Mais de 189 milímetros de chuva em apenas três dias causam outra cheia no Rio Iguaçu
Os últimos dias foram marcados por apreensão, mudanças às pressas, ruas tomadas pela água, abertura de abrigos e uma grande mobilização no Vale do Iguaçu. Depois de subir rapidamente em poucos dias e chegar próximo dos 6,30 metros, o Rio Iguaçu começou a apresentar uma lenta redução em União da Vitória e Porto União, mas ainda permanece em nível elevado nesta quinta-feira, 17.
Na quinta-feira, 17, a estação de monitoramento da Copel em União da Vitória registrava 6,14 metros às 17 horas, com vazão de aproximadamente 2.080 metros cúbicos por segundo.
A tendência indicada pelo monitoramento é de redução gradual: a previsão hidrológica apontava 6,11 metros para a tarde desta sexta-feira, 18, e 6,04 metros para a madrugada de sábado, 19. A própria Copel ressalta, porém, que as projeções são indicativas e podem mudar de acordo com as chuvas registradas na bacia.
Em poucos dias, cenário mudou completamente
A preocupação aumentou principalmente a partir de 9 de setembro. Naquela quarta-feira, o Rio Iguaçu estava em 5,01 metros e as Defesas Civis já trabalhavam diante das previsões de volumes elevados de chuva para os dias seguintes.
Com a sequência das precipitações em diferentes pontos da bacia, o nível avançou rapidamente. Na sexta-feira, 11, Porto União iniciou a retirada de famílias das áreas atingidas e preparou estruturas de acolhimento. Em União da Vitória, cinco instituições municipais de ensino tiveram as aulas interrompidas preventivamente diante da elevação das águas.
O fim de semana marcou o agravamento da situação.
No domingo, 13, o Rio Iguaçu já havia chegado a 6,24 metros. Até o meio-dia daquele dia, a Defesa Civil de União da Vitória contabilizava 522 residências atingidas, 247 pessoas em abrigos públicos e aproximadamente 1,8 mil moradores desalojados, acolhidos principalmente por familiares e amigos.
Diante da dimensão da cheia, União da Vitória decretou Situação de Emergência, com validade de 180 dias. A medida ampliou as possibilidades de mobilização de estruturas públicas e contratação de serviços necessários para a resposta ao desastre.
Ainda no domingo, uma atualização feita no período da noite já apontava 314 pessoas nos abrigos públicos.
Rio ficou próximo dos 6,30 metros
Na segunda-feira, 14, o Iguaçu permaneceu praticamente estabilizado em torno de 6,27 metros. Segundo dados da Defesa Civil e da Assistência Social, somente naquele dia 52 famílias foram retiradas de suas casas com auxílio das equipes, enquanto o número de pessoas acolhidas nos abrigos chegou a 400.
O rio alcançou cerca de 6,28 metros durante o período de maior elevação e, posteriormente, iniciou um recuo muito lento. Na manhã de terça-feira, 15, a medição estava em aproximadamente 6,27 metros.
Mesmo com o início da queda, as retiradas continuaram. Isso acontece porque a água leva tempo para deixar ruas, terrenos e residências, e imóveis localizados em cotas mais elevadas podem ser atingidos mesmo depois de o rio apresentar sinais de estabilização.
Até as 17h de quarta-feira, 16, dados da Defesa Civil e da Assistência Social apontavam que aproximadamente 2.261 pessoas já haviam precisado deixar suas casas em União da Vitória. Deste total, 423 permaneciam em abrigos públicos.
Porto União também registra centenas de atingidos
Do outro lado do Rio Iguaçu, Porto União enfrenta cenário semelhante.
Na quarta-feira, 16, a Defesa Civil catarinense contabilizava 133 famílias cadastradas, totalizando 438 pessoas afetadas. Destas, 220 estavam acolhidas em abrigos.
Nesta quinta-feira, 17, o balanço foi atualizado para 135 famílias retiradas de suas casas, totalizando 442 pessoas. Desse grupo, 56 famílias, somando 220 moradores, permaneciam nos abrigos.
Em ambas as cidades, escolas e outras estruturas públicas passaram a fazer parte da operação de acolhimento, alterando também a rotina educacional durante os dias mais críticos da cheia.
Operação em Foz do Areia
Enquanto a água avançava no Vale do Iguaçu, a Copel também realizou operações no reservatório da Usina Hidrelétrica Foz do Areia, em Pinhão.
Em um período de 48 horas, o nível do reservatório foi reduzido em mais de meio metro. Na sexta-feira, 11, o armazenamento estava em aproximadamente 87%, enquanto cerca de 3 milhões de litros de água por segundo eram liberados pela usina entre turbinas e vertedouros.
Segundo a Copel, a estratégia teve como objetivo ampliar o espaço disponível no reservatório diante das vazões elevadas que chegariam posteriormente da região de União da Vitória. As decisões de operação das usinas são coordenadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A cheia ainda não terminou
Apesar de o cenário atual ser diferente daquele vivido no início da semana, a cheia ainda não pode ser considerada encerrada.
Às 7h desta quinta, dia 17, o Rio Iguaçu estava em 6,17 metros, cerca de cinco centímetros abaixo da marca observada aproximadamente 24 horas antes. Às 14h, caiu para 6,14 metros. A redução, portanto, ocorre lentamente.
Além disso, há previsão de retorno das chuvas à região nos próximos dias. Por isso, as Defesas Civis de União da Vitória e Porto União seguem acompanhando tanto o nível local quanto as precipitações em toda a bacia hidrográfica, já que o comportamento do Iguaçu aqui depende também da água que chega de municípios localizados rio acima.
O rio está baixando, mas, para centenas de famílias de União da Vitória e Porto União, os efeitos desta cheia ainda devem permanecer por vários dias.



