Projeto contra cheias no Iguaçu avança com cinco soluções técnicas

O projeto para reduzir os impactos das cheias no Rio Iguaçu, em União da Vitória, avançou com a definição de alternativas técnicas consideradas viáveis pelo Governo do Paraná. Em entrevista ao programa Hussein Bakri na FM Verde Vale, o diretor-presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Luiz da Costa Souza, afirmou que o Estado já possui um diagnóstico consistente e caminhos definidos para enfrentar o problema histórico da região.

(Foto: Drone JOC).

“Hoje nós temos uma noção real do tamanho do problema e conseguimos apresentar alternativas concretas para a população. Estamos falando a verdade e buscando solução”, destacou.

Segundo ele, o estudo aponta cinco intervenções possíveis, que podem ser aplicadas de forma isolada ou combinada.

“São alternativas que não se anulam. Elas têm valores e impactos diferentes, mas todas contribuem para amenizar o problema das enchentes”, explicou.

Entre os cenários avaliados, há uma proposta mais ampla, estimada em cerca de R$ 1,3 bilhão, capaz de reduzir significativamente o nível das cheias. No entanto, uma alternativa considerada mais viável neste momento gira em torno de R$ 880 milhões e já apresenta impacto relevante na diminuição dos alagamentos.

“Mesmo uma intervenção menor já representa uma proteção muito grande para a população”, afirmou.

Impacto direto na população

Everton Souza enfatizou que o projeto pode transformar a realidade de milhares de moradores atingidos pelas enchentes.

“Quando a gente fala em reduzir um metro, um metro e meio, isso já é muita coisa. Estamos falando de proteger centenas de famílias, milhares de pessoas”, disse.

Ele também destacou o caráter social das obras.

“Quando fazemos intervenções como essas, estamos tratando da vida das pessoas. Não é só infraestrutura, é segurança e qualidade de vida”, reforçou.

(Foto: Drone JOC).

Diagnóstico do problema

O estudo técnico identificou fatores que agravam as cheias. Entre eles, estão as chamadas “soleiras” no fundo do Rio Iguaçu, que dificultam o escoamento da água.

“Temos um problema no leito do rio que faz com que o nível da água suba mais rápido durante chuvas intensas”, explicou.

Outro ponto destacado é a própria geografia de União da Vitória.

“A cidade está em uma área de acúmulo de água e lidamos com uma vazão muito grande, que pode ultrapassar três vezes a média das Cataratas do Iguaçu. Isso mostra o tamanho do desafio”, completou.

Próximos passos

Com as alternativas definidas, o foco agora é viabilizar a execução das obras. Segundo o presidente do IAT, o governo busca recursos em diferentes frentes, incluindo fundos hídricos e recursos provenientes de indenizações ambientais.

“A definição das ações está muito clara. O que estamos buscando neste momento são os recursos para tirar o projeto do papel”, afirmou.

Ele também ressaltou que o processo seguirá todas as etapas legais.

“Vamos respeitar o licenciamento ambiental e dialogar com o Ministério Público e o Judiciário. É um projeto complexo, mas necessário”, disse.

Ao final, Everton Souza demonstrou confiança no avanço da proposta.

“Se Deus quiser, quero participar das inaugurações em União da Vitória. Estamos trabalhando para entregar uma solução real para a população”, concluiu.