Transplante capilar e de sobrancelha já são realidade no Vale do Iguaçu

Cerca de 42 milhões de brasileiros convivem com a Alopécia Androgenética – a calvície – aponta a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Muito além de uma preocupação estética, a condição também pode trazer problemas para a autoestima.

Transplante capilar e de sobrancelha já são realidade no Vale do Iguaçu

Foto:Freepik

Com tantas pessoas sendo afetadas pelo problema, se tornou comum nas redes sociais os vídeos de homens participando de excursões para o exterior, principalmente para a Turquia, a fim de realizar um transplante capilar. Mas o que antes parecia distante para grande parte dos interessados no procedimento, já está ao alcance dentro do Brasil, inclusive no Vale do Iguaçu.

Referência em restauração capilar clínica, a doutora Sandra Mattiola abordou o tema durante sua participação no quadro Hábitos Saudáveis, da FM Verde Vale 94.1. Segundo a médica, o transplante capilar tem evoluído tanto em técnica quanto em resultado.

Confira um trecho:

Jornal O Comércio (JOC): Doutora, os transplantes capilares de hoje são muito diferentes dos de antigamente. Qual é o tamanho da transformação ao longo dos anos quando nós falamos desse procedimento?
Sandra Mattiola (SM): O transplante capilar evoluiu bastante. Evoluiu tanto tecnicamente quanto em resultados de tratamento. Hoje a gente faz de uma forma muito mais delicada para trazer para o paciente mais naturalidade, mais beleza no transplante capilar. A gente via muito nos primeiros transplantes aquela caracterização do transplante capilar. Quem via tinha certeza que o paciente tinha passado por uma cirurgia. Era notável pela falta de naturalidade. E hoje, com o desenvolvimento das técnicas e dos equipamentos, a gente consegue chegar num resultado que é sensacional para o paciente.

JOC: Quais são as técnicas mais modernas existentes atualmente?
SM: Hoje a gente fala na técnica FUE (Follicular Unit Extraction). Tem a FUT (Follicular Unit Transplantation) também. A FUT é uma técnica mais antiga, onde eram retiradas faixas de cabelo da região doadora e feito esse transplante com essa faixa. Então era feito um corte, uma incisão. E com o desenvolvimento principalmente dos equipamentos utilizados, hoje a gente faz a extração unifocular. A gente tira folículo por folículo, unitário, para fazer a realocação do mesmo.

JOC: E quanto ao uso dos instrumentos de alta precisão chamados Implanters?
SM: Tudo isso veio para melhorar a qualidade de resultado. Hoje não necessariamente utiliza-se todos esses equipamentos. No mercado existem diversos profissionais que fazem com diversas técnicas e com diversos equipamentos. Os Implanters nada mais são do que canetas desenvolvidas exatamente para a gente fazer a colocação dos folículos. Então a manipulação do folículo, o dano nesse pequeno folículo, é muito menor quando a gente utiliza o os Implanters.

Isso é um ponto para ficar atento quando a gente procura profissionais para realizar o implante, porque muitos profissionais ainda utilizam a técnica com pinça. Nela são utilizadas pinças convencionais, o que gera uma maior manipulação desse folículo e uma menor pega, porque nem tudo que a gente implanta nasce cabelo. E com a utilização dos Implanters, a probabilidade desse fio vingar é muito maior.

JOC: Na média, quanto tempo demora a cirurgia de transplante capilar?
SM: Esses procedimentos acabam levando bastante tempo, até pelo detalhamento que envolve. Como a gente retira folículo por folículo, são procedimentos longos que duram em média 10 horas, variando aí de 8 horas a 12 horas, dependendo da extensão da calvície, da extensão da área que a gente vai abordar. Mas lembrando sempre que além do tempo cirúrgico, é muito importante o paciente buscar profissionais que prezam pela segurança. Não é porque é um procedimento minimamente invasivo, como a gente diz, que não existem riscos, até por conta do tempo associado. Então, é importante buscar profissionais que operem em locais adequados. Clínicas que possuem suporte em alguma intercorrência. Isso é muito importante.

Aqui na nossa cidade, eu realizo os procedimentos dentro do centro cirúrgico do hospital, que eu acho que traz mais segurança e mais conforto para o paciente, uma vez que o paciente fica sob sedação. Ele fica dormindo o tempo todo, porque é muito desconfortável o paciente ficar 10 horas com uma sedação via oral, que é uma sedação muito superficial. Isso agrega para o paciente, mas requer mais cuidados. Então é indicado sempre buscar um profissional que traga segurança em primeiro lugar.

JOC: Para quais casos o transplante capilar é indicado, principalmente no caso dos homens que são os mais afetados pela Alopécia Androgenética?
SM: A primeira coisa é a gente estabelecer o diagnóstico do paciente. A calvície ela vem de forma genética e andrógina por conta dos hormônios. E aí a gente precisa estabelecer esse diagnóstico, para a gente traçar um plano de tratamento. E esse plano de tratamento, ele inclui tratamento clínico. O paciente, seja ele cirúrgico ou não, ele não vai conseguir fugir do tratamento clínico, que é o que realmente vai controlar a ação desse hormônio no folículo. As indicações de transplante são uma questão muito estética. Então muitas vezes a gente faz o tratamento clínico e o nosso resultado é limitado, uma vez que provavelmente já houve morte desses folículos. Então a gente não consegue mais recuperar e aí o transplante é indicado.

Sandra Mattiola. Foto: Arquivo pessoal

JOC: O transplante é uma cura para a calvície?
SM: O transplante não é o tratamento da calvície. Então não é porque a gente vai recorrer a um transplante que você vai se curar da calvície. A calvície tem que ser entendida como uma doença crônica, com como se fosse uma pressão alta, uma diabetes, que a gente vai precisar tratar medicamentosa de forma contínua. Mas eu entendo a questão. Eu fiz esse transplante, e aí eu consegui cobrir aquela região que para mim incomodava. Como vai ser no passar dos anos? A gente precisa sim, cuidar do cabelo que ainda restou, porque o transplante, aquele folículo que a gente mudou de lugar, ele é um folículo que ele é saudável, ele não responde ao estímulo do hormônio. Então o folículo da região posterior do cabelo, ele é um folículo saudável e esse sim não vai mais sofrer. Ele na verdade não sofre e vai continuar não sofrendo. O problema são aqueles nativos, vamos dizer assim, da região de cima, do topo da cabeça, que são os folículos sensíveis, e continuarão com o processo da calvície. Então, dando sequência no tratamento clínico, a gente consegue estacionar a progressão desses cabelos que você ainda possui, juntamente com o transplantado, e a gente vai ter um resultado clínico. Resumindo, eu vou fazer o transplante, mas eu ainda vou precisar tratar clinicamente, fazendo medicações via oral em casa.

JOC: Como é que funciona o pós-cirúrgico de um transplante capilar?
SM: De modo geral é muito tranquilo. O paciente tem muito pouca dor. A gente passa medicamentos para o pós-operatório, mas muitas vezes não são utilizados. Realmente porque é uma cirurgia que não dói no pós-operatório. Ela tem esse incômodo de o paciente ter que dormir de barriga para cima com o travesseirinho que a gente entrega no ato da cirurgia, nos primeiros três dias. Para quem não dorme nessa posição é um pouco incômodo, mas é uma coisa muito rápida. São três dias de maiores cuidados, de ficar em casa, em repouso. A partir daí são cuidados locais. Nos próximos 15 dias vai ter toda uma técnica de lavagem e assim a gente vai progredindo. Produtos específicos, forma específica de lavar. E alguns cuidados, afinal de contas é um procedimento cirúrgico. Mas, digamos assim, passou os 15 primeiros dias, o paciente também esquece que fez.

JOC: Existe transplante para poder preencher a sobrancelha?
SM: Eu vou trazer um spoiler, hein? Agora em março nós vamos inaugurar os transplantes de sobrancelha também. Porque as mulheres sofrem bastante também com isso, então muitas são reféns de micropigmentação e técnicas para disfarçar tanto falhas, quanto diminuição de pelo. E aí a gente lembra que o quão importante é olhar para as emoções transmitidas pelo ser humano. Então a gente vem com mais essa novidade para a região. A técnica é muito parecida com o transplante capilar. A gente vai tirar folículos da região doadora e trazer para a sobrancelha. Com algumas diferenças, inclusive, com o fio longo, então o paciente já sai da cirurgia com o resultado final.

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