Aos 83 anos, morador de União da Vitória é aprovado no Exame da OAB

Oswaldo Catardo com a família na formatura em Direito. (Foto: reprodução).

A trajetória de Oswaldo Catardo, de 83 anos, é a prova de que o conhecimento não tem prazo de validade. Morador do bairro São Bráz, em União da Vitória, e aposentado do Ministério da Defesa, ele acaba de conquistar um feito que muitos consideram distante: a aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2026. O resultado veio três anos após a conclusão do curso de Direito pela Universidade do Contestado (UnC), Campus de Porto União.

Catardo conta que, depois de se formar, sentiu que ainda havia algo a ser concluído.

“Quando eu terminei a faculdade, eu fiz algumas viagens para o exterior. Quando retornei, senti falta de retomar os estudos e resolvi me preparar para a OAB”, relata.

Segundo ele, a sensação era de um ciclo ainda aberto. “Ficou uma situação inacabada, porque eu queria ter essas credenciais também para atuar como advogado.”

A decisão exigiu disciplina e dedicação. O agora advogado explica que se preparou tanto para a primeira quanto para a segunda fase do exame, conciliando estudo teórico e prático. “Eu tive que estudar bastante, mas consegui a aprovação”, afirma, sem esconder o orgulho pela conquista alcançada em uma fase da vida em que muitos já não se veem em salas de aula.

Durante a graduação, os desafios não foram poucos. Catardo precisou interromper o curso em alguns momentos por conta da saúde da esposa, já falecida. Ainda assim, a desistência definitiva nunca foi uma opção.

“Eu sigo aquele critério: recuar, sim, mas desistir, nunca”, resume.

Para ele, as dificuldades fazem parte do caminho acadêmico, independentemente da idade. “São os mesmos desafios que a maioria das pessoas tem quando está fazendo uma faculdade.”

Oswaldo Catardo com os colegas de turma

Mesmo sendo o aluno mais velho da turma, a convivência foi marcada pela troca e pelo respeito.

“Na faculdade, eu só adquiri amigos, tanto jovens quanto pessoas de meia-idade. A relação entre colegas e professores foi magnífica”, recorda.

Ele faz questão de destacar a qualidade do corpo docente da UnC. “Aprendi muito com os professores, uma equipe muito competente, com didática clara e sem dificuldade de entendimento.”

A escolha pela área do Direito do Trabalho marcou a preparação para a OAB, mas os planos vão além.

“Eu me dediquei muito ao Direito do Trabalho, mas pretendo também entrar na área da advocacia extrajudicial”, projeta Catardo, demonstrando que o futuro profissional segue em construção.

O apoio familiar foi decisivo ao longo de toda a caminhada. “Minha família sempre me apoiou muito, minha filha e minha esposa, mesmo em horas difíceis”, agradece. Esse suporte, aliado à convicção pessoal, sustenta a mensagem que ele deixa às novas gerações. “A idade é só um número. Qualquer tempo é tempo para conquistar o conhecimento”, enfatiza.

Para Catardo, não há limites quando a mente está ativa. “Eu estou com 83 anos e não tenho nenhum problema com aprendizado. Graças a Deus!”

O vínculo com a Universidade do Contestado permanece vivo. Ele se refere à instituição como uma extensão do próprio lar.

“Essa universidade é a minha segunda casa”, diz, ao lembrar com carinho de professores e colegas que marcaram sua formação acadêmica.

Ao compartilhar sua história, Oswaldo Catardo espera incentivar jovens e adultos a não abandonarem seus objetivos. “Vai haver tropeços e dificuldades, mas o estudo é o caminho para um futuro melhor”, conclui. Um exemplo concreto de que perseverança, aliada ao conhecimento, pode transformar qualquer etapa da vida em um novo começo.

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