Pomar às margens da BR-476 se torna parada obrigatória para quem passa por Paulo Frontin

Às margens da BR-476, no trevo de acesso ao município de Paulo Frontin, um pomar familiar chama a atenção de quem passa pela rodovia.

Há mais de 18 anos o local existe. Hoje o espaço é cuidado com dedicação e carinho pela produtora Lindamir Anelize Stenzel Freyhardt, que transformou o local em referência regional na produção de maçãs e em ponto de parada para viajantes de várias cidades do Sul do país.

Lindamir Anelize Stenzel Freyhardt (Arquivo Pessoal)

O pomar, que hoje ocupa uma área de cinco hectares, abriga cerca de 28 mil pés de macieiras, principalmente das variedades Eva e Julieta.

Ao longo dos anos, o local se consolidou não apenas pela qualidade da fruta, mas também pela experiência proporcionada aos visitantes, muitos deles encantados ao ver, pela primeira vez, um pé de maçã carregado de frutos.

“Tem muita gente que nunca viu uma macieira de perto. Eles chegam, querem conhecer, provar, tirar fotos. A gente diz que isso aqui é uma obra de Deus”, conta Lindamir.

(Arquivo Pessoal)

Um ciclo que se aproxima do fim

Apesar do sucesso, o pomar vive um momento delicado. Segundo Lindamir, o tempo de vida produtivo das macieiras está chegando ao fim. “O pomar já está com 18 anos plantado aqui e o tempo de vida dele está acabando. Acredito que ainda teremos mais umas três safras”, explica.

A partir disso, será necessário um remanejamento total da área, com o corte das árvores atuais e o plantio de outra cultura.

“Não pode plantar maçã novamente na mesma área. Depois de três anos, se quisermos voltar com a produção, precisamos renovar tudo”, detalha.

O ciclo produtivo de um pomar de maçã gira em torno de 20 anos, e após esse período a produtividade cai, tornando inviável a manutenção da atividade. “Manter um pomar sem produção não compensa”, resume.

(Arquivo Pessoal)

Clima, variedades e adaptação à região

Nem todas as variedades de maçã se adaptaram às condições climáticas da região. Lindamir explica que o frio intenso é essencial para o desenvolvimento da cultura.

“A maçã precisa de muito frio para produzir. Tentamos plantar Gala e Fuji, mas elas exigem temperaturas diferentes. Tivemos que cortar tudo.”

As variedades que se adaptaram foram a Eva, predominante no pomar, e a Julieta, responsável pela polinização. “A cada dez pés de Eva, temos um pé de Julieta, que é o pé macho e faz o processo de polinização”, explica.

A variedade Eva também carrega um simbolismo curioso. “Por isso surge a história do fruto proibido, da maçã do amor, da Eva”, comenta Lindamir, sorrindo.

Produção, mercado e visitação

Grande parte da produção é comercializada com a Agrícola Fraiburgo, de Videira (SC).

No meio do ano eles vêm, fazemos o contrato e negociamos praticamente toda a área”, explica. Ainda assim, a venda direta ao público é intensa.

“Tem uma procura muito grande das pessoas que passam por aqui. Eu consigo vender tudo, graças a Deus. A fruta é fresquinha, colhida na hora, e isso é o diferencial”, destaca.

O pomar se tornou uma parada obrigatória para famílias que viajam entre cidades como Mallet, Rebouças e outras da região.

Tem cliente que vem todo ano. Eles já dizem que precisam parar aqui”, conta.

O pomar recebeu até cenário especial para fotos (Arquivo Pessoal)

Desafios da mão de obra e dedicação diária

Apesar do encanto, manter o pomar não é tarefa fácil. A maior dificuldade hoje é a mão de obra.

“É muito difícil encontrar pessoas para trabalhar o ano todo. Para manter o pomar limpo, organizado, como precisa, é um desafio constante”, relata Lindamir.

Durante a pandemia, ela deixou a sala de aula para se dedicar integralmente à propriedade.

“Eu parei de dar aula para conseguir administrar tudo isso. Hoje eu lido com o pomar, com as vendas, com funcionários. É uma correria diária, mas a gente se adapta.”

A colheita normalmente ocorre entre dezembro e janeiro, mas neste ano, por conta das condições climáticas, atrasou um pouco e deve se estender até o início de fevereiro.

Futuro em aberto

Com o fim do ciclo do pomar se aproximando, o futuro ainda está em análise.

“Estamos vendo o que vamos fazer depois desses 20 anos. Se vamos continuar nesse ramo ou não. A mão de obra pesa muito nessa decisão”, revela Lindamir.

Enquanto isso, o pomar segue produzindo, encantando visitantes e reafirmando a força da agricultura familiar às margens de uma das principais rodovias da região.

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