Mel de Bituruna conquista mercados e chega até os Estados Unidos

Bituruna reafirma sua posição como uma das principais referências da apicultura paranaense. O município aparece entre os cinco maiores produtores de mel do Estado na nova edição do projeto Orgulho Paraná, iniciativa do Sistema FAEP que destaca a qualidade e a diversidade da produção agropecuária paranaense.

Durante os meses de julho e agosto, a vitrine instalada na sede da entidade, em Curitiba, apresenta produtos da cadeia apícola, como mel, própolis, hidromel e artesanato, valorizando o trabalho desenvolvido pelos produtores rurais.

Ao lado de Arapoti, Prudentópolis, Ortigueira e Wenceslau Braz, Bituruna integra o grupo dos maiores produtores de mel do Paraná.

O Estado lidera a produção nacional, com 9.823 toneladas, o equivalente a 14,6% do total brasileiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, a cadeia apícola paranaense exportou 5,9 mil toneladas de mel e movimentou US$ 20 milhões em vendas internacionais.

Produção entre 400 e 500 toneladas por ano

Coordenador do programa Encanto das Abelhas e a Força das Araucárias, Mário Zampieron afirma que Bituruna possui uma cadeia produtiva consolidada e com grande potencial de crescimento.

Segundo ele, a produção anual do município varia entre 400 e 500 toneladas de mel, sendo grande parte destinada à exportação, principalmente para os Estados Unidos.

“O município tem uma cadeia produtiva bastante grande e está entre os maiores produtores do Paraná. Hoje temos uma produção diversificada, e a maioria das famílias que produzem no município participa da cadeia do mel”, destaca.

Bituruna também abriga alguns dos maiores produtores do Estado. Conforme Zampieron, duas famílias tradicionais possuem aproximadamente 5 mil colmeias cada uma, contribuindo significativamente para o volume produzido no município.

Arquivo Pessoal

Programa atende 100 famílias

Um dos pilares desse crescimento é o programa Encanto das Abelhas, desenvolvido pela Prefeitura de Bituruna em parceria com o IDR-Paraná e o Senar.

Atualmente, 100 famílias participam da iniciativa, que oferece assistência técnica permanente, capacitações, distribuição subsidiada de caixas e melgueiras, além de incentivo financeiro.

Cada produtor permanece no programa durante três anos. Nesse período, recebe materiais para iniciar ou ampliar a atividade e um subsídio mensal de R$ 120, desde que cumpra metas como participação nas reuniões, capacitações e manejo adequado das colmeias.

As famílias são divididas em dez grupos, que se reúnem mensalmente para treinamentos acompanhados por um técnico da Prefeitura dedicado exclusivamente ao programa.

“A proposta é que, ao final dos três anos, essas famílias já tenham uma renda consolidada com a produção de mel e não dependam mais do incentivo financeiro, permanecendo apenas com a assistência técnica”, explica Zampieron.

Potencial para dobrar a produção

De acordo com o coordenador, as características naturais de Bituruna representam um diferencial competitivo.

Com extensas áreas de mata nativa, predominância de mel silvestre e grande potencial para produção orgânica, o município reúne condições favoráveis para ampliar significativamente sua produção.

“Nossa expectativa é dobrar a produção nos próximos anos. Temos uma condição muito favorável de floradas e ainda existe um potencial enorme que não é totalmente explorado”, afirma.

Outro fator que anima os produtores é o mercado internacional. Grande parte do mel produzido em Bituruna é destinada à exportação, tendo os Estados Unidos como principal destino.

Arquivo Pessoal

Novos produtores entram na atividade

O programa também tem estimulado o ingresso de novas famílias na apicultura.

É o caso da produtora Fernanda Dalla Costa, que decidiu investir na atividade ao lado da família após recordar a experiência vivida na infância.

“Já fazia algum tempo que estávamos amadurecendo a ideia de voltar a ter algumas caixas de abelhas. Quando eu era criança, meu pai criava abelhas, e eu gostava muito. Também pensamos na atividade como uma fonte de renda complementar”, conta.

Ela conheceu o programa da Prefeitura, realizou o curso de Apicultura promovido em parceria com o Senar e recebeu as primeiras caixas em março de 2025.

Na primeira safra, entre 2025 e 2026, a família colheu cerca de 100 quilos de mel.

Hoje, Fernanda possui 18 caixas com enxames e pretende ampliar a produção.

“Está sendo muito bom. Estamos começando agora, mas queremos crescer. O projeto ajuda bastante porque temos um técnico acompanhando o tempo todo, tirando dúvidas e orientando. Agora também temos um aplicativo que auxilia no controle das colmeias e até na gestão financeira da atividade.”

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 Cadeia que gera renda e desenvolvimento

Além de consolidar Bituruna entre os maiores produtores de mel do Paraná, a combinação entre tradição, assistência técnica, incentivo público e condições naturais favoráveis vem fortalecendo a atividade como uma importante fonte de renda para as famílias do campo.

Com expectativa de expansão da produção e um mercado internacional aquecido, a apicultura desponta como uma das cadeias mais promissoras da economia rural do município.

Já na primeira safra Fernanda colheu 100 quilos de mel (ARQUIVO PESSOAL)