Rafael Greca: Só eu tenho a experiência administrativa de ter salvo Curitiba da miséria absoluta

Cumprindo agenda em União da Vitória, o Secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca, conversou com a reportagem de O Comércio sobre seu conhecimento da história do Vale do Iguaçu. Três vezes prefeito de Curitiba, ex-ministro de Esporte e Turismo, engenheiro, urbanista, economista, historiador e escritor, Greca também falou sobre seus planos para as eleições de 2026.

Confira:

Jornal O Comércio (JOC): Secretário, o que o senhor sabe sobre a história do Vale do Iguaçu?
Rafael Greca (RG): Tudo era Paraná até 1915, no tempo da questão do Contestado. Foi quando o governador Lauro Müller, de Santa Catarina, e o governador Afonso Camargo, do Paraná, fizeram um acordo para acabar com a questão das terras contestadas e com a Guerra do Contestado, a famosa celeuma da revolta do povo mais humilde, dos despossuídos, dos descamisados que não aceitavam a derrubada dos pinheirais para abrir a estrada de ferro São Paulo-Rio Grande. E foi uma guerra triste que inclusive acabou causando a primeira vez que um avião, isso deu um grande desgosto para o Santos Dumont, bombardeou brasileiros. O Santos Dumont ficou profundamente deprimido e acabou se matando por causa disso. O contestado foi uma questão social, democratizou mais a vontade do povo de ter acesso ao seu lote, a sua casa, a sua propriedade. Foi uma guerra violenta, uma guerra fratricida, muito triste, mas é uma questão de guerra pelo direito da terra, pela posse da terra. O Antônio Conselheiro, que era o monge João Maria de Agostini, que agora até virou rótulo de uma garrafa de Steinhaeger comemorativa. Eu ganhei uma e achei linda. Eu não sei se o monge bebia steinhaeger, mas a garrafa é muito bonita.

Mas, antes disso, essa também é a época em que o Santos Dumont, tendo ido a Foz do Iguaçu por um vapor que saiu de Buenos Aires e foi até Porto Mendes, viu a Catarata, ficou fascinado, soube que a terra era de um espanhol chamado Jesus Val e se revoltou porque achou que aquele lugar tinha que pertencer ao Brasil e ao povo brasileiro e ao Paraná e ao povo do Paraná. E subiu num cavalo e veio numa cavalgada patriótica até Ponta Grossa, onde pegou trem, foi a Curitiba, se hospedou no Grande Hotel Moderno, no dia seguinte foi e viu Affonso Camargo e convenceu o governador a comprar a terra das Cataratas do Iguaçu. E isso nós conquistamos agora definitivamente, era uma questão que estava no Supremo Tribunal Federal desde aquele tempo. Agora o parque que nós antes chamávamos Nacional do Iguaçu, é o Parque Estadual das Cataratas. É uma grande vitória da sustentabilidade do governo do Paraná, porque somos nós que vamos cuidar do Hotel das Cataratas, de todos os equipamentos do parque. Vamos poder gerir as relações com o aquário, com o Parque das Aves, e também gerar mais sustentabilidade e mais apoio com o dinheiro, por exemplo, do aluguel pelo grupo Belmond do Hotel das Cataratas. São R$ 2 milhões por mês, e nós podemos usar esse dinheiro para fazer mais ações ambientais, mais parques. Isso é uma vitória da minha gestão. E eu que fui ministro e em 1999, 2000, ajudei a privatizar os serviços do parque, quando eu era ministro do Turismo do Fernando Henrique Cardoso, com o Grupo Cataratas, que hoje é um orgulho do Paraná.

JOC: O senhor veio para União da Vitória participar da entrega de kits do programa Nascer Bem Paraná. Que outro evento fez parte da sua agenda?
RG: Ontem nós fomos num jantar muito gostoso. A senhora Roveda e Airton, os pais do Santin Roveda, do meu querido amigo e meu companheiro de governo, me receberam com muita fidelidade e muitos amigos estiveram lá. Isso porque nós estamos começando a mexer porque eu quero me apresentar como candidato ao governo do estado. Ano que vem tem eleição, o governador não pode mais concorrer, ele seria imbatível pela qualidade do serviço que prestou o Paraná. Ele interiorizou muito o governo do estado e é meu desejo, com outros companheiros que todos somos pré-candidatos, nós possamos compor os três nomes da chapa que vai ser apresentada ao povo como alternativa para consulta popular da próxima eleição.

JOC: Então o senhor está colocando o seu nome como candidato?
RG: Sim, porque só eu fui prefeito de Curitiba três vezes. Só eu fui ministro de estado. Só eu tenho a experiência administrativa de ter salvo Curitiba da miséria absoluta. Eu elegi o Eduardo Pimentel junto com os outros companheiros, com o apoio do Ratinho, mas dentro do ambiente de paz política do governo. O Alexandre e o Guto não são problema para mim, eles vão ser meus aliados sempre. O Alexandre é meu amigo desde o tempo de Anibal Khury, quando ele puxava toda a sardinha possível para o prato de União da Vitória, porque ele era daqui, adorava a União da Vitória. Tinha até uma casa aqui. E mais do que isso, eu quero ser candidato porque chegou o momento, eu estou preparado para isso, me preparei a vida inteira. Quero transformar o Paraná. Depois de ser o estado mais sustentável do país no governo do Ratinho, nós queremos dar um novo passo, e transformar o Paraná no estado climaticamente mais protegido do país. Eu quero trabalhar muito na ideia de que a resiliência precisa ser construída. A resiliência é para proteger também empresas, empregos, casas de família, escolas, estradas, bairros e vidas.

Chegou um tempo em que os governantes terão que fazer chover e prover os momentos em que vai faltar água, como já aconteceu conosco quatro para cinco anos atrás. Mas chegou um tempo também em que é preciso fazer a água desaparecer porque há grandes enchentes. É preciso macrodrenagem, é preciso dragagem, é preciso soluções de engenharia que acabem, por exemplo, com esse flagelo histórico de União da Vitória, que remonta aquela cheia que nós vivemos quando nos governava o José Richa, em 1983, quando a cidade ficou praticamente quase toda submersa. O Iguaçu é o rio que nasce onde nós nascemos. É um rio muito útil à humanidade, é um rio energético, é um rio cheio de barragens. O Iguaçu tem a maravilha das cataratas, mas tem que ser transformado numa grande barreira de fenômenos climáticos.

Curitiba já tem um plano de clima. Eu estou dando um plano de clima através do Banco Interamericano de Desenvolvimento para a cidade de Foz do Iguaçu. Mas a nossa ideia é que todas as cidades ao longo do rio Iguaçu sejam trabalhadas na resiliência climática.

(…) É a hora de pensar a política como um instrumento de poder para poder fazer mais e para fazer bem feito, como o eu fiz direito, o meu ofício de prefeito por três vezes.

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