Diocese de União da Vitória inicia celebrações do Jubileu de Ouro
A Diocese de União da Vitória dá início nesta sexta-feira, 12, a um dos momentos mais significativos de sua trajetória. Com uma missa marcada para as 19 horas, na Catedral Sagrado Coração de Jesus, será oficialmente aberto o Ano Jubilar que antecede a celebração dos 50 anos de instalação da Diocese, completados em março de 2027.
A cerimônia reunirá representantes das 25 paróquias e marcará o começo de uma programação que se estenderá por um ano, com atividades religiosas, culturais, esportivas e históricas voltadas a recordar a caminhada da Igreja Católica na região.
Para o padre João Francisco, coordenador da comissão responsável pelas comemorações, o Jubileu é uma oportunidade para olhar para o passado sem perder de vista os desafios do futuro.
“Celebrar o jubileu é recordar tudo aquilo que aconteceu na evangelização, o Reino de Deus sendo anunciado e testemunhado por tantas pessoas que fizeram parte da história da nossa Diocese”, afirma.
Uma história construída pela fé
Criada em 03 de dezembro de 1976 pela bula *Qui Divino Consilio*, do Papa Paulo VI, a Diocese de União da Vitória foi oficialmente instalada em 06 de março de 1977. Na época, reunia 11 municípios, 12 paróquias e uma estrutura pastoral ainda em formação.
Ao longo das décadas, a Diocese expandiu sua atuação. A incorporação de General Carneiro e Bituruna, em 1984, ampliou sua área territorial para cerca de 10 mil quilômetros quadrados. Hoje, a Diocese abrange 13 municípios, atende mais de 220 mil habitantes e reúne aproximadamente 450 comunidades.
“Quando a Diocese foi criada, a realidade era outra. Com o passar dos anos, novas paróquias foram surgindo, a população cresceu e a evangelização alcançou cada vez mais pessoas”, observa padre João.
Presença além dos templos
A história da Diocese também se confunde com momentos importantes vividos pela região. Além das atividades religiosas, a Igreja esteve presente em ações sociais, mobilizações comunitárias e situações de emergência.

Padre João Francisco, coordenador da Comissão Organizadora do Jubileu de Ouro da Diocese de União da Vitória. (Foto: JOC).
O sacerdote cita como exemplos o apoio prestado durante enchentes e a atuação histórica da Diocese em defesa de famílias afetadas pela construção da Usina Hidrelétrica de Foz do Areia.
“A Igreja sempre procurou estar ao lado das pessoas nos momentos difíceis. Seja por meio das pastorais, dos movimentos ou da própria estrutura das paróquias, existe uma preocupação constante com o ser humano”, destaca.
Atualmente, iniciativas como a Cáritas e diversas pastorais continuam desenvolvendo ações voltadas ao acolhimento e à assistência de famílias em situação de vulnerabilidade.
Juventude volta a ocupar espaço
Entre os sinais que mais animam a Igreja neste período de preparação para o Jubileu está a crescente participação dos jovens.
Após um período de retração observado durante e após a pandemia, a Diocese tem registrado maior envolvimento da juventude em encontros, celebrações e movimentos pastorais.
“Temos percebido um despertar da fé dos jovens. Eles estão buscando sentido para suas vidas e encontrando esse caminho também dentro da Igreja”, afirma o padre.
O fenômeno é observado em diversas atividades promovidas pela Diocese, especialmente nos eventos voltados ao público jovem.
Um ano de atividades
A abertura do Ano Jubilar será apenas o primeiro passo de uma programação que seguirá até junho de 2027.
Entre as ações previstas estão um museu itinerante que percorrerá as 25 paróquias, exposições históricas, apresentações culturais, produções audiovisuais, atividades para catequizandos e eventos voltados à juventude.
Também está programada uma meia maratona comemorativa, prevista para abril do próximo ano, além de um grande encontro de encerramento em junho de 2027.
“A ideia é que cada atividade ajude a contar a história da Diocese e envolva as comunidades nesse processo de celebração”, explica o padre João.
À espera de um novo bispo
As comemorações acontecem em um período de transição para a Diocese. Desde janeiro deste ano, a instituição está sob a administração do padre Antonio Carlos Rodrigues após a saída de Dom Walter Jorge Pinto.
Enquanto o Vaticano não anuncia o novo bispo, a expectativa segue entre padres e fiéis.
“Estamos aguardando com esperança. Sabemos que esse processo exige discernimento e acreditamos que em breve teremos a nomeação do novo bispo para conduzir a nossa Diocese”, comenta.
Memória e futuro
Mais do que relembrar fatos históricos, o Jubileu pretende reforçar a identidade da Diocese e valorizar o papel desempenhado por milhares de pessoas ao longo dessas cinco décadas.
Para o padre João Francisco, a principal herança deixada por essa caminhada é a própria fé cultivada nas comunidades.
“Quando vemos a fé do nosso povo, percebemos que o Reino de Deus continua acontecendo entre nós. O Jubileu é um convite para agradecer, renovar a esperança e continuar construindo essa história.”
Com um ano inteiro de celebrações pela frente, a Diocese de União da Vitória se prepara para revisitar seu passado, valorizar suas raízes e projetar os próximos capítulos de uma trajetória que acompanha a vida de milhares de famílias da região há quase meio século.



