TREVO DE PAULO FONTIN: Solução está no papel, mas segurança não pode esperar

Os acidentes que continuam sendo registrados no trevo de Paulo Frontin, no entroncamento das rodovias BR-476 e BR-153, mantêm em evidência um problema conhecido há anos pelos motoristas da região.

A discussão ganhou novamente espaço nas mídias sociais do Jornal O Comércio. Entre os usuários da rodovia, há quem defenda a retirada da estrutura de concreto existente no trevo, popularmente chamada de “mureta”, enquanto outros apontam que medidas de sinalização, iluminação e maior visibilidade poderiam contribuir para reduzir os riscos no local.

O que muitos motoristas talvez não saibam é que existe um projeto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) que prevê uma intervenção mais ampla no entroncamento.

A própria prancha técnica identifica a proposta como “Projeto para Ponto Crítico de Acidente”, na interseção das rodovias federais BR-153 e BR-476/PR, no km 325+400. O documento é datado de outubro de 2023 e apresenta uma reconfiguração geométrica do trecho.

O deputado federal Santin Roveda acompanha as tratativas junto ao DNIT e afirma ter recebido do departamento detalhes sobre a solução prevista para o local.

Segundo ele, uma das principais mudanças será a ampliação da capacidade da BR-476 nas proximidades do entroncamento. “Eles fazem a duplicação. Hoje tem a terceira pista para subir no sentido São Mateus do Sul. Vai ter duas pistas de um lado e mais duas pistas do outro”, explica Roveda.

Retorno muda a dinâmica do trevo

Uma das principais alterações está prevista para os veículos que atualmente precisam cruzar o fluxo da rodovia. De acordo com a explicação do deputado, o projeto elimina determinadas conversões diretas no trevo e utiliza um sistema de retorno.

Um motorista que venha pela BR-153, por exemplo, e queira seguir em direção a São Mateus do Sul não faria mais a atual conversão diretamente no entroncamento. Ele entraria inicialmente na BR-476 em direção a União da Vitória. Já em um trecho com duas faixas, encontraria uma faixa adicional destinada ao acesso ao retorno. Depois de completar a manobra, ingressaria novamente na BR-476, desta vez no sentido São Mateus do Sul.

“Quem está saindo de Mallet vai ter que virar à direita, sentido União da Vitória, descer em pista duplicada e vai ter mais uma abertura de uma terceira pista à esquerda, onde ele vai fazer o retorno para ir para São Mateus”, detalha Roveda.

Na prática, a proposta busca reduzir os cruzamentos diretos entre veículos que trafegam em sentidos diferentes.

Usuários cobram medidas imediatas

Se o projeto aponta para uma alteração estrutural do trevo, entre os usuários da rodovia outra discussão ganhou força: o que pode ser feito enquanto a intervenção definitiva não sai do papel?

Nas mídias sociais do Jornal O Comércio, leitores apresentaram diferentes avaliações sobre as causas dos acidentes e possíveis medidas para aumentar a segurança.

Entre as sugestões estão reforço da sinalização, melhoria da iluminação, instalação de elementos refletivos e maior destaque visual para a estrutura de concreto.

“Precisa sinalização e iluminação. Colocar os tachões refletores no chão na frente da mureta”, sugeriu um usuário.

Outro comentário defendeu que melhorias na sinalização poderiam ser adotadas antes de uma intervenção de maior porte: “Não precisa ser feito novo trevo. Apenas sinalizando já melhora e muito”.

Também houve quem atribuísse parte dos acidentes à desatenção dos próprios condutores, argumentando que o local possui passagem nos dois lados da estrutura.

A avaliação, porém, foi contestada por outro usuário que afirmou passar frequentemente pelo trecho e chamou a atenção para as condições de baixa visibilidade.

“Eu já discordo. Passo aí frequentemente. Tem madrugadas frias em que a neblina é muito forte, não dá para enxergar muita coisa à frente. Quem não conhece acha que não tem essa mureta”, relatou.

As manifestações mostram que, embora haja divergências sobre a configuração do trevo e sobre o comportamento dos motoristas, a preocupação com a segurança no local é recorrente entre aqueles que utilizam a rodovia.

“Moro na frente da mureta”

Quem acompanha essa movimentação diariamente é Lindamir Anelize Stenzel Freyhardt. Ela mora há 16 anos em frente ao trevo de Paulo Frontin, e relata já ter presenciado acidentes e auxiliado motoristas envolvidos em ocorrências.

Em conversa com a reportagem, Lindamir defendeu que, independentemente da solução definitiva projetada para o local, algumas medidas poderiam ser avaliadas de forma mais imediata.

“O que precisamos? Sinalização e iluminação. Seria o foco principal para diminuir todo esse transtorno que está acontecendo aí”, afirmou.

A moradora também questiona a disposição dos elementos refletivos atualmente existentes na estrutura. Segundo sua percepção, eles não proporcionam a visibilidade necessária durante a noite.

“As bandeiras refletoras que estão colocadas na mureta estão colocadas no sentido contrário. Elas estão colocadas como forma de sinalização, mas não refletem no período noturno porque estão colocadas de maneira incorreta”, afirma.

Lindamir sugere ainda a instalação de tachões refletivos no pavimento e uma revisão da sinalização da própria estrutura.

“Se viesse alguém responsável do DNIT, colocasse as bandeiras da maneira correta, fixadas ali no muro, e os tachões no chão, seria uma forma de dar maior visibilidade”, considera.

Para Lindamir, retirar simplesmente a estrutura de concreto sem uma alternativa adequada também não resolveria necessariamente o problema. “Não adianta querer tirar o muro e não ter outra solução melhor. Esse é o meu ponto de vista”, concluiu.

Problema não começou agora

As reclamações envolvendo o trevo são antigas. A atual configuração foi implantada em 2018 e, desde então, a estrutura existente no centro da pista tornou-se alvo frequente de críticas.

Em reportagem publicada pelo Portal Vvale em 2021, moradores e usuários já relatavam dificuldades, principalmente para motoristas que não conheciam o trecho. Naquele momento, o próprio DNIT informou que uma nova readequação do trevo estava em estudo.

Dois anos depois, em dezembro de 2023, o assunto voltou a ser discutido com a direção-geral do departamento, em Brasília. Na ocasião, o trecho da BR-476 no entroncamento com a BR-153 voltou ao centro das cobranças por uma solução.

Apesar das discussões e da existência do projeto, a transformação ainda não chegou à rodovia.

O que falta para a obra?

Segundo o deputado federal Santin Roveda, um dos entraves está relacionado ao processo de desapropriação das áreas necessárias para a implantação da nova configuração viária.

“Tem a questão da desapropriação, que é um processo lento, burocrático”, explica o parlamentar ao comentar as tratativas mantidas com o DNIT.

Como o projeto prevê ampliação da estrutura existente, a intervenção alcança áreas além daquelas atualmente utilizadas pela pista. A prancha do projeto apresenta, inclusive, a indicação da faixa de domínio existente e da faixa de domínio projetada.

A liberação das áreas, entretanto, não representa o início imediato dos trabalhos.

Depois das etapas necessárias às desapropriações e dos demais procedimentos para viabilizar o empreendimento, ainda será necessário avançar para a contratação da obra.

Por isso, apesar da existência de uma solução projetada para um problema que há anos preocupa motoristas da região, a intervenção não deverá ocorrer de maneira imediata.

Projeto definitivo e preocupação imediata

A situação coloca lado a lado duas questões.

De um lado, existe um projeto do DNIT que propõe uma reconfiguração ampla do entroncamento das BRs 476 e 153, modificando a dinâmica das conversões e ampliando a estrutura viária.

De outro, enquanto o processo necessário para tirar a obra do papel não é concluído, usuários que passam pelo local diariamente cobram providências capazes de aumentar a segurança nas condições atuais.

Sinalização, iluminação, elementos refletivos e maior visibilidade da estrutura aparecem entre as principais reivindicações manifestadas à reportagem e nas mídias sociais de O Comércio.

São sugestões de usuários da rodovia e que dependem de avaliação técnica do órgão responsável para determinar sua viabilidade e eficácia.

Enquanto a solução definitiva segue os trâmites necessários, o trevo continua fazendo parte da rotina de milhares de motoristas — e cada novo acidente volta a colocar a mesma questão em evidência: o que pode ser feito, desde já, para tornar o local mais seguro?