o vereador que ouve mais do que fala.

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