COLUNA PELO ESTADO: SC vira palco nesta eleição nervosa que será decidida por renda e religião

Arte: ADISC

Numa eleição nervosa, que deve ser decidida pela renda e religião das pessoas, Santa Catarina com apenas 3,52% do eleitorado nacional ganhou palco pela já conhecida densidade bolsonarista e pela surpreendente reação petista. Deverá receber a visita dos dois candidatos a presidente nos palanques dos candidatos ao governo Jorginho Mello (PL) e Décio Lima (PT).

O segundo turno iguala os candidatos. No início da propaganda eleitoral no rádio e na TV nesta sexta, as campanhas já mostraram a que vieram. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o passado foi melhor nos seus dois mandatos, mas quer olhar pra frente, para “unir o Brasil num futuro de paz, democracia e prosperidade”. Para isso, deve focar em propostas econômicas como o Desenrola, programa para renegociar dívidas das famílias, e no aumento real do salário mínimo. Mas está demorando para, por exemplo, anunciar sua equipe econômica, já que conta com apoio de Armínio Fraga e todos os economistas pais do Plano Real e da estabilização econômica.

Bolsonaro diz que isso é “lero-lero”, festeja “o sentimento de pátria, futuro seguro e amor ao Brasil” que teria lhe dado 51 milhões de votos no primeiro turno, 6 milhões a menos que Lula, e apresenta o apoio de oito governadores já eleitos.

Jorginho e Décio colam nos seus respectivos e terão de se esforçar para mostrar mais do que o legado nacional. Jorginho tem recursos aplicados por emendas parlamentares e Décio dois mandatos como prefeito de Blumenau, já que nenhum dos dois ocupou cargo executivo majoritário ainda.

No mais, buscam narrativas para sensibilizar o numeroso eleitorado feminino com renda mais baixa e perfil conservador que deve decidir essa eleição. Jorginho apela à religião e acaba de conseguir importante apoio de evangélicos, embora tenha flertado com a maçonaria no primeiro turno. Décio apela à ciência, ao combate à fome e conta sua própria jornada de esperança e superação, tanto para vencer a poliomelite quanto para se manter nesta disputa.

Peso da Capital
Das 11 maiores cidades de Santa Catarina, acima de 100 mil habitantes, Florianópolis foi a que as votações de Bolsonaro e Lula ficaram mais equilibradas, com 45% dos votos válidos para o atual presidente e 42% para o ex-presidente petista. Também foi a única em que Jorginho não ganhou, aliás, ficou em terceiro lugar. O ex-prefeito Gean Loureiro (União Brasil) terminou em primeiro com 102 mil votos (33%), seguido por Décio Lima (PT), com 75 mil votos (24%). Com perspectiva de melhorar o desempenho, já que fez 68 mil votos, apenas 22% dos votos válidos na Capital, o candidato do PL festejou o apoio do prefeito Topázio Silveira Neto (PSD). A candidatura de Jorginho esperaria que o apoio de Topázio pudesse estimular a adesão também de Gean Loureiro. Com seus 555 mil votos, o ex-prefeito de Floripa tem sido procurado pelas duas campanhas. Para o lado de Jorginho, embora tenha antecipado voto a Bolsonaro no primeiro turno, pode pesar desentendimentos no passado. Em 2018, Filipe Mello deixou a Casa Civil da administração Gean e todo PR, sigla a que os Mello pertenciam, se retirou. Para o de Décio Lima, pesa a relação belicosa que mantém com os sindicatos e servidores públicos.

Foto: Divulgação

Fora da bolha
Décio Lima já fez o primeiro turno com cinco siglas na Frente Democrática (PT, PSB, PCdoB, PV e Solidariedade), agora quer pessoas de todos os setores. “Temos que falar com todos os setores. Nossa fala é para aglutinar forças, vencer as eleições e derrotar o fascismo”, disse ele, em plenária com deputados eleitos e representantes da sociedade civil e movimentos sociais na Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado de Santa Catarina (Fecesc). Décio agregou o apoio do Psol e deve contar com o PDT, embora o candidato Jorge Boeira, por enquanto, não pretenda declarar voto. O pedido de Décio e Bia Vargas (PSB), candidata a vice, é para que a militância intensifique o corpo a corpo e vença a bolha nas redes sociais. Para Décio, não é hora de se perder em discussões ou cair em provocações dos adversários. “Vou falar uma coisinha que senti o tempo todo. Muita gente não acreditava que eu poderia estar aqui hoje. Quero dizer que temos que acreditar. É possível fazer uma nova história em Santa Catarina”, pediu, animado com a vinda da filha de Lula, a jornalista Lurian Silva, para ajudar na campanha.

Foto: Denner Ovidio/Divulgação

Sete siglas
Com o Pros-SC de Ralf Zimmer, sete siglas declararam apoio ao candidato Jorginho Mello nesta primeira semana do segundo turno. O candidato disputou o primeiro turno em chapa pura do PL, agora já soma PP, MDB, PSDB, PTB, Republicanos e Cidadania. Jorginho anunciou na segunda-feira que o único pré-requisito para alianças seria o apoio a Bolsonaro.

Multa
Tribunal Regional Eleitoral manteve multa de R$ 53 mil ao Mapa Marketing e Participações por inconsistência de dados em registro de pesquisa eleitoral no primeiro turno. O instituto de pesquisa havia recorrido, mas não conseguiu superar a falta de informação sobre bairros ou regiões em que a pesquisa foi realizada, dentro do prazo previsto na legislação.

Gasto maior
Terceira data mais importante para o varejo, atrás do Natal e Dia das Mães, o Dia das Crianças deste ano deve movimentar o comércio catarinense até a próxima semana. Pesquisa da Fecomércio SC sobre a intenção de compras na data aponta alta de 20% no gasto médio, chegando a R$ 236 em termos reais. Considerando a inflação, as famílias pretendem desembolsar 10,37% a mais nos presentes em relação a 2021. Quase metade deve escolher brinquedos, depois roupas.

Produção e edição
Adriana Baldissarelli (MTb 6153) para APJ/SC e ADI/SC, com colaboração de Cláudia Carpes. Contato peloestado@gmail.com

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