Requião Filho: “eu faço o que eu falo e faço aquilo que acredito”
O pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT), esteve em União da Vitória na sexta-feira, 17, para o lançamento de sua pré-campanha. Na oportunidade, deu uma entrevista exclusiva à reportagem de O Comércio sobre a campanha.
Jornal O Comércio (JOC): Requião, as pesquisas têm mostrado o senhor bem colocado. Muitas pesquisas mostram índice acima dos 30%, o que indicaria uma chegada ao segundo turno. Qual o seu grau de otimismo nesse momento e qual será o norte da sua campanha para se manter ou até mesmo melhorar esse patamar?
Requião Filho (RF): Muito trabalho, muita conversa, muita seriedade e muita construção. Nós chegamos nesse índice não à toa. É um trabalho de anos já. É uma consolidação de posição na política e eu acredito que o que nos traz essa aceitação é a minha coerência. Porque eu falo o que eu penso, eu faço o que eu falo e eu faço aquilo que eu acredito. Eu não troco de lado, eu não sou biruta de aeroporto, eu não passo pano. Quando pessoas do mesmo lado político que eu cometem erros, a gente critica, aponta o erro, diz que está errado e busca corrigir os rumos. E, enquanto isso, tem muita gente na política que faz política só para estar no poder. Não é um projeto de Paraná, não é um projeto de Brasil, não é um projeto de nação para atender aos demais. É um projeto para ter o título. “Eu sou deputado, eu serei governador, eu serei senador”. É a necessidade do pronome de deputado fulano de tal, estou no poder. Então ele faz qualquer coisa para permanecer no poder. Troca de partido, troca de apoio, troca de grupo, troca de ideia. Não tem nada de errado em trocar de ideia. Desde que seja baseado num convencimento pessoal, numa crença, mas é uma facilidade política. O cara troca de partido porque ele precisa de menos votos para se eleger, troca de partido porque ali vai ter mais dinheiro para fazer uma campanha. Então, o que que nos leva a acreditar que a gente está bem colocado? Coerência. Troquei sim de partido, mas nunca mudei o meu discurso. E troquei de partido porque quiseram que eu mudasse o meu discurso. Então não dá, eu não consigo. Eu vou manter minha linha, eu tenho que sair desse partido. Essa coerência, é o que a gente tenta trazer. Essa firmeza, essa seriedade de fazer política é o que eu acredito que a gente vai conseguir levar para as pessoas e é isso que vai nos levar aí, se Deus quiser, durante uma eleição para um possível segundo turno.
JOC: Por que houve a troca de partido?
RF: O MDB foi onde eu me criei. Roberto Requião, ficha 001 do MDB. Sinônimo do partido, se confundia o partido com a pessoa. E, de repente, o partido resolveu apoiar bandeiras das quais a gente não apoiava, numa convenção que eu não vou entrar no mérito aqui agora, mas o partido tomou rumo que para mim era inaceitável, ia contra tudo que eu aprendi na minha história de vida. Privatização, venda, troca de apoio, venda de apoio, um trabalho contra os professores, o funcionalismo público, os policiais. Então, tive que sair do MDB. Acabei indo e me elegendo pelo PT como deputado estadual e lá dentro do PT comecei a tecer críticas, alguns erros graves do Governo Federal, em relação ao Paraná. (…) E eu comecei a criticar isso. Eu esperava um apoio mais forte. E houve um cuidado muito grande com a tal governabilidade, não querendo brigar com ninguém, não queriam se indispor no Congresso. Mas espera aí, você ganha um governo para fazer valer ideias, né? Não para você arranjar o menor número de brigas possíveis. Então, para não mudar o meu discurso, houve uma incompatibilidade, eu tive que sair. E entrei depois no PDT, começamos a montar um programa de governo, mantendo sempre algumas linhas e umas bandeiras prioritárias que a gente nunca mudou. E hoje, por ironia do destino e com muita satisfação, tenho também o apoio deles nessa pré-candidatura.
JOC: Qual é a sua opinião sobre a atuação do senador Sergio Moro na política?
RF: Que atuação? Eu te pergunto abertamente. O que o Sérgio Moro fez na política até hoje que não tenha sido o show pirotécnico da Lava-Jato, que começa muito bem, empolgando a todos os brasileiros, inclusive a mim, estávamos abrindo a caixa-preta da corrupção, vamos passar o Brasil a limpo e de repente a gente descobre que o objetivo não era esse. O objetivo era tirar do jogo um determinado grupo, porque quando eles recebiam provas de corrupção de Grupo A, isso sumia do processo. E quando eles tinham convicção do grupo B sem nenhuma prova, era condenação, cadeia, extorsão, filmagens, gravações ilícitas, e tudo isso aí que o Tony Garcia tem dito do Sergio Moro e mostrando quem de fato ele é. São depoimentos que vão contra a construção do caráter do então juiz que fazia tudo fora da lei para conseguir atingir um resultado que ele queria. Imagine só, um juiz trabalhando fora da lei para atingir num processo os seus objetivos. Isso para mim é uma falha de caráter enorme que o juiz teria de ser imparcial. Então se elege, faz a Lava-Jato, demonstra que é uma perseguição política, depois o STF, o STJ, tudo isso foi por água abaixo por erros processuais causados por essa ganância dele em aparecer. Gente inocente foi presa por causa do Sergio Moro, mas gente culpada foi solta por causa do Sergio Moro. Essa vaidade, essa ganância de querer aparecer. Depois se junta a Bolsonaro dizendo que jamais iria entrar na política, querendo virar ministro do STF, vira Ministro da Justiça, briga com Bolsonaro dizendo que é uma família de corruptos, sai xingando o Bolsonaro, o Bolsonaro sai xingando o Sergio Moro e hoje estão aí, melhores amigos de mãos dadas dizendo que lutam contra a corrupção. Eu não acredito nisso. E se dizer contra a corrupção, eu sou, você é, quem está acompanhando a entrevista tenho certeza que é também. É mais ou menos como uma exigência mínima. Querer ser governador do Estado do Paraná e ser contra a corrupção é quem nem querer correr e saber andar primeiro, dirigir e ter carteira de motorista. É uma premissa, não é um programa de estado, não é um programa de governo, não é uma solução para a educação, para a segurança ou a saúde, não trata de como diminuir impostos para as empresas paranaenses, é um discurso muito vazio.



