Acácia I chega aos 50 anos e reforça legado no Vale do Iguaçu

(Foto: JOC).

A Loja Maçônica Acácia I nº 42, de União da Vitória, celebra em 2026 o seu cinquentenário de fundação, marcando uma trajetória de cinco décadas pautada pela atuação discreta e pelo compromisso com o desenvolvimento humano e social no Vale do Iguaçu.

Criada em um momento de expansão da maçonaria na região, a entidade surgiu a partir da necessidade de uma loja no lado paranaense, já que até então a atuação estava concentrada em Porto União, por meio da tradicional Loja União III. A nova unidade passou a fortalecer a presença institucional em União da Vitória, acompanhando o crescimento da cidade e da própria sociedade local.

Fundadores e protagonismo na criação da loja

No processo de ramificação da maçonaria no Vale do Iguaçu, destacam-se nomes que tiveram papel decisivo na consolidação da Loja Acácia I. Entre eles estão Chaquib Hassan, Nelson Stradiotto, João Antônio de Faria Junior, Bohdan Kuritza, Jofre Mansur, Waldomiro Guérios e Nelson Batalha.

Nesse contexto, ganha protagonismo a figura de Fioravante Osvaldo Wolf, apontado como um dos principais articuladores da fundação da loja. Reconhecido como liderança central, ele deu continuidade ao legado da Loja União III e atuou como catalisador para a instalação da Acácia I em União da Vitória.

“A União Terceira foi muito importante nesse processo. Era composta por lideranças da época — médicos, advogados, comerciantes — que ajudaram no desenvolvimento da cidade”, relembra Flávio Canabarro, ex- Venerável Mestre da Acácia I.

Princípios, filosofia e atuação discreta

A maçonaria mantém, ao longo do tempo, princípios universais como fraternidade, igualdade e filantropia. A base da instituição é filosófica e voltada ao aperfeiçoamento do indivíduo.

Segundo o venerável mestre Cássio Portes, o trabalho vai além da atuação visível.

“A maçonaria não é secreta, ela é discreta. Muitas ações são feitas sem divulgação, mas com impacto direto na vida das pessoas”, afirma.

Ele reforça que a essência está no exemplo e não na exposição. “O importante é o que você faz, não aquilo que aparece”, completa.

A atuação envolve desde apoio social até auxílio em situações específicas dentro da comunidade, sempre com o objetivo de contribuir para o bem coletivo.

Harmonia interna e diversidade de perfis

Um dos pilares da Loja Acácia I é a convivência harmoniosa entre seus membros, mesmo diante da diversidade de formações e profissões. A instituição reúne representantes de diferentes áreas, como saúde, direito, educação e comércio.

Flávio Canabarro explica que não há distinção hierárquica no convívio interno.

“Dentro da loja, todos são iguais. Isso evita conflitos e cria um ambiente de respeito e união”, afirma.

Ele destaca ainda que determinados temas, como política partidária, religião e futebol, não são debatidos nas reuniões.

“Isso é justamente para preservar a harmonia. Cada um tem sua opinião, mas dentro da loja o foco é outro”, pontua.

Já Luis Carlos Ribas, ex-venerável Mestre, ressalta que a diversidade sempre esteve presente na história da maçonaria.

“Ao longo do tempo, pessoas com pensamentos diferentes conviveram dentro da instituição. O ponto comum sempre foi o respeito e a busca pela evolução humana”, observa.

Formação do indivíduo e simbolismo maçônico

A maçonaria, que no passado teve caráter operativo ligado à construção civil — responsável por grandes obras arquitetônicas —, hoje atua de forma simbólica, voltada à construção do ser humano.

Flávio Canabarro, Cássio Portes e Luis Carlos Ribas

Nesse contexto, o nome “Acácia” carrega um significado importante dentro da tradição maçônica. A árvore, presente em diversas partes do mundo, representa valores como conhecimento, resistência e renovação.

“O trabalho da maçonaria hoje é lapidar o indivíduo, torná-lo melhor para a sociedade. É uma construção interna”, explica um dos entrevistados.

O processo de ingresso também segue critérios específicos. Os candidatos são convidados a partir de características observadas, como conduta ética e disposição para evoluir como pessoa.

Celebração dos 50 anos reúne comunidade

As comemorações do cinquentenário estão programadas para o dia 28 de março. A programação inclui uma sessão solene no templo da loja, localizado na Rua 1º de Maio, 771, e um jantar-baile no Clube 25 de Julho.

O evento deve reunir cerca de 300 pessoas, entre membros da maçonaria e convidados da sociedade civil. A adesão antecipada esgotou as vagas disponíveis, evidenciando o reconhecimento da instituição na região.

“Será um momento de celebração, mas também de integração com a comunidade”, destaca Canabarro.

Continuidade e projeção para o futuro

Ao assumir a liderança da loja no ano do cinquentenário, Cássio Portes destaca o desafio de manter o legado construído ao longo das décadas.

“É uma honra, mas também uma grande responsabilidade. Recebemos uma estrutura sólida e vamos dar continuidade ao trabalho, mantendo a harmonia e os princípios da instituição”, afirma.

A alternância de lideranças, com mandatos geralmente de dois anos, é apontada como um fator que contribui para o fortalecimento da gestão. “Isso permite que mais pessoas participem e contribuam com o desenvolvimento da loja”, explica Ribas.

Abertura e aproximação com a sociedade

Apesar da característica discreta, a Loja Acácia I busca se aproximar da comunidade e desmistificar a maçonaria. A instituição informa que o templo pode ser visitado mediante agendamento. “A maçonaria não é uma religião, nem uma sociedade secreta. É um espaço de reflexão, filosofia e construção do bem comum”, reforça Canabarro.

Ao completar 50 anos, a Loja Acácia I reafirma seu compromisso com o Vale do Iguaçu, sustentada por valores históricos e pela proposta de contribuir, de forma silenciosa, para uma sociedade mais justa, equilibrada e solidária.

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