Conheça a história de Lucas, mais um pequeno guerreiro de União da Vitória
Uma história marcada por medo, fé, esperança e superação. Assim pode ser resumida a trajetória do pequeno Lucas Michel de Moraes de 6 anos, morador de União da Vitória, que desde os 3 anos enfrenta uma Malformação Arteriovenosa (MAV) cerebral.
Quem conta a história é a mãe, Gisele Caldas de Moraes, que acompanhou o filho durante cada consulta, procedimento e momento de incerteza.
Os primeiros sinais apareceram em meados de 2023. Lucas começou a apresentar vômitos, principalmente pela manhã, além de fortes dores de cabeça.
Na época, a família não imaginava que os sintomas estavam relacionados a uma condição grave.
Em outubro de 2023 veio o diagnóstico: Lucas tinha uma Malformação Arteriovenosa cerebral, conhecida como MAV. Trata-se de uma alteração nos vasos sanguíneos em que artérias e veias ficam conectadas de maneira anormal, podendo aumentar o risco de hemorragias.
A partir daquele momento, segundo Gisele, começou uma verdadeira corrida para conseguir o tratamento.
Vieram consultas, exames particulares, dúvidas e a busca por atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em maio de 2024, Lucas realizou a primeira consulta no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e o tratamento começou a avançar.
Seis embolizações antes da cirurgia
Em julho de 2024, Lucas passou pela primeira embolização.
O procedimento passou a fazer parte da preparação para uma cirurgia definitiva. Ao todo, foram realizadas seis embolizações, cada uma buscando reduzir os riscos e preparar a malformação para a retirada cirúrgica.
Depois de uma longa espera, chegou o momento considerado pela família como um dos mais importantes de toda a caminhada.
No dia 8 de julho deste ano, por volta das 8h30, Lucas entrou no centro cirúrgico para a retirada da MAV.
Inicialmente, a previsão era de que o procedimento durasse aproximadamente cinco horas.
Mas a cirurgia se tornou muito mais complexa do que o previsto.
Por volta das 14h, a família foi informada de que seriam necessárias mais algumas horas. Às 18h, uma nova atualização trouxe uma notícia ainda mais preocupante.
Segundo o relato da mãe, durante o procedimento Lucas sofreu três paradas cardíacas e precisou receber três bolsas de sangue.
Ele somente deixou a sala de cirurgia por volta das 22h30, cerca de 14 horas depois de ter entrado no centro cirúrgico.
Lucas foi encaminhado diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sedado e intubado.
Nova cirurgia de emergência
As horas seguintes foram novamente de muita apreensão.
No dia seguinte ao procedimento, uma médica que acompanhava Lucas na UTI percebeu uma diferença entre as pupilas da criança. Fotos e vídeos foram encaminhados ao médico responsável.
Pouco depois, a família recebeu a notícia de que Lucas precisaria voltar ao centro cirúrgico com urgência.
O cérebro estava apresentando um inchaço importante.
Por volta das 23h, Lucas foi levado novamente para uma cirurgia de emergência.
De acordo com Gisele, os médicos explicaram à família que o procedimento apresentava riscos elevados e que o menino poderia não resistir.
Na cirurgia anterior, aproximadamente 80% da MAV havia sido retirada, restando uma parte que ainda precisaria ser tratada posteriormente.
A segunda operação terminou durante a madrugada. Por volta das 4h, Lucas retornou à UTI.
Começava então um período decisivo de 72 horas de observação.
Família ouviu sobre possibilidade de sequelas graves
Segundo Gisele, naquele momento os médicos evitaram fazer previsões otimistas.
Entre as possibilidades apresentadas à família estavam sequelas neurológicas importantes, perda de movimentos, dificuldades na fala ou visão e até mesmo a possibilidade de Lucas permanecer em estado vegetativo.
A mãe relata que um dos médicos explicou posteriormente que a rápida percepção da alteração nas pupilas pela médica plantonista foi fundamental.
Segundo o que foi repassado à família, sem a intervenção de emergência, o quadro poderia ter evoluído para morte cerebral.
Enquanto Lucas permanecia na UTI, a família acompanhava cada pequena melhora.
“Cada dia ia melhorando uma coisa”, lembra Gisele.
A pressão, o funcionamento do coração, dos rins e outros sinais eram monitorados constantemente, enquanto a equipe médica fazia ajustes nas medicações.
MAV não foi mais encontrada
Durante a recuperação, Lucas ainda precisaria passar por novos exames.
A expectativa era que fosse necessária uma terceira cirurgia, desta vez para retirar os cerca de 20% restantes da malformação.
Na terça-feira seguinte, Lucas foi levado novamente ao centro cirúrgico para um exame que mostraria a situação da MAV.
Foi então que a família recebeu uma notícia que não esperava.
Segundo Gisele, os médicos informaram que a malformação restante não era mais identificada nos exames.
“Simplesmente a MAV sumiu. O médico veio e disse para a gente que ela não estava mais lá e que ele estava curado da MAV”, conta a mãe.
Para a família, foi um milagre.
Outro momento que ficou marcado aconteceu após a retirada da intubação.
Gisele se aproximou do filho e ouviu uma frase que trouxe alívio depois de tantos dias de medo.
“Mãe, eu te amo.”
Naquele instante, ela percebeu que Lucas reconhecia a família e conseguia falar.
Pouco depois, ele também começou a movimentar as pernas e outras partes do corpo.
A principal dificuldade ficou inicialmente no lado direito do corpo.
Mas, depois de aproximadamente duas semanas de fisioterapia realizada em casa, segundo a mãe, Lucas recuperou os movimentos.
“Hoje ele está com os movimentos 100%. Não tem mais nada”, comemora.
Próxima etapa
A recuperação ainda tem uma etapa importante.
Lucas precisa retornar a Curitiba para realizar a reposição da calota craniana, retirada durante a cirurgia de emergência para aliviar a pressão causada pelo inchaço cerebral.
Depois desse procedimento e do acompanhamento médico, a expectativa da família é que Lucas possa retomar sua rotina normalmente.
Após mais de três anos desde os primeiros sintomas, Gisele olha para trás e lembra das noites sem dormir, das lágrimas, das incertezas e do medo de perder o filho.
Mas, acima de tudo, fala sobre fé.
Para a família, a recuperação de Lucas foi um milagre.
“O médico fala que foi um milagre ele não ter ficado com nenhuma sequela. Isso é extraordinário”, afirma.
A mãe também faz questão de lembrar que, em meio a todos os momentos críticos, a família encontrou forças nas orações.
“A gente tem certeza que Deus, os anjos e os santos pelos quais estávamos rezando estavam ali em todo momento. Temos certeza de que Deus operou um milagre na vida do nosso filho.”
Depois de embolizações, cirurgias, paradas cardíacas, UTI e dias de incerteza, Lucas agora escreve um novo capítulo de sua história.
Um capítulo que, para sua família, significa uma nova oportunidade de simplesmente voltar a ser criança.






