“Só o tempo irá curar”: Pai desabafa 30 dias após perda de filho em Porto União

Exatamente um mês após a trágica perda que abalou o distrito de Santa Cruz do Timbó, no interior de Porto União, o pai do menino que morreu atropelado no dia 23 de maio quebrou o silêncio em um desabafo doloroso e profundamente emocionante.

Nas mídias sociais, ele expressou a saudade avassaladora e relembrou os pequenos detalhes da rotina do filho, um garoto muito conhecido e querido por todos na comunidade.

Na publicação, o pai pontuou os “30 dias” de ausência através de memórias cotidianas que agora se transformaram em saudade. Ele relembrou o jeito brincalhão do menino, as brincadeiras com os amigos e os pedidos simples que faziam parte do dia a dia da família.

Maurício Ivaz Junior tinha 11 anos e morreu no dia 23 de maio

A rotina de um menino querido por todos

O texto compartilhado pelo pai reconstrói a imagem de uma criança cheia de vida, muito ligada à família e aos amigos da localidade. Entre as lembranças mais marcantes, ele citou o companheirismo do filho e os momentos em que o pátio de casa se enchia de vida com os colegas da escola.

“Só o tempo irá curar essa ferida que causou a sua partida. 30 dias sem ouvir sua voz; 30 dias sem ver seu sorriso zoando da mãe muitas vezes com suas malandragem”, escreveu o pai no início do texto.

O desabafo também trouxe à tona a inocência e a energia do menino, que frequentemente pedia ajuda ao pai para consertar seu brinquedo favorito: “30 dias sem ouvir dizer: ‘Pai, me ajuda a montar essa merda [bicicleta]’ quando não conseguia“.

As idas à catequese após a aula na Escola de Educação Básica Clementino Britto, as mensagens de carinho enviadas para a madrinha e os dias em que ele pedia um dinheirinho para o lanche da escola — “hoje é dia de pastel e cachorro-quente” — foram recordados com extrema delicadeza.

O pai também mencionou a forte ligação do filho com os vizinhos, os momentos na pousada da região e as brincadeiras com os amigos Ricardo, Miguel e André.

Conforto na fé

Apesar da dor imensurável expressa em cada linha, o pai finalizou a homenagem buscando conforto na espiritualidade e na certeza de que o filho está amparado.

“Tudo isso e muito que a gente lembra todos os dias. O que acalma é saber que uma estrela brilha, mas brilha muito mais ao lado do seu avô Lauro. Está sempre protegido, iluminando nós aqui. Descanse em paz”, concluiu.

Só o tempo irá curar essa ferida que causou a sua partida
30 dias sem ouvir sua voz;
30 dias sem ver seu sorriso zoando da mãe muitas vezes com suas malandragem;
30 dias sem ouvir dizer: Pai me ajuda montar essa merda (bicicleta)quando não conseguia;
30 dias sem ouvir falar:Mãe hoje volto mais tarde,tenho catequese depois da aula;
30 dias sem ver mandando mensagem pra madrinha dizendo eu ti amo e estou bem;
30 dias sem ver e ouvir seus amigos chamarem no portão pra andar de bicicleta após a aula;
30 dias sem ver vc sair correndo e dizer vou ver se o Ricardo não tá por aí pra brincar com o Miguel;
30 dias sem correr ver quem tava chegando e dizer:É a irmã com o Sandro Opautchak 
30 dias chegando em casa sem perguntar pra mãe cadê o Júnior sabendo que estava lá na pousada;
30 dias sem ouvir vc pedindo pra ir junto pra brincar com o André;
30 dias sem ouvir sua mãe dizer pode levar ele junto só cuide bem dele:
30 dias sem chegar e pedir um dinheiro,hoje é dia de pastel e cachorro quente na escola;
30 dias sem dizer:Mãe tem que pagar minha continha na mileide;
Tudo isso e muito que a gente lembra todos os dias e o que acalma é saber que uma 🌟 brilha mas 🌟 ⭐️ brilham muito mais que ao lado do seu avô Lauro está sempre protegido iluminando nós aqui. Descanse em paz.

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