Artista plástica de Porto União chega à final da 1ª Olimpíada Nacional de Ilustração Científica
A artista plástica Mônica Tusset, de Porto União, está entre os 85 finalistas da primeira Olimpíada Nacional de Ilustração Científica, competição que reuniu 1.091 inscritos de diferentes regiões do Brasil. Com trabalhos em aquarela voltados à representação da biodiversidade brasileira, a artista encontrou na iniciativa uma oportunidade de aproximar a expressão artística do conhecimento científico e da preservação ambiental.
Natural do Paraná, Mônica trabalha principalmente com aquarela e tem interesse especial na fauna e na flora brasileiras. Sua participação na olimpíada ocorreu na categoria ODS 15 – Vida Terrestre, relacionada à proteção dos ecossistemas terrestres e à conservação da biodiversidade.
O processo começou no final do ano passado e envolveu treinamento, pesquisa e produção individual de ilustrações. Ao longo das etapas, os participantes precisaram desenvolver trabalhos inéditos, com atenção às características das espécies representadas e à precisão dos detalhes.
“Meu interesse pela ilustração científica surgiu da possibilidade de unir arte, observação e conhecimento sobre a natureza”, explica Mônica.
Segundo ela, a aquarela oferece possibilidades particulares para representar formas, cores e características das espécies, além de contribuir para dar visibilidade à riqueza natural do país.

Mônica trabalha principalmente com aquarela e tem interesse especial na fauna e na flora brasileiras
Espécies da Mata Atlântica inspiraram os trabalhos
A fauna e a flora da Mata Atlântica foram o foco da pesquisa desenvolvida pela artista durante a competição. Na segunda etapa, Mônica escolheu a jacutinga (Aburria jacutinga), ave ameaçada de extinção que ocorre nesse bioma e também está presente na região.
A escolha levou em consideração tanto a beleza da espécie quanto sua importância ecológica. A jacutinga desempenha um papel relevante na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração das florestas.
“Sua beleza, suas particularidades morfológicas e sua importância ecológica despertaram meu interesse”, relata.
Para a terceira e última etapa, cuja ilustração foi enviada em 13 de outubro, a artista selecionou a Fuchsia regia subsp. reitzii, planta nativa da Mata Atlântica que chamou sua atenção pelas características relacionadas à polinização.
A produção dos trabalhos exigiu pesquisa sobre as espécies, estudo de suas características morfológicas e observação minuciosa. O desafio, conforme Mônica, foi conciliar a precisão científica necessária à representação das espécies com a sensibilidade artística da pintura em aquarela.
Arte como instrumento de conservação
Além da experiência artística, a participação na olimpíada reforçou, para Mônica, a importância da ilustração científica como ferramenta de divulgação do conhecimento. Por meio das imagens, é possível apresentar detalhes da natureza que muitas vezes passam despercebidos e despertar o interesse por espécies pouco conhecidas.
“Acredito que conhecer e valorizar nossa biodiversidade é um passo importante para compreender a necessidade de preservá-la”, afirma.
A artista também destaca que a ilustração científica pode aproximar o público da fauna e da flora, estimulando a curiosidade e a conscientização sobre a conservação ambiental. Nesse sentido, o trabalho artístico ultrapassa a representação visual e contribui para ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas brasileiros.
Votação popular e avaliação técnica
Com o encerramento da terceira etapa, os trabalhos seguem para avaliação de um júri técnico especializado, responsável pela classificação oficial e pela premiação dos participantes.
Paralelamente, está prevista uma votação popular on-line, que permitirá ao público conhecer as obras finalistas por meio de uma galeria virtual disponibilizada pela organização. A ilustração mais votada receberá o prêmio especial de Destaque do Júri Popular. A votação está prevista para a semana seguinte ao envio dos trabalhos finais, conforme as informações repassadas pela artista.
Estar entre os finalistas representa uma conquista importante para Mônica, que vê a experiência como incentivo para continuar estudando e aperfeiçoando suas técnicas.
“Chegar à final de uma competição nacional é motivo de muita alegria e representa um marco importante na minha trajetória artística”, destaca.
A artista espera que a participação também contribua para ampliar a visibilidade da ilustração científica no Brasil e inspire outras pessoas, especialmente seus alunos, a desenvolverem um olhar mais atento para a natureza.
Para ela, a união entre arte, ciência e conservação ambiental demonstra que a observação e o conhecimento são caminhos importantes para reconhecer o valor da biodiversidade e a necessidade de protegê-la.



