Cigarrinha do milho avança em SC e se destaca em Porto União
Recente levantamento do Programa Monitora Milho SC confirma um cenário já esperado para esta época do ano: o aumento da população da cigarrinha-do-milho em Santa Catarina. A média estadual chegou a 120 insetos por armadilha, com maior concentração em municípios do Planalto Norte — entre eles, Porto União, que se destaca pelos índices registrados no monitoramento.
De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Epagri, Guilherme Silva Briski, o comportamento da praga segue o padrão histórico observado no Estado.
“A população de cigarrinha-do-milho encontra-se em níveis semelhantes aos de anos anteriores. Neste período da safrinha, com as lavouras em fase vegetativa, é comum registrar tanto o aumento do inseto quanto maior presença de cigarrinhas infectadas pelos patógenos”, explica.
Porto União em evidência no monitoramento
Dentro desse cenário estadual, Porto União aparece como um dos pontos de maior atenção técnica, especialmente pelo aumento consistente da população do inseto ao longo das últimas semanas.
“Em Porto União, observamos crescimento da população de cigarrinha entre o final de dezembro e o início de janeiro, tendência que se manteve posteriormente. Além disso, houve maior índice de insetos infectados justamente no período em que muitas lavouras estavam na fase mais suscetível”, detalha Briski.
Segundo ele, essa fase inicial do desenvolvimento do milho é determinante para o impacto das doenças associadas.
“É nesse momento que a infecção pode comprometer de forma mais significativa o potencial produtivo da planta”, completa.
Entenda o impacto da cigarrinha nas lavouras
Embora a presença do inseto seja visível, os principais prejuízos não estão ligados diretamente à sua alimentação. O maior problema está na transmissão de doenças.
“A cigarrinha atua como vetor dos enfezamentos e das viroses do milho. Esses patógenos afetam o funcionamento da planta, prejudicando o transporte de água e nutrientes”, explica o extensionista.
Entre os sintomas mais comuns estão o avermelhamento das folhas, encurtamento dos internódios, má formação das espigas e enfraquecimento do colmo. Estudos indicam que a produtividade pode cair de forma progressiva conforme aumenta a severidade da infecção, com perdas mais expressivas em situações de maior incidência.
Monitoramento orienta decisões no campo
Uma das principais ferramentas para lidar com a cigarrinha é o acompanhamento constante das lavouras. O Programa Monitora Milho SC realiza esse trabalho por meio de armadilhas adesivas distribuídas em diversas regiões do Estado.
“As armadilhas são avaliadas semanalmente, permitindo quantificar a população do inseto. Parte do material coletado também passa por análise laboratorial, o que possibilita identificar a presença de patógenos e estimar o nível de infectividade”, explica Briski.
As informações são disponibilizadas aos produtores por plataformas digitais, auxiliando na definição das estratégias de manejo. “Com base nesses dados, o agricultor consegue avaliar o momento mais adequado para intervir”, ressalta.
Características regionais influenciam o manejo
No Planalto Norte, e especialmente em Porto União, as características da produção agrícola também influenciam o comportamento da praga. A predominância de propriedades familiares e sistemas diversificados contribui para a presença frequente do milho ao longo do ano.
“Muitas propriedades cultivam milho tanto para grãos quanto para silagem, o que faz com que a cultura esteja presente em diferentes épocas. Isso pode favorecer a manutenção da cigarrinha e dos patógenos no ambiente”, observa o extensionista.
Outro fator é a proximidade entre áreas de cultivo. “Lavouras em diferentes estágios, próximas umas das outras, facilitam a movimentação do inseto e aumentam a possibilidade de infecção”, acrescenta.
Manejo integrado é a principal estratégia
Diante desse cenário, a recomendação técnica é clara: adotar um conjunto de práticas para reduzir a presença da cigarrinha e os impactos das doenças.
“O manejo deve ser integrado. Entre as principais medidas estão a escolha de híbridos mais tolerantes, o tratamento de sementes e o monitoramento frequente da lavoura”, orienta Briski.
Ele também destaca a importância do controle do chamado “milho tiguera”. “Essas plantas voluntárias funcionam como hospedeiras da cigarrinha e dos patógenos. A eliminação após a colheita é essencial para reduzir a chamada ‘ponte verde’”, afirma.
Atenção segue ao longo do ciclo
Mesmo com parte das lavouras já fora da fase mais sensível, o acompanhamento deve continuar, especialmente em regiões como Porto União, onde os índices foram mais elevados.
“O monitoramento e o manejo adequado são fundamentais para manter a estabilidade da produção. A informação técnica é a principal aliada do produtor nesse processo”, conclui Briski.
Com base nos dados do programa e na realidade regional, Porto União reforça seu papel como área estratégica no acompanhamento da cigarrinha-do-milho em Santa Catarina, contribuindo para o entendimento e o enfrentamento da praga no Estado.
O tema foi destaque na edição desta segunda-feira, 23, do programa União é Notícia, e pode ser acompanhado a partir do minuto 22 da live.



