Tornado mais letal da história do país atingiu União da Vitória em 1959

Um vendaval que entrou para a história

O Brasil é um país mais lembrado por enchentes e deslizamentos do que por tornados.

Mas há 66 anos, uma tempestade de proporções devastadoras marcou para sempre a história da região Sul.

Entre os dias 13 e 14 de agosto de 1959, uma sequência de tornados atingiu os municípios de Palmas (PR), União da Vitória (PR) e Canoinhas (SC), deixando um rastro de destruição e mais de 90 mortos, segundo registros da época.

A tragédia foi descrita pelos jornais locais como uma “catástrofe sem precedentes”. Casas foram arrancadas do chão, galpões retorcidos e famílias inteiras perderam a vida.

Na época, o jornal O Comércio, de Porto União e União da Vitória dedicou diversas edições à cobertura do desastre, incluindo relatórios de auxílio e listas de vítimas e desabrigados.

Arquivo JOC


O epicentro: a Fazenda Fortaleza

Um dos pontos mais atingidos foi a Fazenda Fortaleza, área rural que hoje pertence ao município de Coronel Domingos Soares.

Naquele 14 de agosto, ventos estimados em mais de 200 km/h varreram a região, destruindo tudo o que encontravam pela frente. O episódio ficou conhecido como o “tornado da Fortaleza”, responsável por 35 das 90 mortes contabilizadas em toda a área afetada.

Divulgação

Relatos de sobreviventes descrevem o som “como o de um trem passando sobre as casas”. Árvores centenárias foram arrancadas pela raiz, troncos de pinheiro arremessados a dezenas de metros e canelas com um metro de diâmetro arrancadas do chão.

“Foi uma tragédia que marcou nossa história. As famílias nunca esqueceram”, recorda um morador em reportagem histórica publicada pela Gazeta do Povo.

Canoinhas Imagem


Canoinhas e União da Vitória: destruição e solidariedade

Em Canoinhas, especialmente na localidade de Rio dos Pardos, o cenário também foi de devastação total. A imprensa da época descreveu o evento como um “tufão” que destruiu completamente o distrito.

Em União da Vitória e Porto União, os hospitais ficaram lotados. O Hospital São Braz recebeu dezenas de feridos graves.

As páginas de O Comércio registraram o trabalho de socorro e a mobilização de voluntários. Uma Comissão de Auxílio aos Necessitados foi formada para arrecadar telhas, roupas, camas e alimentos para as famílias atingidas — um gesto de solidariedade que mobilizou toda a comunidade do Vale do Iguaçu.

 

Arquivo JOC

Arquivo JOC

Segue um resumo do artigo “Em 13 de agosto de 1959 um tufão destruía a localidade de Rio dos Pardos, interior de Canoinhas” (Canoinhas Online):

Em 13 de agosto de 1959, durante a noite, a localidade de Rio dos Pardos (interior de Canoinhas, SC) foi atingida por um tufão extremamente violento que destruiu quase totalmente o povoado.

Moradores relataram céus avermelhados, trovões contínuos e um “zuado” de vento que causou pavor. Casas de madeira foram arrancadas, galpões desmoronaram, objetos de ferro e madeira foram arremessados a grandes distâncias, animais morreram e famílias ficaram gravemente feridas ou mortas.

No dia seguinte, equipes de resgate e voluntários chegaram à área destruída, encontrando um cenário de devastação total.

A comunidade mobilizou-se rapidamente: foi criada uma Comissão de Auxílio aos Necessitados; o governo estadual liberou verbas para reconstrução; até o Vaticano chegou a emitir bênção e auxílio financeiro para as vítimas.

O evento é considerado a segunda maior tragédia climática da história de Canoinhas.

Canoinhas Imagem


A ciência explica: o Brasil também tem tornados

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o tornado de 1959 foi o mais letal já registrado no Brasil.

Eventos similares voltaram a ocorrer nas últimas décadas — como o tornado de Itu (SP), em 1991, que matou 15 pessoas, e os diversos registros no Paraná e Santa Catarina entre 2021 e 2025.

Segundo a plataforma de registro de tempestades severas, o número de tornados no país aumentou de 55 em 2021 para 88 em 2023. Parte desse crescimento se deve à melhoria na observação meteorológica, mas pesquisadores apontam também a influência das mudanças climáticas.

A MetSul Meteorologia destaca que o cenário atual de destruição observado em 2025, em Rio Bonito do Iguaçu e outros municípios do interior paranaense, é o mais grave desde 1959.

Foto: Olho Vivo / colaboração.


Aprendendo com o passado

A tragédia de 1959 é lembrada não apenas pela dor das perdas, mas também pela forma como uniu comunidades.

Hoje, o avanço da tecnologia permite prever condições propícias à formação de tornados com horas de antecedência.

Mesmo assim, especialistas alertam que o Brasil ainda precisa investir em alertas locais, protocolos de abrigo e construções mais resistentes ao vento — especialmente em regiões como o Sul, onde as rajadas podem ultrapassar 200 km/h.

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