Diesel em alta pressiona transporte coletivo e amplia incertezas em União da Vitória
O aumento no preço do diesel, impulsionado pelo cenário internacional, já impacta diretamente o transporte coletivo em União da Vitória e acende um alerta para possíveis problemas de abastecimento nas próximas semanas.
Em entrevista ao Jornal O Comércio, o empresário Ilson Ravanello, diretor da Bitur Turismo e da Transportes Coletivos Iguaçu (TCI), afirmou que o setor enfrenta um momento de incertezas, marcado por elevação de custos e dificuldades operacionais.
O empresário foi ouvido antes do reajuste de R$ 0,38 no litro do diesel, em vigor desde 14 de março, e já alertava para a escalada dos custos, dificuldades no abastecimento e impactos no transporte coletivo. Segundo ele, a guerra no Oriente Médio já provoca reflexos no mercado de combustíveis, mesmo antes de um reajuste oficial por parte da Petrobras. “Há muita especulação no setor de distribuição. A Petrobras ainda não repassou aumento, mas algumas empresas já elevaram os preços e até seguram o produto, alegando possível falta”, disse.
De acordo com Ravanello, o litro do diesel, que antes era adquirido por cerca de R$ 5,30, já chega a cotações de até R$ 7,50 — um aumento superior a R$ 2.
Diante desse cenário, a empresa tem buscado alternativas para manter a operação. “Atualmente, estamos abastecendo os ônibus em postos da cidade, onde ainda encontramos valores em torno de R$ 6,59. Isso gera um transtorno, porque precisamos deslocar os veículos fora da garagem para abastecer”, explicou.
Impacto direto no transporte
O empresário destaca que o aumento no custo do combustível atinge diretamente o transporte coletivo, sem possibilidade imediata de repasse ao usuário.
Hoje, a tarifa em União da Vitória é de R$ 5, valor que, segundo ele, já não cobre os custos operacionais, mesmo com subsídio do município. “O aumento do diesel vai direto para a empresa. Não há margem para absorver esse custo por muito tempo, e também não conseguimos repassar ao passageiro”, afirmou.
Ravanello acrescenta que o sistema já opera com déficit mensal, mesmo com repasses públicos.
Tarifa zero em discussão
Diante das dificuldades financeiras, o diretor da TCI avalia que o futuro do transporte coletivo pode caminhar para a adoção da tarifa zero, modelo já implantado em alguns municípios.
Segundo ele, a prefeitura de União da Vitória repassa cerca de R$ 200 mil mensais ao sistema, enquanto o déficit gira em torno de R$ 130 mil. “Se somarmos esses valores, talvez fosse mais viável o município custear integralmente o serviço. Isso poderia aumentar o uso do transporte coletivo e reduzir o número de veículos no centro”, avaliou.
Concorrência com aplicativos
Outro ponto destacado pelo empresário é o crescimento dos aplicativos de transporte nas cidades do interior.
Para Ravanello, embora o serviço tenha se consolidado, a ausência de regulamentação gera desequilíbrio na concorrência.
“O transporte coletivo tem uma série de obrigações, como gratuidades e operação regular. Já os aplicativos operam sem regulamentação, o que cria uma concorrência desigual”, disse.
Ele defende que os municípios estabeleçam regras para o setor e criem mecanismos que contribuam para o financiamento do transporte coletivo.
Operação e desafios
Atualmente, o sistema em União da Vitória conta com seis linhas e entre 20 e 22 ônibus em operação, com uma média de 75 mil quilômetros rodados por mês.
Cerca de 30% dos usuários utilizam o serviço de forma gratuita, o que também impacta na sustentabilidade financeira do sistema.
Além disso, o transporte no interior do município segue como desafio. Segundo Ravanello, o serviço foi interrompido após se tornar economicamente inviável, especialmente após a separação do transporte escolar.
Apelo à população
Ao final, o empresário reforçou a importância do transporte coletivo para a mobilidade urbana e para a economia local.
“É um serviço essencial, que atende toda a população e garante segurança. Mais de 70 famílias dependem diretamente dessa atividade”, destacou.



