Depois do Impacto: Ricardo relembra acidente e diz “eu podia ter morrido”
Um grave acidente registrado na tarde de 11 de novembro de 2024 mudou completamente a rotina do professor de natação e educador físico Ricardo, vítima de uma colisão que ainda hoje deixa marcas e dores.
O acidente aconteceu por volta das 18h06 no cruzamento das avenidas Coronel Amazonas e Wilkys Amazonas Correia, no bairro Nossa Senhora da Salete. A colisão foi registrada por uma câmera de segurança.
Segundo dados da Polícia Militar, esse tipo de ocorrência é comum nos dois municípios. De acordo com o capitão Renan, responsável pelo policiamento no 27º Batalhão da Polícia Militar, a principal característica desses casos é o abalroamento lateral ou transversal, geralmente provocado quando um motorista não respeita a preferencial.
“É o acidente que ocorre basicamente quando o motorista não observa a preferencial e acaba avançando sem perceber outro veículo”, explicou o capitão.
O momento da colisão
Ricardo seguia de moto pela Avenida Coronel Amazonas, a caminho do trabalho, quando o acidente aconteceu.
“Eu estava indo trabalhar, estava seguindo reto pela Coronel Amazonas. Um carro tentou entrar na rua Wilks Corrêa e, ao invés de esperar eu passar, simplesmente entrou”, relembra.
Segundo ele, a manobra aconteceu de forma repentina.
“Ele entrou e acabou pegando a contramão. Quando isso aconteceu eu bati no meio do carro. Depois disso eu não lembro de mais nada”, contou.
A colisão foi violenta. A moto foi arremessada e um segundo motociclista que vinha logo atrás acabou se envolvendo no acidente.
Memórias fragmentadas
Após o impacto, Ricardo perdeu a consciência. As primeiras lembranças vieram apenas mais tarde.
“Eu só lembro de acordar no hospital. Depois de um tempo comecei a ter algumas memórias, como estar no chão e uma mulher tentando me socorrer”, relatou.
Ele lembra de sentir pressão no corpo, mas sem dor naquele momento.
“Ela pedia para eu ter calma. Eu sentia uma pressão muito forte no corpo, mas não sentia dor. Depois apaguei de novo”, contou.
Ferimentos graves
O motociclista sofreu diversos ferimentos graves.
Ele fraturou o fêmur da perna direita, o cotovelo esquerdo, a clavícula, algumas costelas e também ossos da face e da mandíbula. Uma das costelas perfurou o pulmão.
Ricardo ficou 11 dias internado na UTI, em estado grave, e depois mais 20 dias hospitalizado.
“Nas primeiras 48 horas eu podia ter morrido a qualquer momento. Depois a situação ficou mais estável”, disse.
Durante a recuperação, ele ainda enfrentou uma infecção hospitalar que prolongou a internação.
Recuperação e superação
Após receber alta, Ricardo iniciou um longo processo de reabilitação com fisioterapia no Hospital Regional e também na UGV.
Por ser profissional de educação física, ele também utilizou a própria experiência para auxiliar na recuperação.
“Como sou professor de natação, eu entrava sozinho na piscina e fazia exercícios que ajudavam na minha recuperação”, explicou.
Segundo ele, o histórico de atividade física pode ter sido decisivo.
“Eu sempre fui muito ativo. Talvez isso tenha ajudado até a salvar minha vida”, afirmou.
Limitações que ficaram
Hoje, mais de um ano após o acidente em cruzamento, Ricardo afirma que consegue levar uma vida praticamente normal, mas algumas sequelas permanecem.
Ele utiliza uma haste na perna direita e placas metálicas no cotovelo e no punho.
“Eu não consigo mais virar totalmente o punho para cima e também não consigo esticar completamente o braço esquerdo”, contou.
Além disso, ele convive com dores ocasionais, principalmente em dias frios.
Falta de assistência
Ricardo também relata que nunca recebeu qualquer contato do motorista envolvido na colisão.
“Até hoje ele nunca me deu nenhuma assistência. Nunca entrou em contato para saber como eu estava”, disse.
Relembre o acidente:
https://www.vvale.com.br/transito/video-acidente-grave-envolve-duas-motos-e-um-carro/
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Série especial: Depois do Impacto
Esta reportagem faz parte da série especial “Depois do Impacto”, produzida pelo jornal O Comércio, que traz relatos de vítimas de acidentes de trânsito em União da Vitória e Porto União.
A proposta é mostrar histórias reais de pessoas que tiveram suas vidas marcadas por colisões nas ruas e rodovias da região. Além do momento do acidente, as reportagens também abordam as consequências físicas, emocionais e familiares enfrentadas pelas vítimas após a ocorrência.
O objetivo da série é ampliar o debate sobre segurança no trânsito e mostrar que, por trás de cada ocorrência registrada, existe uma história de vida impactada.
Você ou alguém da sua família também foi vítima de um acidente de trânsito?
O jornal O Comércio convida leitores da região a compartilharem seus relatos para a série Depois do Impacto. As histórias podem ser enviadas para a redação pelo WhatsApp (42- 9 9975 1294) ou pelas redes sociais do jornal.





