Cinfaban preserva tradição de bandas e fanfarras em União da Vitória
A história das bandas e fanfarras em União da Vitória e Porto União atravessa gerações e encontra no Cinfaban um dos principais pontos de continuidade dessa tradição. Neste sábado, 15, o Ginásio de Esportes Isael Pastuch recebe a 34ª edição do Concurso Interestadual de Fanfarras e Bandas, com a participação de cerca de 30 corporações do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Mais do que uma competição, o encontro representa a permanência de uma cultura construída por músicos, professores, famílias e estudantes que, ao longo de décadas, encontraram nas bandas uma forma de expressão e também de formação.
Uma tradição que vem desde os anos 1970
O professor e maestro José Carlos Gonçalves acompanha essa trajetória há décadas e esteve diretamente envolvido na criação do Cinfaban. Segundo ele, a tradição das bandas na região é anterior ao próprio concurso.
“União da Vitória e Porto União sempre tiveram muitas bandas e fanfarras”, conta.
Ainda na década de 1970, depois dos desfiles de 7 de Setembro, concursos eram realizados no antigo campo do Ferroviário, em União da Vitória. Na época, as apresentações não tinham o mesmo sistema de avaliação técnica existente atualmente, mas já reuniam músicos e despertavam o interesse do público.
Nos anos 1980, a atividade ganhou novas iniciativas. Em 1985, surgiram concursos denominados CINFA. Em 1991, José Carlos e sua esposa, Berenice, retomaram a proposta com um formato interestadual, dando origem ao Cinfaban.
“De lá para cá, o evento só vem crescendo, com a ideia de que a música transforma vidas”, afirma o maestro.
Uma história que passou por gerações
A relação de José Carlos com as bandas começou ainda na infância. Ele entrou nesse universo aos 10 anos, no Colégio Estadual Bernardina Schleder, e desde então acumulou cerca de 45 anos de participação em bandas e fanfarras.
A experiência como integrante se transformou posteriormente em trabalho como professor e maestro. Em 1988, ele iniciou uma trajetória de formação de estudantes na Escola Nilo Peçanha, em Porto União.
Depois, vieram trabalhos em outras instituições e municípios. Entre eles está a Banda da Escola Coração de Maria, que completa 32 anos de atividade em 2026.
A história pessoal ajuda a explicar a relação que o maestro mantém com o Cinfaban.
“Ele faz parte da minha vida. Na minha vida profissional, a gente construiu isso com a Berenice”, resume.
Música, escola e formação
Para José Carlos, a permanência das bandas e fanfarras está relacionada ao papel que elas exercem na formação dos jovens.
“A música, através das bandas e fanfarras, é utilizada como ferramenta. O objetivo é que nós consigamos formar melhor as pessoas para a vida em sociedade.”
O aprendizado não está apenas em tocar um instrumento. A atividade exige compromisso com ensaios, cuidado com os equipamentos, disciplina, convivência e participação coletiva.
“O aluno se sente parte de algo. E sentir-se parte de algo é muito importante, porque aí é a valorização e o aumento da autoestima”, explica.
Essa dimensão coletiva é um dos aspectos que, segundo o professor, ajudam a manter a tradição viva.
O som que atravessa gerações
A própria trajetória de José Carlos começou com uma experiência simples de infância. Antes mesmo de integrar uma fanfarra, ele acompanhava os ensaios com colegas, utilizando latas e pedaços de madeira como instrumentos improvisados.
Foi esse contato que despertou o interesse pela atividade.
Décadas depois, ele vê a mesma possibilidade nas crianças que chegam às bandas atualmente.
“O primeiro contato é para que ele desperte o gosto pela atividade”, afirma.
A partir daí, o estudante pode escolher diferentes caminhos: percussão, instrumentos de sopro, corpo coreográfico, baliza ou comando.
Para José Carlos, o mais importante é que exista a oportunidade de participar.
Uma atividade que também inclui
A tradição das bandas também se adapta às novas gerações e às diferentes realidades dos estudantes. Na Banda da Escola Coração de Maria, o maestro destaca a participação de alunos com síndrome de Down, TDAH e autismo.
“O fato de ele gostar de participar da banda, para nós já é motivo de satisfação e de realização”, afirma.
A atividade, nesse sentido, preserva uma característica que acompanha sua história: reunir diferentes pessoas em torno de um objetivo comum.
Do concurso local a uma referência
Quando o Cinfaban começou, a participação era bem menor. José Carlos lembra que as primeiras edições reuniam entre cinco e dez corporações.
A consolidação do evento veio gradualmente, acompanhando também o crescimento do movimento de bandas e fanfarras no Paraná.
“Os primeiros contatos realmente foram mais difíceis, para convencer as pessoas de que a competição melhora a qualidade técnica”, lembra.
Hoje, além do Cinfaban, a Federação Paranaense de Fanfarras e Bandas promove concursos e festivais em diferentes regiões do Estado.
A competição, portanto, tornou-se também uma forma de preservar a tradição por meio da renovação técnica.
Tradição com avaliação técnica
Embora mantenha características históricas das apresentações de bandas e fanfarras, o Cinfaban possui atualmente um sistema técnico de avaliação.
Jurados analisam aspectos musicais, como afinação, ritmo, melodia, sincronismo e arranjo. Também são avaliados marcha, alinhamento, cobertura, uniformidade, corpo coreográfico, balizas e o desempenho do comandante.
As corporações são divididas conforme sua formação instrumental e a faixa etária dos participantes.
Há categorias infantis, infantil-juvenis, juvenis e sênior, além de diferentes modalidades de bandas.
A diversidade permite que integrantes de diferentes idades compartilhem o mesmo espaço e mantenham a atividade em movimento.
União da Vitória volta a reunir diferentes gerações
A edição deste sábado terá representantes de quatro estados brasileiros. Entre as corporações confirmadas estão grupos do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A programação começa às 8 horas, segue durante a manhã, retorna às 13h30 e deve avançar até aproximadamente 21 horas.
Entre as atrações estarão corporações reconhecidas no cenário estadual e nacional, além dos grupos da própria região.
A Banda Marcial Faber, a Banda Marcial da Escola Coração de Maria e grupos ligados ao Instituto Cultural Grunwald estão entre os representantes locais.
Público também faz parte da tradição
A entrada no Cinfaban é gratuita. Para José Carlos, o público ocupa um papel importante na história do evento.
“Um público diferenciado, formado por famílias que vão lá para aplaudir as bandas e fanfarras”, destaca.
Muitos dos espectadores já participaram de bandas no passado e retornam acompanhados pelos filhos. Dessa forma, a experiência que começou com uma geração pode despertar o interesse da seguinte.
É nesse encontro entre passado e futuro que o Cinfaban mantém sua identidade.
Uma tradição que também é familiar
A história do concurso se mistura à própria família de José Carlos e Berenice. As filhas cresceram acompanhando os trabalhos e hoje também participam da organização e das atividades das bandas.
A nova geração já começa a seguir o mesmo caminho. O neto Bruninho, por exemplo, demonstra interesse pela percussão e já tem as baquetas como companheiras.
Até a mãe do maestro teve participação na história do evento, durante muitos anos responsável pela cozinha que atendia as corporações participantes.
Ao olhar para essa trajetória, José Carlos resume o significado do Cinfaban de uma maneira que ultrapassa troféus e resultados.
“Minha família toda participa com muito empenho do Cinfaban e se formou dentro das bandas e fanfarras.”
A entrevista começa no minuto 23 da live







