Após 53 dias preso, motorista de Bituruna relata drama após acidente com 14 veículos
O motorista Romário de Jesus Camargo Ribas, de 31 anos, envolvido no grave acidente que resultou em uma colisão envolvendo 14 veículos, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, falou sobre o ocorrido e relatou os momentos que antecederam a tragédia.
O acidente aconteceu no dia 30 de janeiro de 2026, na Avenida Fernando Machado, uma das principais vias da cidade.
Após o episódio, Romário teve a prisão preventiva decretada e permaneceu 53 dias preso, sendo liberado nesta semana, no dia 24 de março.
Em entrevista, ele apresentou a sua versão dos fatos e descreveu a sequência de acontecimentos desde o início da viagem até o momento em que perdeu o controle do caminhão.
Viagem começou um dia antes do acidente
Segundo Romário, o carregamento do caminhão ocorreu no dia 29 de janeiro, uma quinta-feira, quando iniciou o deslocamento ainda no período da tarde.
Ele relatou que pernoitou próximo ao município de Ponta Serrada, e que, na manhã seguinte, realizou uma manutenção preventiva em um dos componentes da carreta.
“No dia 30, na sexta-feira de manhã, eu fiz a manutenção em um dos cubos da carreta e segui viagem. Depois surgiu outro problema mecânico, mas nada que comprometesse a frenagem”, contou.
Durante o trajeto, o caminhoneiro afirma que chegou a receber auxílio do Corpo de Bombeiros após um princípio de incêndio em uma das rodas do veículo.
“O bombeiro me informou que uns dois ou três quilômetros à frente teria uma oficina onde eu poderia fazer o reparo. Eu segui bem devagar procurando esse local, mas não consegui encontrar.”
Entrada na cidade e perda de controle
Romário disse que percebeu que havia chegado à área urbana quando identificou pontos de referência, como uma agência bancária e um shopping. Foi nesse momento que decidiu parar para buscar informações sobre o local de descarga.
Enquanto utilizava o telefone celular para confirmar o endereço, segundo ele, o caminhão começou a se movimentar.
“Assim que coloquei o celular para carregar, o caminhão começou a descer. A partir dali foi só por Deus.”
O motorista relatou que entrou em estado de choque diante da dimensão do acidente.
“É uma coisa que a gente tenta esquecer, mas é inesquecível. A cena é muito marcante. A gente não deseja isso para ninguém.”
Atendimento às vítimas e prisão em flagrante
Após a colisão, o caminhoneiro disse que tentou ajudar no atendimento inicial às vítimas até a chegada das equipes de emergência.
“Eu ajudei no que pude ali, prestei socorro dentro do que era possível.”
Na sequência, ele foi conduzido à delegacia e recebeu voz de prisão em flagrante.
Segundo o relato, foi encaminhado ao presídio ainda na noite do dia do acidente, permanecendo detido até o dia 24 de março, totalizando 53 dias de prisão preventiva.
Período na prisão e preocupação com as vítimas
Romário afirmou que o período mais difícil não foi a convivência com outros detentos, mas a ausência de contato com a família e a falta de informações sobre o estado das vítimas.
“A parte mais difícil foi não ter contato com a família e não saber como estavam as vítimas. Foram momentos muito difíceis.”
Ele também destacou que a perda material foi secundária diante da gravidade do ocorrido.
“A perda material é o menos que a gente pensa. Primeiro a gente pensa nas vítimas.”
Caminhão segue bloqueado e motorista tenta retomar a vida
O caminhão envolvido no acidente permanece bloqueado judicialmente, aguardando decisão da Justiça no processo que segue em andamento.
Romário afirmou ainda que recebeu uma proposta de trabalho da empresa com a qual mantinha vínculo antes do acidente e pretende retomar a atividade profissional nos próximos dias.
“Agora a gente tem que trabalhar e tentar levar a vida para frente.”
O caso segue sob análise da Justiça e das autoridades responsáveis pela investigação das causas do acidente.
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