Liderança consciente ganha espaço diante dos novos desafios profissionais

Liderar pessoas deixou de ser apenas uma questão de ocupar um cargo de chefia. Em um ambiente profissional marcado por mudanças constantes, diferentes gerações, rotatividade e novos perfis de colaboradores, a liderança exige preparo, consciência e capacidade de compreender as próprias atitudes.

Maria Genoveva e Fernanda de Freitas. (Foto: JOC).

Para a professora Maria Genoveva, o desenvolvimento de uma liderança preparada começa pelo autoconhecimento e pela reflexão sobre a própria maneira de conduzir pessoas. Ela destaca que não basta acumular ferramentas ou técnicas de gestão.

“Não é um conjunto de técnicas. A gente encheu o líder de técnica, que depois ele nem sabe o que fazer com isso. Mas é um mergulho profundo em saber como é a minha arte de liderar.”

Segundo a especialista, a liderança precisa ser construída a partir da consciência sobre as decisões e comportamentos adotados no cotidiano.

“Busca reflexão, busca consciência, autoconhecimento em primeiro lugar para, a partir daí, você amadurecer o teu fazer como líder.”

Liderar em um ambiente de mudanças

A transformação das relações de trabalho também aumentou a complexidade enfrentada por quem está à frente de equipes. A professora Fernanda de Freitas aponta questões como a rotatividade e a convivência entre diferentes gerações como alguns dos desafios presentes nas organizações.

“A gente diz assim: não vai ficar mais fácil, é a gente que vai ficar mais preparado.”

Para ela, o líder precisa compreender que também está inserido no ambiente que pretende transformar.

“Nós somos parte do sistema que nós estamos tentando transformar.”

Fernanda ressalta que, diante de um cenário em constante mudança, o profissional responsável por conduzir uma equipe precisa ter clareza sobre seus objetivos e sobre a maneira como pretende influenciar as pessoas.

“Começamos por uma liderança clara, que sabe para onde está indo e que define como influenciar as pessoas.”

Promoção não garante preparo para liderar

Um dos problemas ainda encontrados nas organizações é a promoção de bons profissionais para cargos de liderança sem que exista uma preparação específica para a nova função.

Maria Genoveva explica que o bom desempenho técnico não significa, necessariamente, capacidade para conduzir pessoas.

“A liderança tem competências bem específicas, diferentes do exercer qualquer tipo de profissão no dia a dia.”

A situação pode gerar consequências para toda a organização, inclusive com a perda de um profissional que anteriormente apresentava bom desempenho.

“Muitas vezes, na organização, nós perdemos um excelente colaborador, que fazia muito bem a sua função, perdemos o colaborador e ainda não conseguimos o líder que buscávamos.”

Autoconhecimento influencia decisões

Na avaliação de Fernanda, o autoconhecimento é uma das principais ferramentas para quem precisa tomar decisões e conduzir outras pessoas.

“Se eu não governo a mim mesmo, como é que eu vou governar outras pessoas?”

A especialista utiliza uma frase para resumir essa relação entre autoconhecimento e liderança:

“Eu não levo outras pessoas em caminhos que eu não conheço.”

A ideia é que o líder compreenda suas próprias características, limites e comportamentos para conseguir estabelecer relações mais conscientes com a equipe.

Liderança também pode ser desenvolvida

Para Maria Genoveva, liderar não é uma habilidade restrita a pessoas que naturalmente possuem facilidade para se comunicar, influenciar ou tomar decisões.

“70% das competências de uso normal da liderança podem e devem ser conquistadas, desenvolvidas.”

Ela reconhece que algumas pessoas possuem características naturais que podem favorecer a liderança, mas ressalta que elas precisam estar associadas a consciência e propósito.

“Se isso também não for trazido para o consciente e não for colocado na direção certa do propósito de uma organização, essa liderança se esvai, se perde.”

Formação busca desenvolver novas competências

É justamente dentro dessa perspectiva que Maria Genoveva e Fernanda de Freitas realizam a 2ª Jornada de Liderança com Clareza, Consciência e Direção, formação de 20 horas distribuída em cinco encontros presenciais.

A proposta prioriza experiências práticas, reflexão e troca entre os participantes, em vez de concentrar o conteúdo apenas em conceitos teóricos.

Fernanda explica que a experiência da primeira edição mostrou a importância dessa interação.

“A gente não vem com uma proposta teórica ou somente cheia de técnicas, mas que a gente possa, enquanto aprende, viver o que aprende, refletir, trocar ideias.”

A formação terá 25 vagas e será realizada no período noturno, entre setembro e novembro.

Liderança saudável também impacta as equipes

Outro aspecto destacado pelas especialistas é a relação entre liderança e qualidade do ambiente de trabalho. Fernanda considera que o comportamento de quem ocupa uma posição de liderança influencia diretamente a equipe.

“A gente vê muitos líderes adoecidos e nós não teremos equipes mais produtivas se nós tivermos pessoas adoecidas. E isso começa na liderança.”

Para Maria Genoveva, o principal objetivo é estimular profissionais capazes de compreender o impacto de suas decisões e atitudes.

“A coisa que eu mais busco é que as pessoas tornem-se conscientes daquilo que elas estão fazendo.”

Fernanda reforça que essa mudança começa pelo próprio líder.

“Eu acordei para mim antes de acordar para o meu trabalho, eu organizei em mim antes de organizar para a minha equipe.”

Em um cenário profissional cada vez mais dinâmico, a preparação de quem conduz equipes passa, portanto, pela capacidade de olhar para si, compreender as transformações ao redor e tomar decisões com maior clareza e consciência.

A entrevista começa no minuto 21 da live