Sessão que votaria afastamento de presidente da Câmara é suspensa
A sessão extraordinária convocada para as 13h30 desta sexta-feira (5) para votar o possível afastamento do vereador Anderson Cardoso da presidência da Câmara Municipal de União da Vitória foi suspensa. A pauta trataria da denúncia de suposta violência política de gênero, prevista no artigo 326-B do Código Eleitoral, envolvendo a vereadora Thays Bieberbach.
O vice-presidente Cordovan Frederico de Melo Neto, responsável pela convocação, afirmou que a interrupção ocorreu por divergências jurídicas que surgiram poucas horas antes da reunião.
Impasse jurídico e falta de acesso ao novo parecer
Segundo Cordovan Neto, um novo parecer jurídico foi emitido na noite de quinta-feira (4), alterando totalmente a interpretação anterior sobre a votação. Ele relatou que os vereadores não tiveram acesso ao documento, o que poderia comprometer a condução da sessão.
“Eu sempre procurei conduzir o processo com base nos pareceres da Câmara”, disse. “Ontem, por volta das 18h, saiu um novo parecer ao qual os vereadores não tiveram acesso. Até então o entendimento era um, depois mudou, e isso alterava inclusive o quórum necessário.”
O vice-presidente destacou que a mudança de orientação jurídica poderia gerar decisões equivocadas.
“Eu seria injusto com os demais vereadores se seguisse com uma votação sem que todos tivessem conhecimento do novo parecer”, afirmou.
Cordovan disse ainda que não conseguiu contato com a advogada da Câmara na manhã desta sexta-feira e que, por isso, não havia segurança jurídica para seguir com a sessão.
O vereador não definiu nova data para a retomada da sessão, alegando depender do diálogo com o jurídico da Casa e dos prazos regimentais.
Presidente da Câmara reage e fala em perseguição política
Logo após a suspensão, o presidente da Câmara, Anderson Cardoso, divulgou um pronunciamento contestando os motivos apresentados pelo vice-presidente. Ele afirma que a interrupção ocorreu porque não havia votos suficientes para aprovar seu afastamento.
“A única razão da suspensão foi o fato de não haver votos para a minha destituição. Nada além disso”, declarou. “Foi uma tentativa de ganhar tempo para construir nos bastidores aquilo que não se conseguiu de forma legítima no plenário.”
Cardoso chama a situação de perseguição política e diz que houve tentativa de coagir um vereador a mudar seu voto.
“Existem provas concretas: ligações, áudios, mensagens”, afirmou. “Isso fere a autonomia de cada vereador e afronta o eleitor.”
Ele sustenta que está preparado para apresentar sua defesa e reafirma que não aceitará manobras internas.
“Não aceitarei ser retirado no tapetão. Se algum dia houver maioria legítima, respeitarei. O que não posso aceitar é manipulação do processo legislativo.”
O presidente também fez referências de cunho pessoal e religioso, afirmando confiar na justiça e reforçando que seu cargo é passageiro.
“Continuarei exercendo a presidência com serenidade e responsabilidade. Se querem discutir minha gestão, que seja à luz do dia, com transparência”, concluiu.
Próximos passos
A Câmara ainda não definiu a nova data para a retomada da sessão extraordinária. Cardovan afirmou que precisa primeiro validar os procedimentos com o jurídico. Já Cardoso promete acionar as instâncias competentes para investigar as supostas tentativas de coação.
Enquanto isso, a denúncia de violência política de gênero permanece aguardando análise do plenário.
Voltar para matérias


